“De longe, a maior e mais admirável forma de sabedoria é aquela necessária para planejar e embelezar as cidades e comunidades humanas. ” –Sócrates, filosofo e dramaturgo grego, 469-399 a.C.

Venha conhecer um pouco mais sobre o Bus Rapid Transit, uma das obras do legado olímpico na área de mobilidade urbana carioca.

Introdução

Nesse post, abordara o Bus Rapid Transit (BRT), uma das obras do legado olímpico na área de mobilidade urbana carioca além do VLT e da Linha 4 do metrô.

Bus Rapid Transit (BRT) é um sistema de transporte de ônibus de alta qualidade que realiza mobilidade urbana rápida e eficiente e com custo eficiente através da provisão da infraestrutura segregada com prioridade de passagem, operação rápida e frequente e excelência em marketing e serviço ao usuário. (Manual do BRT, 2008)

Segundo o site Global BRTData, atualmente, em média, a quantidade de passageiros que acessam o BRT por dia são 33308057, nas 169 cidades, em todos os continentes, com extensão totalizando 5020 km. O continente que possui a maior abrangência é a América Latina com 20552629 passageiros por dia, destes o Brasil lidera com 10752477 passageiro por dia a seguir vem México (2652204) e em terceiro a Colômbia (3046370), nas 55 cidades a maioria são brasileiras (21) logo atrás tem as cidades mexicanas (11) e colombianas (7), com extensão totalizando 1798 km, destas 755 são brasileiras, 394 são mexicanas e 216 colombianas.

O Manual do Bus Rapid Transit detalha os passos em cinco grandes áreas de planejamento para a realização de um sistema e BRT bem-sucedido. Essas áreas de planejamento incluem: 1. Preparação do projeto, 2. Projeto Operacional, 3. Projeto Físico, 4. Integração, 5. Plano de Negócio e 6. Avaliação e Implementação.(Manual do BRT, 2008, alteração)

Segundo o Manual do BRT, estará exposto a seguir as tarefas de cada área do planejamento do BRT:

I. Preparação do projeto

1. Início do Projeto

2. Tecnologias de transporte públicos

3. Configuração do projeto

4. Análise de demanda

5. Seleção de corredores

6. Comunicações

II. Projeto Operacional

7. Projeto de rede e linhas

8. Capacidade e velocidade do sistema

9. Interseções e controle de semáforos

10. Serviço ao usuário

III. Projeto Físico

11. Infra-estrutura

12. Tecnologia

IV. Integração

13. Integração modal

14. Integração com gerenciamento de demanda e uso do solo

V. Plano de Negócios

15. Estrutura institucional e de negócios

16. Custos operacionais e tarifas

17. Custeio e financiamento

18. Marketing

VI. Avaliação e Implementação

19. Avaliação

20. Plano de Implementação

O objetivo da construção desse post se deve por momento pessoal do autor em ter participado de uma feira exposta a seguir, em 2012 tive a oportunidade de participar de uma feira organizada pela FETRANSPOR tendo como atividades visitas guiadas por uma das estações do BRT TransOeste e o CCO, na época está com estrutura provisória. Nessa visita verifiquei como uma mobilidade urbana enxuta auxilia no transporte da população carioca, pois mostra o quanto eficiente é esse novo meio de transporte construído na cidade, não podemos assim ficar isolado dos outros meios já existentes na cidade.

O BRT é cada vez mais reconhecido como uma das soluções mais eficientes para oferecer serviços de transporte de alta qualidade a custos eficientes em áreas urbanas, tanto nos países desenvolvidos quantidade em países em desenvolvimento. O aumento da popularidade do BRT como solução viável para a mobilidade urbana é enfatizado pelo sucesso de implementação pioneiro em cidades como Curitiba, Bogotá e Brisbane. (Brasil, 2007 apud Daniel Gorni, 2010)

Refere-se ao BRT como solução de melhor custo/benefício para muitas cidades ao redor do mundo. Segundo o autor, BRT tem redefinido o que é possível em termos de transporte público: sistemas com faixas de trânsito segregadas para os ônibus, serviços rápidos e frequentes, rotas e corredores integrados, estações seguras e protegidas, etc. (Wright, 2010 apud Daniel Gorni, 2010)

Segundo o Manual do BRT, um sistema oferecendo serviços exemplares de transporte e abrangendo as características mais críticas de BRT será reconhecido com o status de “BRT completo”. Nesse caso, um “BRT completo” é definido pelos sistemas com no mínimo as seguintes características:

  • Vias segregadas ou faixas exclusivas na maioria da extensão do sistema troncal/ corredores centrais da cidade;
  • Localização das vias de ônibus no canteiro central, em vez de ao lado das calçadas;
  • Cobrança e controle de taifas antes do embarque;
  • Integração física e tarifária entre linhas, corredores e serviços alimentadores;
  • Estações especiais e terminais para facilitar a integração física entre linhas troncais, serviços alimentadores e outros sistemas de transporte em massa (se aplicável).

WhatsApp Image 2018-09-23 at 17.22.52

Figura 1 – O espectro de qualidade dos transportes públicos sobre pneus /  Fonte: Manual do BRT

Segundo o Manual do BRT, se baseado nessa definição estrita, até novembro de 2006, existiam apenas dois verdadeiros sistemas de “BRT completo” no mundo:

  • Bogotá (Colômbia)
  • Curitiba (Brasil)

WhatsApp Image 2018-09-23 at 17.22.49

Figura 2 – Evolução do transporte público / Fonte: Manual do BRT

Também é notável que o “BRT completo” só aconteceu nas duas cidades onde foi possível obter o maior nível de comprometimento político com qualidade dos transportes. (Manual de BRT, 2008).

Diversos sistemas existentes, no entanto, estão bem perto de serem considerados um sistema “BRT completo”. Ao sistema de Goiânia (Brasil) falta-lhe apenas o maior nível de qualidade de um “BRT completo”. Se os sistemas em Brisbane (Austrália) e Ottawa (Canada) implementassem a cobrança externa, então esses sistemas certamente teriam todas as qualidades de um “BRT completo”. (Manual de BRT, 2008)

BRT na Colômbia

A liderança do ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, levou ao desenvolvimento do sistema TransMilenio de Bogotá no final da década de 1990.O sistema de Bogotá provou a aplicabilidade de BRT, até mesmo nos cenários urbanos mais extensos e complexos. (Manual de BRT, 2008)

WhatsApp Image 2018-09-23 at 17.22.45

Figura 3 – Bogotá biarticulado de TransMilenio por la av. Caracas / Fonte: Wikimedia Commons

O sistema TransMilenio de Bogotá ofereceu um dos melhores exemplos de combinação entre competição no setor privado com forte monitoramento público. Nesse caso, há muita competição pelo mercado, mas pouca competição no mercado que possa produzir serviços de baixa qualidade. (Manual de BRT, 2008)

BRT no Brasil

Curitiba (1972), Goiânia (1976), Porto Alegre (1977) e São Paulo (2003) foram as primeiras cidades brasileiras a serem implementadas o sistema BRT. Nesses últimos anos, o Brasil foi escolhido para sediar dois grandes eventos esportivos, Copa do Mundo da FIFA em 2014 e as Olimpíadas de Verão de 2016, com isso tiveram que preparar as cidades para receberem os turistas, para que eles possam se locomover da melhor forma dentro do país.

No Rio de Janeiro, foram implantadas três sistemas de BRT, antes da Copa do Mundo de 2014, BRT TransOeste e BRT TransCarioca e antes da Olimpíada de Verão 2016, BRT TransOlimpica além do VLT na Zona Portuária Carioca e a Linha 4 do metro, que liga a Zona Oeste e a Zona Sul. Esse post abordara essa rede de corredores de ônibus expressos (BRT, na sigla em inglês, ou Transporte Rápido por Ônibus), em ordem de inauguração.

WhatsApp Image 2018-09-23 at 17.22.41

Figura 4 – NovasViasCariocas-TransOeste, TransCarioca e TransOlímpica / Fonte: Wikimedia Commons

O BRT Transoeste (BRT-TO) possui 57 km de extensão, 58 estações, estendendo-se do Terminal Alvorada, no coração da Barra da Tijuca, até o centro do bairro de Santa Cruz, e depois, a Campo Grande, ambos na zona oeste. Foi o primeiro corredor com pista segregada, à maneira BRT, construído na cidade do Rio de Janeiro, e iniciou operação em junho de 2012, com a demanda de 38.462 viagens/dias, alcançando, rapidamente, alguns meses depois, em agosto de 2013, 120mil viagens/dias (SMTR, 2013; ITDP, 2013 apud IZAGA, 2014). O sistema tem capacidade para atender até 230 viagens/dia, a depender da operação e da quantidade de ônibus. Entretanto, a superlotação tem sido uma queixa constante, em especial nos horários de pico, pois, devido ao percurso atravessar áreas de baixa densidade, a maior parte dos trajetos é pendular, entre as localizações extremas da linha, isto é, Barra-Santa Cruz ou Campo Grande. (IZAGA, 2014)

WhatsApp Image 2018-09-23 at 17.22.42

Figura 5 – BRT Transoeste, Terminal Alvorada, Barra de Tijuca, Rio de Janeiro, Brazil / Fonte: Wikimedia Commons

O BRT Transcarioca (BRT-TC) possui 39 km de extensão, ao longo dos quais atravessa os antigos subúrbios cariocas, para ligar o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, ao Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador. Entre as 45 estações previstas, há integração com os trens na estações Madureira e Olaria; com a linha 2 do metrô em Vicente de Carvalho; com linhas alimentadoras na estação Taquara; e com ônibus urbanos em mais outras (Tanque, Madureira, Fundão), além da Taquara. Somente o trecho entre o Terminal Alvorada e o Largo do Tanque, com 13km, está em plena operação até julho 2014, mas com serviços expressos que alcançam o Aeroporto do Galeão. A demanda total prevista, segundo a Secretaria de Transportes, é de 320mil passageiros/dia. (IZAGA, 2014)

O BRT-TC atravessa 21 bairros, onde 8 estão na AP4 (Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Curicica, Taquara, Cidade de Deus, Tanque, Pechincha, Praça Seca) e os demais na AP3 (Campinho, Madureira, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Irajá, Vila da Penha, Penha Circular, Penha, Ramos, Olaria, Maré, Cidade Universitária e Galeão). (IZAGA, 2014)

Ao contrário do corredor BRT-TO, que tem um traçado radial, do centro para a periferia, o trajeto do BRT-TC possui um traçado circunferencial, fechando um arco pelo lado norte do Maciço da Tijuca, entrecortando diversos eixos de circulação e transporte, que irradiam a partir da área central. Com efeito, o trajeto é realizado através de corredores viários, e históricos, da AP4 e da AP3, os quais passaram por desapropriações para permitir o encaixe da nova geometria à largura da via pré-existente. Esse trajeto circunferencial ao Centro não é novo, e consta em vários planos elaborados para a cidade, desde a década de 1960. Do Plano Doxiadis, de 1965, aos planos feitos pelo metrô a partir de 1968, esse trajeto é recorrente, com pequenas variações, como solução articuladora de uma rede de transportes e viária. (IZAGA, 2014)

A TransOlimpica terá duas pistas, com três faixas cada uma, em 23 km de extensão e 18 estações. Ligara a Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes á Magalhães Bastos e Deodoro. Ele fará integração com os corredores TransOeste (na Avenida das Américas); TransCarioca, na Taquara; e TransBrasil, em Magalhães Bastos (MORFOLOGIA URBANA E O SISTEMA BRT NA REDE DE TRANSPORTE REGIONAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, 2015)

A expectativa deste BRT é com seu pleno funcionamento que perpassa 11 regiões, possa transportar 70 mil passageiros por dia, reduzindo em 60% seu tempo de viagem. Diferentemente dos outros BRTs que são conservados sob responsabilidade da Prefeitura,o BRT TransOlimpica é conservado pela ViaRio S.A. (BRT, [201-] apud Silva, 2018).

Considerações Finais

Foi apresentado nesse post um meio de transporte com o menor custo e trazendo bom desempenho e conforto para a população carioca. Com o sistema implantado houve melhoras em todos os sentidos, os usuários conseguiram diminuir o tempo de seu deslocamento e houve uma redução significativa dos automóveis nas pistas, trazendo uma diminuição dos engarrafamentos.

Foi exposto durante o post de forma detalhada o funcionamento da área de planejamento do BRT, apresentando as atividades e suas respectivas tarefas.

Se tiver interesse em saber mais sobre o assunto, acesse em UVAGPCLASS os post dos caros colegas Dayane Geraldes Post: Cidade Olímpica. Um projeto de sucesso para quem?, esse post deixa como reflexão para o leitor para quem foi o sucesso da cidade olímpica e Max Campoli Post: BRT Carioca: eficiente e eficaz?, nesse post é abordado as falhas no BRT TransCarioca população tem conhecimento que essas falhas não fica restrita somente a esse BRT,pois os outros também apresentam essas mesmas falhas.

Referências Bibliográficas

GORNI, Daniel. MODELAGEM PARA OPERAÇÃO DE BUS RAPID TRANSIT. 2011. 113 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Engenharia, Escola Politécnica, São Paulo, 2010. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3138/tde-19012011-103449/pt-br.php&gt;. Acesso em: 11 set. 2018

IZAGA, Fabiana. BRT no Rio de Janeiro – transformações e mobilidade urbana. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO, 3., 2014, São Paulo. BRT no Rio de Janeiro – transformações e mobilidade urbana. São Paulo: Anparq, 2014. p. 1 – 16. Disponível em: ST/ST_IM-001-4_FABIANA.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2018

Marcio Fortes de Almeida. Manual de BRT. [s. L.]: Ministério das Cidades, 2008. Disponível em: <www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSEMOB/Biblioteca/ManualBRT.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2018.

MORFOLOGIA URBANA E O SISTEMA BRT NA REDE DE TRANSPORTE REGIONAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. 2015: Revista Espacios, 2015. Disponível em: <www.revistaespacios.com/a15v36n01/15360111.html>. Acesso em: 01 set. 2018.

SILVA, Amanda Cabral da. Mobilidade turística nos Jogos Olímpicos de Verão Rio 2016. 2018. 188 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Turismo, Escola de Artes, Ciencias e Humanidades, São Paulo, 2017. Disponível em: disponiveis/100/100140/tde-20022018-171450/pt-br.php>. Acesso em: 21 set. 2018.

ITDP. Embarq (Org.). Global BRTData. Disponível em: <https://brtdata.org/&gt;. Acesso em: 05 set. 2018

Geraldes, Dayane. Cidade Olímpica. Um projeto de sucesso para quem?. In: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 04/09/2017. Disponível em: <https://uvagpclass.wordpress.com/2017/09/04/cidade-olimpica-um-projeto-de-sucesso-para-quem/&gt;. acessado em: setembro 2018.

Campoli, Max. BRT Carioca: eficiente e eficaz? . In: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 11/09/2017. Disponível em: <https://uvagpclass.wordpress.com/2017/09/11/brt-carioca-eficiente-e-eficaz/&gt;. acessado em: setembro 2018.

Anúncios