O Design Thinking (DT) nos desafia a entregar resultados que atendam às reais demandas do usuário, em conformidade com os objetivos esperados pela empresa. Quando aplicado de maneira correta, pode alterar significativamente não só projetos mas também pessoas, processos e sistemas corporativos.

O QUE É DESIGN THINKING ?

O Design Thinking como o próprio nome já indica, refere-se ao modo de pensar do Designer. Um pensamento pouco convencional no meio corporativo, o pensamento Abdutivo. Esse tipo de raciocínio, segundo Vianna(2015), procura formular questionamentos através da apreensão ou compreensão dos fenômenos, ou seja, são formuladas perguntas a serem respondidas a partir das informações coletadas durante a observação do universo que permeia o problema. Assim, ao pensar de maneira abdutiva, a solução não é derivada do problema: ela se encaixa nele.

Na prática, o Design Thinking é uma abordagem centrada no ser humano que acelera a inovação e soluciona problemas complexos. Ao baixar as barreiras da hierarquia e do pensamento exclusivamente cartesiano, o DT oferece espaço para as ideias emergirem sem prejulgamentos, fazendo com que o nosso cérebro seja forçado a sair da sua zona de conforto, e, a partir daí, enxergar futuros desejáveis. No mundo em que vivemos, precisamos pensar em novas escolhas, em novos futuros que consigam responder a complexidade do mundo de hoje. Pensar e agir da mesma maneira como agíamos há 100 anos atrás, não vai nos levar a futuros diferentes. O Design Thinking propõe uma nova maneira de pensar, baseado em 3 grandes valores: empatia, colaboração e experimentação. O grande diferencial do DT é o foco no ser humano. Segundo Pires (2016), o Design Thinking é uma pratica desenvolvida no Vale do Silício e vem sendo empregada com muito sucesso no Gerenciamento de Projetos reduzindo os seus prazo, custos e aumentando de maneira significativa a qualidade e o grau de satisfação dos stakeholders.

Design Thinking passo a passo.

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                  Figura 1 – Fases do Design Thinking|(VIANNA et al., 2015)

Segundo Dias (2018), no seu post Destrinchando o Design Thinking: Suas etapas e vantagens na execução de um projeto, a imersão  pode ser considerada a principal fase do processo de Design Thinking, como a sapata de um prédio a imersão serve de alicerce para o desenvolvimento de um projeto, fornecendo insumos para as fases seguintes. A imersão pode ser dividida em três etapas: Preliminar, em profundidade e análise e síntese. A imersão preliminar tem como objetivo o alinhamento de visão com os stakeholders e o entendimento do problema, na imersão em profundidade são gerados os insights que vão nortear o projeto e a fase de análise e síntese os dados gerados nas duas imersões são concatenados e são gerados padrões comportamentais e desafios que vão auxiliar o entendimento do problema.

IMERSÃO PRELIMINAR

Ao iniciar as atividades de um projeto não se conhece o tema até a Imersão Preliminar, aqui os profissionais das empresas contratantes e a equipe de projeto se reúnem para destrinchar o problema, definir quem são os atores e como serão feitas as abordagens. Essa etapa começa com um processo de reenquadramento no qual a equipe de projeto reúne-se com os profissionais da empresa contratante, seja em entrevistas individuais ou em dinâmicas coletivas, para olhar o problema sob outras perspectivas e definir as fronteiras do projeto. Além disso, a equipe de projeto costuma realizar uma Pesquisa Exploratória em campo para ouvir sobre o tema de forma a criar um entendimento inicial dos usuários e atores envolvidos no contexto e auxiliar na definição dos perfis principais para serem investigados a seguir, na Pesquisa em Profundidade. Assim como se realiza uma Pesquisa desk na busca por tendências sobre o assunto no Brasil e exterior.

Para Vianna (2015), reenquadramento é examinar problemas ou questões não resolvidas em uma empresa sob diferentes perspectivas e diversos ângulos, permitindo, assim, desconstruir crenças e suposições dos atores (stakeholders), e quebrar seus padrões de pensamento, ajudando-os a mudar paradigmas dentro no gerenciamento de projetos e, com isso, dar o primeiro passo para alcançar soluções inovadoras.

Pesquisa Desk

A Pesquisa Desk é uma das ferramentas Design Thinking que busca informações sobre o tema do projeto em fontes diversas (websites, livros, revistas, blogs, artigos, entre outros). O nome Desk origina-se de desktop, e é utilizado porque a maior parte da pesquisa secundária realizada atualmente tem com base referências seguras da internet.

Usada para obter informações de outras fontes que não os usuários e os atores envolvidos diretamente com o projeto, principalmente identificando tendências no Brasil e no exterior ao redor do tema ou a assuntos análogos.

A partir do assunto do projeto, cria-se uma árvore de temas relacionados para dar início a pesquisa. Tais insumos muitas vezes são obtidos durante a pesquisa exploratória e vão crescendo e se desdobrando à medida que o pesquisador encontra novas fontes e citações de temas relacionados que possam trazer informações relevantes para o projeto.

Pesquisa Exploratória

É uma ferramenta do Design Thinking para realizar pesquisa de campo preliminar e auxiliar a equipe no entendimento do contexto a ser trabalhado e fornece insumos para a definição dos perfis de usuários, atores e ambientes ou momentos do ciclo de vida do produto/serviço que serão explorados na Imersão em profundidade. Para propiciar a familiarização dos membros da equipe com as realidades de uso dos produtos e serviços que serão explorados ao longo do projeto. A equipe sai às ruas para observar e interagir com pessoas envolvidas no contexto do projeto. Procura-se por locais relevantes para o entendimento do assunto trabalhado e usuários do produto/serviço, além de indivíduos que atuam no ambiente de comercialização, uso ou suporte.

Entrevista

A entrevista é um método que procura, em uma conversa com o entrevistado, obter informações através de perguntas, cartões de evocação cultural, dentre outras técnicas. As informações buscadas permeiam o assunto pesquisado e os temas centrais da vida dos entrevistados.

Entrevistas são particularmente úteis para obter a história por trás das experiências de vida do entrevistado. O entrevistador deve estimular o participante a explicar os porquês desses relatos para que consiga compreender o significado do que está sendo dito. Através das entrevistas, é possível expandir o entendimento sobre comportamentos sociais, descobrir as exceções à regra, mapear casos extremos, suas origens e consequências.

O pesquisador geralmente vai ao encontro do pesquisado em sua casa, trabalho ou outro ambiente relacionado ao tema do projeto, e conversa sobre assuntos relevantes seguindo um protocolo predeterminado que pode ser flexibilizado em função da conversa. Ao mergulhar no ponto de vista de cada pessoa, percebe-se as perspectivas diferentes de um todo, sendo possível identificar polaridades que auxiliarão no desenvolvimento de Personas, fornecendo, assim, insumos para a geração de ideias na fase de ideação.

Análise e síntese

Após as etapas de levantamento de dados da fase de Imersão, os próximos passos são análise e síntese das informações coletadas. Para tal, os insights são organizados de maneira a obter-se padrões e a criar desafios que auxiliem na compreensão do problema. (Viana, 2015)

São uma espécie de resumo baseado na pesquisa exploratória, pesquisa Desk e em profundidade. Essas informações são transformadas em cartões para fácil acesso e fácil entendimento. Além disso, esse cartões também contem informações de onde e quando foram coletadas.

Esses cartões são usados nas reuniões de criação de diagrama de afinidades para identificar padrões e inter-relações dos dados. Também são usados para criar um mapa de resumo da IMERSÃO. Na criação de ideias podem ser usados mais de um cartão.

Ao longo da Pesquisa desk, sempre que se identifica uma questão relevante para o projeto ela é capturada em um cartão onde se registra o achado principal, a fonte e uma explicação do assunto. Já na pesquisa de campo, geralmente os cartões são criados quando o pesquisador volta para “casa” e repassa o que viu e ouviu registrando as questões que saltaram aos olhos. Além disso, os insights também podem surgir ao longo da imersão durante as reuniões de debriefing da equipe de projeto nas quais as experiências dos diversos pesquisadores são confrontadas e os padrões e oportunidades capturados.

Ideação

A Ideação é a fase do brainstorming, ou tempestade cerebral, quando as ideias são apresentadas sem nenhum julgamento. É o momento de efetivamente começar a “pensar fora da caixa”, propondo soluções para o problema. Para isso, utilizam-se práticas de estímulo à criatividade, o que ajuda na geração de soluções que estejam de acordo com o contexto do assunto trabalhado. Não há limite de ideias nesta fase. Também é aconselhável que haja variedade de perfis de pessoas envolvidas, inclusive incluindo quem será beneficiado com as soluções propostas. Em seguida, monta-se uma ou mais sessões de cocriação com usuários ou equipe da empresa contratante, dependendo da necessidade do projeto. As ideias geradas ao longo desse processo são capturadas em Cardápios de ideias que são constantemente validadas em reuniões com o cliente utilizando, por exemplo, uma Matriz de Posicionamento ou em Prototipações.

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                    Figura 2 – Momento de Brainstorm |(VIANNA et al., 2015)

A qualidade e a assertividade das ideias geradas se atinge através da quantidade. Quanto maior a quantia de ideias geradas pela equipe, maior é a chance de produzir uma solução inovadora e funcional. Críticas não devem atrapalhar o processo criativo e a geração de ideias ousadas. O foco deve estar em aprimorar e produzir ideias, adiando a avaliação para um momento posterior.

Prototipação

“Prototipar é tangibilizar uma ideia, é a passagem do abstrato para o físico de forma a representar a realidade – mesmo que simplificada – e propiciar validações”, explicam os autores de Design Thinking – Inovação em Negócios

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       Figura 3 – Passagem do abstrato para o físico|(VIANNA et al., 2015)

Durante qualquer projeto chega a hora de colocar a mão na massa. A Prototipação tem como função auxiliar a validação das ideias geradas e, apesar de ser apresentada como uma das últimas fases do processo de Design Thinking, pode ocorrer ao longo do projeto em paralelo com a Imersão e a Ideação. Conforme as ideias forem surgindo elas podem ser prototipadas, testadas e, em alguns casos, até implementadas.

Em resumo, a Prototipagem é a fase de validação das ideias geradas. É a hora de aparar as arestas, ver o que se encaixa no projeto, juntar propostas e colocar a mão na massa. Com o protótipo em mãos, é possível testar o produto junto ao usuário final, refinando e melhorando até que ele se transforme em uma verdadeira solução.

Através do desenvolvimento de protótipos a equipe de projeto é capaz de selecionar e refinar de forma assertiva as ideias; tangibilizar e avaliar interativamente ideias; validar as soluções junto a uma amostra do público; antecipar eventuais gargalos e problemas,reduzindo os risco e otimizando gastos.

A natureza dos protótipos propriamente ditos varia muito em função do segmento de atuação de uma empresa e do tipo de solução que deve ser avaliada. Ele pode ser tanto um protótipo de interface gráfica como, por exemplo, telas de aplicativos para celular, como de produto, como um caixa eletrônico de banco ou, ainda, de um serviço simulando a experiência de compra de passagem aérea por um viajante de classe C/d.

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                        Figura 4 – Ciclo de prototipagem|(VIANNA et al., 2015)

Exemplos de Prototipagem.

Papel – Protótipos de papel são representações de interfaces gráficas com diferentes níveis de fidelidade, desde um wireframe desenhado à mão em pequenos pedaços de papel até um embalagem com detalhes finais de texto e cores.

Modelo de Volume – Os modelos de volume são representações de produtos que podem varias conforme os níveis de fidelidade. Estes protótipos tem a aparência do produto final, mas ainda não é funcional. Atualmente, com as impressoras 3D, fica relativamente fácil fazer um protótipo desse tipo.

Encenação – A encenação é uma simulação improvisada de uma situação para encenar aspequetos de um serviço, que pode representar desde a interação de uma pessoa com uma máquina até uma simples diálogo entre pessoas, um storyboard – representação visual de uma história, através de quadros estáticos, compostos por desenhos, colagens,fotografias ou outra técnica disponível. Ideal para que terceiros visualizem a proposta do produto ou serviço – como ele seria na pratica.

Protótipo de Serviços – É a simulação de artefatos de materiais, ambientais ou relações interpessoais que representam um ou mais aspectos de um serviço, de forma a desenvolver o usuário e simular a representação da solução proposta. Ideal para mostrar os aspectos abstratos dos serviços.

Conclusão

Como podemos ver, o Design Thinking é uma metodologia que tem por objetivo atender da melhor maneira possível a necessidade dos clientes, utilizando uma abordagem criativa a partir da experimentação, criação e prototipagem de um produto ou serviço. Essa abordagem pode ser aplicada em projetos de qualquer natureza e que, pode ser vista como um grande diferencial das empresas que desejam alcançar ou permanecer com relevância em seus mercados. Segundo DUARTE (2016), atualmente uma das responsabilidades do gerente de projetos e cuidar do alinhamento entre o que o projeto está entregando e se tais entregas representam o valor que o negócio deseja oferecer aos seus stakeholders (internos ou externos). As práticas do Design Thinking, quando aplicados ao gerenciamento de projetos, favoreceriam esse alinhamento, uma vez que tais ferramentas proporcionam processos úteis para a verificação continua deste direcionamento.

 

Referências Bibliográficas


VIANNA, M; VIANNA, Y; ADLER, K.I; LUCENA, B; RUSSO, B: Design Thiknking INOVAÇÃO EM NEGÓCIOS – Rio de Janeiro: MJV PRESS, 2015.

PIRES, ALDO. Design Thinking Aplicado à Gestão de Projetos. Disponível em : <http://www.fgvideal.com.br/2016/noticia/153; Acesso em 03/10/2018.

DIAS, THIAGO DE NAPOLE ARRUDA. Destrinchando o Design Thinking: Suas etapas e Vantagens na Excecução de um Projeto. Disponível em : https://uvagpclass.wordpress.com/2018/03/29/destrinchando-o-design-thinking-suas-etapas-e-vantagens-na-execucao-de-um-projeto/; Acessado em 06/10/2018.

DUARTE, ALLISSON – Inovação no gerenciamento de projetos: O design como novo orientador dos processos de planejamento e gestão. Disponível em : https://pmkb.com.br/artigos/inovacao-no-gerenciamento-de-projetos-o-design-como-novo-orientador-dos-processos-de-planejamento-e-gestao/; Acessado em 06/10/2018.

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