Entenda porque o processo de inovação é um dos pontos chave para a sobrevivência das empresas, e como o Design Thinking  atua  no desenvolvimento de soluções impecáveis esteticamente, novas funcionalidades e com o foco no consumidor.

Introdução

Alguns anos atrás a palavra inovação estava restrita a negócios de alta tecnologia e criação de produtos em mercados dinâmicos como os de eletrônicos, tecnologia da informação, aeroespacial, dentre outros. Setores tradicionais como saúde, têxtil, siderurgia, bancos, seguros, varejo e até mesmo o setor público vem fazendo com que esta situação sofra mudanças nos últimos anos. Uma das metodologias inovadoras difundidas em algumas dessas empresas é o Design Thinking. Entenda a relação desta metodologia com o processo de inovação dessas empresas.

Mas porque Inovar?

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As organizações que inovam e diferenciam produtos e serviços tendem a ser mais produtivas e possuírem maior parcela no mercado. O crescente número de empresas concorrentes e o aumento de exigência dos consumidores faz com que as inovações, estejam a um passo a frente de produtos e/ou serviços classificados como obsoletos na disputa dos melhores patamares do mercado entre as empresas. Já dizia o filósofo matemático grego Platão “a necessidade é a mãe da inovação”.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que entre 2011 e 2014 um ainda pequeno, mas crescente número de empresas brasileiras implementaram inovações de produtos e/ou processos, conforme mostra o Gráfico 1.

Gráfico 1- Número de empresas que implementaram inovações de produtos e/ou processos no Brasil

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Fonte: IBGE (2014)

A inovação é peça-chave na estratégia não somente das empresas, expressa em processos inovadores em produtos e serviços, na busca pelo aumento da competitividade no mercado, mas também uma estratégia brasileira de desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda, além do aumento da competitividade frente aos outros países.

Percebendo esta necessidade, o governo brasileiro sancionou em 2004 a Lei de Nº 10.973, a chamada Lei da Inovação. Esta lei estipula medidas de incentivo a inovação e a pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, visando a autonomia tecnológica e desenvolvimento do sistema produtivo nacional do país.

O que é Design Thinking?

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O Design Thinking (DT) foi um conceito proposto e popularizado na década de 90, pela empresa internacional de design e inovação fundada na Califórnia, a IDEO.

O DT é uma metodologia, ou chamado por alguns como modelo mental que representa o modo de pensar do design visualizando o tratamento de problemas com diferentes graus de complexibilidade e a criação de soluções de negócios.

Brown apud Vasconcelos e Pereira (2017) define o DT como “… uma disciplina que usa a sensibilidade do designer e métodos para combinar a necessidade das pessoas com o que é tecnologicamente possível e com o que uma estratégia de negócio viável consegue converter em valor para o consumidor e oportunidade de mercado”. Esse conceito está representado na Figura 1.

Figura 1 – Representação do Design Thinking

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Fonte: Vasconcelos e Pereira (2017)

Etapas do Design Thinking

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O DT é geralmente feito em grupo e dividido em fases, que podem ser sete, cinco ou quatro, de acordo com o autor. Para o Instituto de Design de Stanford são cinco, e as mesmas serão apresentadas abaixo.

Empatia

Nesta etapa são entendidas quais são as necessidades das pessoas envolvidas no problema (clientes, funcionários, etc), do que precisam, do que gostam ou o que querem. Usa-se o mapa de empatia (Figura 2) para melhor avaliar o envolvido no problema.

Este ferramenta foi desenvolvida pela companhia XPLANE tem o objetivo de entrar fundo no universo do seu potencial cliente e entender seu ambiente, comportamentos e preocupações. A partir deste mapa é possível desenvolver um potente modelo de negócios atendendo a necessidade dos clientes dado seu perfil e suas repostas aos questionamentos levantados.

Figura 2 – Exemplo de Mapa de Empatia

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Fonte: <http://ramonkayo.com/conceitos-e-metodos/o-que-e-mapa-de-empatia-e-para-que-serve&gt; Acesso em 08 de set. 2018

 

Definir

A partir dos dados levantados na Empatia, a fase de definição, como o próprio nome diz, é delimitado qual é o problema, o que precisa ser resolvido ou criado.

Idear

Esta é a fase de geração de ideias que devem fluir sem censura ou medo de apresentar ideias que no primeiro momento são absurdas, um brainstorming, em cima das informações coletadas nos passos anteriores.

Prototipar

Nesta fase é selecionada a melhor ou melhores opções geradas no brainstorming  tendo em mente os critérios mais importantes para se priorizar no modelo de negócio e são criados os protótipos.

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Segundo Brown apud Ricardo e Nogueira (2015) a prototipagem é essencial, pois quanto mais rapidamente tornamos nossas ideias tangíveis, mais cedo podemos avalia-las, lapidá-las e identificar a melhor solução. Ou seja, “errar” antes, durante a fase de prototipagem, é mais barato que “errar” depois que investimentos foram feitos no novo modelo.

Testar

Fase em que são feitos os experimentos dos protótipos criados e escolha do que faz melhor sentido.

Vantagens da aplicação do Design Thinking

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Aproximação com o cliente

A metodologia DT permite uma imersão no universo do cliente, permitindo grande conhecimento de seus desejos e necessidades.

Envolvimento da equipe

Por ser composta preferencialmente por equipes de diversos setores e níveis hierárquicos, esta metodologia permite trazer olhares complementares para o desafio e gera soluções mais diversificadas e criativas.

Senso de copropriedade

Com a equipe envolvida na solução dos problemas, a tendência é haver um sentimento de responsabilidade quanto a solução encontrada, fazendo com que todos valorizem os esforços das empresas e se sintam responsáveis pelo sucesso na implementação e mais propriedade com o discurso de venda feita com o cliente.

Testar antes de Investir

Nesta metodologia nenhuma ideia é implementada antes de ser testada. Através do teste do protótipo que foi desenvolvido após a seleção de alternativas que mais geram valor para o cliente, o risco dos investimentos equivocados são reduzidos além de evitar o retrabalho.

Desing Thinking no Gerenciamento de Projetos

Segundo Perez (2017) um dos grandes desafios do gerenciamento de projetos atual é agregar valor as organizações, pessoas e sociedade de forma simples, fácil e ágil. O DT aparece como ferramenta favorável que reforça a importância de uma visão essencialmente multidisciplinar no gerenciamento de projetos, este que exige a interação de diferentes domínios do conhecimento e pensamento analítico.

Portanto, o DT torna-se vigorosamente aderente ao Gerenciamento de projetos que é a arte e ciência de fazer uma ideia acontecer mobilizando uma equipe por um período, gerando no final processo, produto ou serviço e o DT por sua vez sendo um processo de pensamento típico dos designers na solução de problemas de negócios, gerando novos processos, serviços ou produtos.

Conclusão

Visto a necessidade das organizações de diversos segmentos do mercado a estarem constantemente inovando seus processos e produtos cobiçando a competitividade junto a concorrência, fidelização e aumento do número de  clientes, a metodologia Design Thinking se mostra atraente neste processo, visto sua simplicidade na aplicação, colaboração das equipes, solução criativa para velhos problemas, auxílio no gerenciamento de projetos e potenciais resultados positivos e inovadores.

 

E aí gostou? Deixe então seu comentário ou curtida lá embaixo. Bons estudos!

 

Referências bibliográficas

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CIDREIRA, Lilian. OS BENEFÍCIOS DO DESING THINKING PARA AS EMPRESAS. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/os-beneficios-do-design-thinking-para-as-empresas/109546/&gt; Acesso em: 08 de set. 2018.

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DIAS, Thiago de Napole Arruda. DESTRINCHANDO O DESING THINKING: SUAS VANTAGENS E ETAPAS NA EXECUÇÃO DE UM PROJETO. Disponível em: <https://uvagpclass.wordpress.com/2018/03/29/destrinchando-o-design-thinking-suas-etapas-e-vantagens-na-execucao-de-um-projeto/&gt; Acesso em: 08 de set. 2018.

O QUE É MAPA DE EMPATIA E PARA QUE SERVE? Disponível em: <http://ramonkayo.com/conceitos-e-metodos/o-que-e-mapa-de-empatia-e-para-que-serve&gt; Acesso em 08 de set. 2018.

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PEREZ, Beatriz. DESING THINKING NO GERENCIAMENTO DE PROJETOS. Disponível em: <https://uvagpclass.wordpress.com/2017/03/27/design-thinking-no-gerenciamento-de-projetos/&gt; Acesso em: 08 de set. 2018.

RICARDO, C. Z. B; Nogueira T. F. Design Thinking em Engenharia de Produção: Um estudo de caso em uma lavanderia industrial. 2015. 84f. Projeto de Graduação – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.

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