Dado o ambiente dinâmico no qual os projetos fazem parte, nada melhor do que uma ferramenta de análise que possibilite a realização de constantes mudanças e adaptações nos mesmos de acordo com as necessidades de momento.

INTRODUÇÃO

Visto que métodos tradicionais de gerenciamento utilizados por empresas existentes e já consolidadas não estão sendo tão eficazes para a realidade das startups, foram criadas metodologias alternativas para conduzirem estas empresas. Entretanto, empreendedores deste gênero não sabem qual destas metodologias estão utilizando, ou se, de fato, precisam utilizar alguma delas. Este fato é evidenciado através da pesquisa realizada pela Harvard Business School, na qual afirma-se que 75% das startups falham, e que isto pode ser decorrente do uso de metodologias tradicionais, e portanto, ultrapassadas neste tipo de empresa. Desta forma, foi criada uma ferramenta mais adequada para estas empresas: o Business Model Canvas.

AS STARTUPS E SEUS DESAFIOS

A história das startups se iniciou na década de 90, quando surgiu a bolha da internet nos Estados Unidos, também denominada bolha “ponto com”. O termo significa um grupo de pessoas trabalhando uma ideia diferente que, à princípio, poderia gerar lucro. (GITAHY, 2017)

Segundo (INFOMONEY, 2014), o número de startups nascendo diante das necessidades da sociedade está crescendo, e despejando no mercado uma variedade cada vez maior de produtos e serviços. A chave para o sucesso destas empresas encontra-se na capacidade de sobrevivência da mesma, aliada às respostas das ideias no mercado.

O ambiente de incerteza no qual são desenvolvidas essas empresas acaba por impactar, também, o gerenciamento das startups. Nesse ambiente, conforme Rogers (2011), com frequência, estes empreendedores precisarão tomar decisões, como, por exemplo, determinar a demanda do mercado por um produto ou serviço recém-desenvolvido, sem ter informações adequadas nem completas. Nesse sentido, os métodos tradicionais de gerenciamento adotados por companhias já existentes não têm tanta eficácia no contexto dessas empresas nascentes. (FIGUEIRA, HÖRBE, et al., 2017)

Na tabela abaixo, visando uma melhor compreensão à respeito das startups, podemos verificar algumas características propostas para as mesmas:

 

Tabela 1 – Características das startups

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Fonte: (GIARDINO, UNTERKALMSTEINER, et al., 2014)

O BUSINESS MODEL CANVAS E SUAS CARACTERÍSTICAS

Em função das limitações supracitadas, o suíço Alexander Osterwalder revolucionou a criação de novos negócios bem como o desenvolvimento de novos produtos, ao criar um modelo inovador denominado Business Model Generation (Geração de Modelo de Negócio), cuja finalidade é a fomentação da inovação e de prototipações do modelo (NAGAMATSU, BARBOSA e REBECCHI, 2013). Na figura abaixo, observa-se uma ilustração das dimensões envolvidas nesta ferramenta:

 

Figura 1 – Os componentes de um Modelo de Negócio

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Fonte: (OSTERWALDER E PIGNEUR, 2010)

 

Segundo (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010), a Geração do Modelo de Negócios consiste em um modelo de negócios que descreve a lógica de como uma organização cria, entrega e captura valor. A partir deste modelo criado, surgiu o Modelo de Canvas, que em português significa tela, o qual possibilitou uma nova geração de empreendedores adeptos. (NAGAMATSU, BARBOSA e REBECCHI, 2013)

Pode-se descrever melhor o Modelo de Negócios através de nove componentes básicos ou “blocos”, como são mais conhecidos, os quais atendem as quatro principais áreas de um negócio: clientes, oferta, infraestrutura e viabilidade financeira. Adicionalmente, estes mesmos componentes evidenciam a lógica de geração de valor por parte de uma organização. (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010)

Ainda segundo (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010), cabe ressaltar que os nove componentes supracitados pertencentes a um Modelo de Negócios dão origem a uma base para uma ferramenta muito útil, denominada Quadro de Modelo de Negócios, ilustrado na figura a seguir.

 

Figura 2 – Quadro do Modelo de Negócios

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Fonte: (OSTERWALDER E PIGNEUR, 2010) 

 

Na sequência, os nove blocos foram brevemente definidos segundo o SEBRAE:

  1. Proposta de valor: o que sua empresa vai oferecer para o mercado que realmente terá valor para os clientes;
  2. Segmento de clientes: quais segmentos de clientes serão foco da sua empresa;
  3. Os canais: como o cliente compra e recebe seu produto e serviço;
  4. Relacionamento com clientes: como a sua empresa se relacionará com cada um dos segmentos de cliente;
  5. Atividade-chave: são todas as atividades essenciais para que seja possível entregar a Proposta de Valor;
  6. Recursos principais: são os recursos necessários para realizar as atividades-chave;
  7. Parcerias principais: são as atividades-chave realizadas de maneira terceirizada e os recursos principais adquiridos fora da empresa;
  8. Fontes de receita: são as formas de obter receita por meio de propostas de valor.
  9. Estrutura de custos: são todos os custos relevantes necessários para que a estrutura proposta possa funcionar.

Além disso, as ideias representadas nos nove blocos formam a conceitualização do seu negócio, ou seja, a forma como você irá operar e gerar valor ao mercado, definindo seus principais fluxos e processos, permitindo uma análise e visualização do seu modelo de atuação no mercado.

À exemplo do BMC, podemos citar outras formas semelhantes de “simplificar” projetos em geral como, por exemplo, através de ferramentas como o Design Thinking (DT) e o Project Model Canvas (PMC). Ambos possuem conceitos que convergem para a otimização dos recursos de um projeto (tempo, custos, pessoas, etc) utilizando-se de técnicas mais dinâmicas de acordo com as necessidades dos envolvidos no mesmo.

Através do UVAGPCLASS, pode-se encontrar mais detalhes sobre o PMC, através do trabalho desenvolvido pelo colega Romulo Martins: Aplicando o Project Model Canvas em um Projeto de Micro Geração de Energia Eólica . Adicionalmente, pode-se compreender com maior riqueza de detalhes o conceito de Design Thinking acessando o post do colega Alan de Andrade Aleluia: Design Thinking e seus benefícios no processo de Inovação de pequenas, médias e grandes empresas

No primeiro post supracitado, o estudo transcende a parte conceitual, visto que é realizada uma aplicação hipotética através da montagem de um painel do PMC a partir das definições pré-estabelecidas para um determinado projeto. Desta forma, o leitor consegue compreender melhor como ocorre a aplicação da ferramenta em si, além de poder analisar se a mesma cumpriu ou não com o seu objetivo.

No segundo post, gostaria de destacar a fase da Empatia, na qual o DT busca entender as necessidades dos envolvidos no problema/projeto, buscando atender às necessidades dos mesmos o mais próximo possível de suas expectativas.

O BUSINESS MODEL CANVAS E O GERENCIAMENTO DE PROJETOS

Embora um gerente de projetos realize um ótimo gerenciamento de riscos, ele encontrará imprevistos ao longo do mesmo. Nesse momento, é necessário reagir rapidamente aos mesmos para que o projeto não seja muito impactado. Logo, é necessária uma ferramenta de gestão que lhe permita analisar os diversos fatores envolvidos em um projeto da forma mais expositiva possível, de maneira que consiga realizar os ajustes necessários o quanto antes.

Dado o exposto, o BMC possui uma estrutura que segmenta as diversas dimensões envolvidas em um projeto e permite que as mesmas sejam periodicamente alteradas, caso necessário, com maior clareza por parte dos seus gestores e com uma maior compreensão por todos os envolvidos.

 

CONCLUSÕES

Nota-se que uma das contribuições do Canvas se dá no aspecto da rápida adaptabilidade às mudanças que a ferramenta possui, de maneira que possibilita uma rápida reação em relação à aspectos relativos ao escopo, desenvolvimento, custos e fator humano, permitindo adaptar constantemente estas dimensões do projeto sem comprometer, na maioria das vezes, o alcance do seu objetivo final.  Logo, pode-se afirmar que o Canvas possibilita uma melhor gestão do projeto como um todo, ao envolver as diversas dimensões do mesmo, e adaptá-las de acordo com as necessidades identificadas.

 

Caros leitores,

Acreditam que o Canvas, de fato, agrega qualidade à gestão de projetos?

Já o utilizaram ou conhecem alguma aplicação efetiva do mesmo em um projeto? Qual foi o resultado obtido?

Obrigado pela leitura, e conto com seus feedbacks!

 

REFERÊNCIAS

ALELUIA, Alan. Desing Thinking e seus benefícios no processo de Inovação de pequenas, médias e grandes empresas. In: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 24/09/2018. Disponível em: https://uvagpclass.wordpress.com/2018/09/24/design-thinking-e-seus-beneficios-no-processo-de-inovacao-de-pequenas-medias-e-grandes-empresas/. Acessado em: setembro 2018.

FIGUEIRA, K. K. et al. Startups: estudo do processo de abertura e gerenciamento. Revista de Administração da Universidade de Santa Maria, Santa Maria, Agosto 2017. 56-71.

GIARDINO, C. et al. What do we know about software development in startups. IEEE software, 15 Setembro 2014. 28-32.

GITAHY,. Site sobre o SEBRAE. Site do SEBRAE, 08 Agosto 2017. Disponivel em: PortalSebrae/sebraeaz/o-que-e-uma-startup,616913074c0a3410VgnVCM1000003b74010aRCRD>

INFOMONEY. Sobre a revista: INFOMONEY. INFOMONEY, 2014. Disponivel em: startups/noticia/3506090/abrir-uma-startup-nao-tao-facil-como-parece-acabam-fechando>. Acesso em: 07 Setembro 2018.

MARTINS, Romulo. Aplicando o Projet Model Canvas em um Projeto de Micro Geração de Energia Eólica. In: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 17/06/2018. Disponível em: https://uvagpclass.wordpress.com/2018/06/17/aplicando-o-project-model-canvas-em-um-projeto-de-micro-geracao-de-energia-eolica/. Acessado em: setembro 2018.

NAGAMATSU, F. A.; BARBOSA, J.; REBECCHI, A. Business Model Generation e as contribuições na abertura de startups. In: Anais. II Simpósio Internacional de Gestão de Projetos – SINGEP e Simpósio Internacional de Inovação e Sustentabilidade – S2IS, São Paulo, 15 Outubro 2013.

OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation – Inovação em Modelos de Negócios. Londres: Wiley John & Sons, 2010.

ROGERS, S. Finanças e estratégias de negócios para empreendedores. Porto Alegre: Bookman, 2011.

SEBRAE. SEBRAEPR. Disponivel em Canvas:-como-estruturar-seu-modelo-de-neg%C3%B3cio>. Acesso em: 07 Setembro 2018.

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