Você faz alguma ideia do que significa inteligência emocional e como ela pode impactar no gerenciamento de um projeto?

O quão eficiente pode ser o controle das emoções para um gerente de projetos?

Assim como qualquer outra competência, a inteligência emocional pode ser treinada, praticada e evoluída. Portanto ao utilizarmos a mesma no gerenciamento do projeto será possível obter resultados muito mais eficazes. 


“O termo “Inteligência emocional (IE)” foi popularizado por Daniel Goleman, psicólogo, escritor e PHD em Havard, por meio do seu livro Inteligência Emocional, publicado em 1986.”

Cerca de 21 anos depois, o autor e profissional de gestão de projetos Anthony Mersino, através do  livro Inteligência Emocional para Gerenciamento de Projetos resolveu aplicar os conceitos de Daniel Goleman de maneira que pudessem influenciar positivamente o desenvolvimento e os resultados dos projetos.

Segundos os conceitos apresentados no livro de Goleman, a inteligência emocional é a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

“Para ele a IE é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos”, se aplicarmos isso ao Gerenciamento de Projetos, seria a inteligência emocional capaz de influenciar o sucesso ou insucesso de um projeto?

Por meio dessa abordagem foi possível que Anthony adaptasse os conceitos desenvolvidos por Goleman para que fossem eficientes no gerenciamento de projetos.

Segundo Anthony,  os maiores objetivos e benefícios que um Gerente de Projeto (GP) pode obter ao aplicar esse conceito no projeto são:

  • Estabelecer o tom e o direcionamento do projeto;
  • Comunicar-se com mais eficácia;
  • Motivar, fazer coach e mentoring com os membros da equipe;
  • Criar ambiente de trabalho positivo;
  • Estabelecer o tipo de moral alto da equipe que o ajudará a atrair e reter membros da equipe de projeto com alto nível de desempenho;
  • Lidar produtivamente com estresse;
  • Visualizar um cenário para os objetivos do projeto.

De que maneira podemos fazer isso?

Seguindo o modelo de inteligência emocional representado na figura abaixo, será possível compreender melhor como podemos trabalhar essa competência.

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Figura 1 – Modelo de Inteligencia emocional / Fonte: Página 41 – Livro de Inteligencia Emocional para Gerenciamento de Projetos. MERSINO, Anthony C – 2009.

 

1. Autoconsciência Emocional

Nesse item será necessário que o “Gerente de Projetos seja capaz de entender suas próprias emoções, que estejam conscientes e atentos a tudo que sentem” e em que momento sentem.

2. Autogerenciamento

O autogerenciamento acontece quando, a partir da autoconsciência, o “Gerente é capaz de auto gerenciar seus próprios sentimentos. Esta será a capacidade de controlar os sentimentos para que eles não nos controlem. Nesta etapa devemos usar técnicas para regular as emoções e identificar e evitar gatilhos e pensamentos que possam levar a colapsos emocionais” (descontrole).

3. Consciência Social

Nesta etapa o Gerente de Projetos começará a entender as emoções de outras pessoas, para chegar aqui é necessário que o GP já tenha desenvolvido bem os itens 1 e 2. Tanto Goleman como Mersino acreditam que, para que uma pessoa seja capaz de compreender a emoção do outro, primeiro ela tem que entender a si próprio para que somente assim consiga realizar trabalhos através ou em conjunto com essas pessoas.

“Gestão de projetos refere-se a fazer um trabalho através das pessoas.” – Cita Mersino em seu livro.

4. Gestão de Relacionamentos

O item 4 representa o sucesso nas etapas anteriores, se o GP for capaz de gerir seus relacionamentos, ele se destacará pelos seguintes motivos: “Projetos são um esforço em equipe, GP’s precisam ter autoridade direta, GP’s precisam negociar e GP’s são comunicadores”. Na minha opinião, a gestão dos relacionamentos será a base para uma liderança eficiente e eficaz.

Neste ponto devemos estabelecer relacionamentos com os stakeholders, relacionamento este  que quando administrado de maneira inteligente emocionalmente poderá melhorar a probabilidade de sucesso do projeto e viabilizar um melhor ambiente de trabalho.

5. Liderança da Equipe de Projeto

No meu ponto de vista, além do sucesso do projeto, esse é o maior objetivo que um GP pode almejar, a liderança de sua equipe.“Trata-se de conseguir as pessoas certas para sua equipe, comunicar-se com elas, motivá-las com sucesso e eliminar conflitos, assim como outros obstáculos para que elas possam produzir e atingir os objetivos do projeto”.

 

Seguindo basicamente estas 5 etapas e aplicando as diversas técnicas presentes no livro de Anthony, é possível se tornar (ou evoluir) com um Gerente de Projetos emocionalmente inteligente, de maneira que sentimentos, estresse, mal entendidos, problemas de relacionamento interpessoal ou quaisquer obstáculos que não seja ligado diretamente com o objetivo do projeto seja subtraído a fim de obter mais foco, produtividade e melhor ambiente para toda equipe do projeto.

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Figura 2: Áreas de especialização necessárias à equipe de Gerenciamento de Projetos / Fonte: Guia PMBOK – 3ª Edição

Vale lembrar que, a inteligência emocional não consta no PMBOK como um dos conhecimentos e habilidades necessárias para um gerente de projeto (como é possível ver na figura acima), porém, pode influenciar efetivamente para que essas habilidades (que constam no PMBOK) sejam desenvolvidas.

 

“Para ser verdadeiramente eficaz, o Gerente de Projetos precisa ser capaz de implementar projetos e trabalhar bem com sua equipe. A inteligência emocional ajuda ele a fazer isso.”

 

Além de ajudar a desenvolver habilidades interpessoais como: comunicação eficaz, influência sobre a organização, liderança, motivação, negociação e gerenciamento de conflitos e a capacidade de resolução de problemas; a inteligência emocional também está diretamente relacionada com algumas das áreas de interesse do gerenciamento de projetos como: interação, comunicação, recursos humanos e partes interessadas do projeto.

De maneira menos teórica/técnica, entendo que a inteligência emocional pode ajudar a um gerente de projetos a não se perder diante de situações que saiam do seu controle, como por exemplo, as emoções dos stakeholders do projeto. Um GP “comum” é capaz de gerenciar a equipe e suas tarefas, mas um GP que pratica a inteligência emocional será capaz de gerenciar/influenciar os sentimentos e expectativas de sua equipe, proporcionando a todos, ainda que indiretamente, um melhor ambiente de trabalho e um ambiente muito mais produtivo de maneira que situações adversas no decorrer do projeto não afetem negativamente a equipe envolvida.

O que podemos concluir é que essa ferramenta pouco conhecida no mundo dos projetos pode ser amplamente aplicada a fim de proporcionar sucesso não somente na vida pessoal de um GP mas principalmente na vida profissional.

 

Referências Bibliográficas

GOLEMAN, Daniel –  Inteligência Emocional, A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente, 1995.

Guia PMBOK: Project Management Institute, Inc. , 2004. Item 1.5.5, 31 p.

MERSINO, Anthony C. – Inteligência Emocional para Gerenciamento de Projetos, São Paulo, M.Books do Brasil Editora, 2009.

Site: Profissionais de TI – acesso em agosto de 2017 (foto destacada)

Site: Sociedade Brasileira de Inteligência emocional – acesso em agosto de 2017.

Site: Wikipedia – Project Management Body of Knowledge – acesso em agosto de 2017

 

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