Pensar em gerenciamento de projetos, não é algo novo como conhecimento. Indivíduos de várias épocas e culturas diferentes vêm criando novos produtos/serviços e introduzindo mudanças e inovações em seus processos. Cada uma dessas demandas envolveu uma série de requisitos e obstáculos pela ótica da disciplina. Desde a organização da mão de obra até a originalidade de suas funcionalidades, padrões e técnicas de construção.

Este post relata o desenvolvimento da gestão de projetos ao longo do tempo no Brasil e no mundo, e comenta, também, o cenário atual mundial.

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Figura 1 – Toda idéia surge de uma necessidade – Fonte: https://pixabay.com/pt/pensamento-id%C3%A9ia-inova%C3%A7%C3%A3o-2123970/

COMO TUDO COMEÇOU…

Ao redor de todo o mundo encontramos evidências de que gerenciar projetos não é algo novo (as pirâmides datam de 2.500 AC e as muralhas da China de cerca de 206 AC). Pouco sabemos sobre a prática de projetos nesse período, ainda que registros mostrem, por exemplo, que haviam gestores para cada uma das quatro faces da Grande Pirâmide, responsável por controlar a sua realização e conclusão. (BIGÃO, Moura, s.d.)

Na segunda metade do século XIX, com a Revolução Industrial e o significativo aumento da complexidade dos novos negócios em escala mundial, surgem alguns dos princípios da gestão de projetos. A necessidade de sistematizar e administrar as novas organizações que emergem, bem como de viabilizar a realização dos novos empreendimentos, estimulam o crescimento da área de administração.(BIGÃO, Moura, s.d.)

De um momento para o outro, além das possibilidades de utilizar novos materiais – ferro, vidro, concreto armado – os proprietários de negócios se depararam com a complexa tarefa de organizar a atividade de milhares de trabalhadores, de suprir quantidades inusitadas de ferramentas e matéria prima. Tais esforços foram decisivos para a criação de grupos que buscavam padronização da execução. Nos Estados Unidos, a Central Paci c Railroad 3 foi uma das primeiras grandes organizações a levar tais conceitos à prática, com a construção da estrada de ferro transcontinental por volta de 1870.(BIGÃO, Moura, s.d.)

Já no início do século XX, com a necessidade de maximizar a produção e não precisar utilizar mais trabalhadores ou exigir mais horas de serviço, “Frederick Taylor (1856-1915) aplicou o raciocínio científico para mostrar que o trabalho pode ser analisado e melhorado focando em suas partes elementares” (TORREÃO, 2007), ou seja, quebrou os elementos de um processo para criar as tarefas. Por sua grande contribuição a esta nova abordagem e delimitação de um novo patamar na disciplina de gestão de projetos, Frederick foi considerado o “O pai do gerenciamento científico”, inscrição esta presente em seu túmulo (TORREÃO, 2007).

Outro grande personagem do século XX é Henry Grantt (1861-1919), que criou a técnica de traçar a sequência e a duração das tarefas. Com o seu diagrama ele pode ilustrar o avanço das diferentes etapas de um projeto. O gráfico é utilizado até hoje como parte dos softwares para gerenciamento de projetos (BERNARDO, 2013).

Na segunda revolução industrial com o advento da eletricidade e do motor movido a combustão foram desenvolvidas e aperfeiçoadas novas tecnologias de produção em massa para dar maior controle e organização no gerenciamento de projetos (BERNARDO, 2013).

Já na terceira revolução industrial com o advento dos computadores e nas décadas seguintes a segunda guerra mundial com a criação dos complexos diagramas de rede, chamados de Gráficos de PERT (Program Evaluation and Review Technique) e o método de Caminho Crítico (Critical Path Method – CPM) pelos militares dos EUA, foram introduzidos novos elementos oferecendo aos gerentes maior controle sobre os projetos. Em pouco tempo essas técnicas se espalharam entre as diversas indústrias e organizações, onde o maior controle e gestão tornavam-se algo estratégico (TORREÃO, 2007).

No início da década de 60, o gerenciamento de projetos foi formalizado como ciência. As organizações de diferentes ramos começaram a enxergar o benefício do trabalho organizado com os conhecimentos de projetos e a necessidade da interação de diferentes departamentos e profissões (TORREÃO, 2007). O programa espacial da NASA surgido durante a guerra fria e o programa Apollo são grandes exemplos de uma série de projetos coordenados com uma finalidade específica, que era o de levar o homem a lua ainda naquela década.

Em 1969 na Pensilvânia – EUA surge o PMI (Project Management Institute), onde um grupo de profissionais se reuniu para discutir e compilar as melhores práticas do gerenciamento de projetos. Com a alta especialização e cada vez mais necessidade de métodos e boas práticas, o PMI cresceu de modo que passou a ser a maior organização sem fins lucrativos no campo da ciência do gerenciamento de projetos. Com todas essas demandas não só em compilar boas práticas, mas também atestar pessoas com conhecimento baseados nestas práticas, surgiram o PMBOK [PMI(2017)]e as certificações.

O gerenciamento de projetos assume seus contornos atuais nas décadas seguintes. Ao longo dos 15 anos seguintes (figura 1) embora considerado um processo inovador, o gerenciamento de projetos estava longe de ser considerado essencial para a sobrevivência organizacional. Compartilhando estruturas de suporte similares, os projetos neste período são liderados por um gerente, que promove a integração e comunicação de fluxos de trabalho ao time envolvido. Sua adoção, muitas vezes relutante, seguia percebida como uma ameaça potencial às linhas de autoridade das estruturas organizacionais tradicionais. (BIGÃO, Moura, s.d.)

 

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Figura 2 – Intervenção é a solução. – Fonte: https://pixabay.com/pt/rio-copacabana-praia-f%C3%A9rias-sun-1233361/

E NO BRASIL???

(Sabbag, 2002) No início da década de sessenta, no campo da construção pesada iniciava-se os primeiros usos de metodologia de gerenciamento de projetos no Brasil. A estatal Furnas segundo o autor: “lança o desafio aos brasileiros de conquistar autonomia no projeto, execução e gerenciamento de barragens para a geração de energia
hidrelétrica.” Na mesma época, ainda segundo ao autor, dificuldades de montagem
eletromecânica promoveram o desenvolvimento da abordagem gerencial quando era
executado a primeira linha do metrô paulista.

(Codas, 1987) Relata que durante os anos 70, praticamente todos os cursos e
seminários de gerenciamento vinham sendo ministrados por profissionais estrangeiros;
porém, a partir de 1980, a situação se modifica e surgem vários cursos e seminários
dados por profissionais do país. Diz ainda que os primeiros trabalhos publicados em
português tratavam de gerenciamento da construção e tiveram bastante divulgação no
próprio setor da construção, de onde parece ter vindo as primeiras empresas
especialistas em gerenciamento de projetos, conforme Sabbag (2002), uma pesquisa
realizada em junho de 1996 pelo SINAENCO ­ Sindicato Nacional da Engenharia
Consultiva, que representava cerca de 3000 empresas brasileiras, levantou que cerca de
70 empresas, ou seja 2% do total, informaram praticar o Gerenciamento de Projetos
exclusivamente ou como complemento de suas atividades de Engenharia ou Consultoria.

(Ribeiro, 200­2) Atribui a intervenção do regime militar (figura 2), o fracasso do primeiro
núcleo da divisão(chapter) PMI em São Paulo em 1979, pois não podia haver troca de
informações entre órgãos externos e internos. Em 1998 é implantado definitivamente em
São Paulo o escritório do PMI, sendo realizado neste ano o primeiro exame para certificação. Em 1999 os capítulos do PMI de Minas Gerais e Rio de Janeiro são
criados, seguindo­se depois: Brasília e Paraná em 2001, Amazonas, Bahia, Pernambuco
e Santa catarina em 2003, Ceará, Espirito Santo e Goiás em 2005 e ainda restando os
capítulos de Mato Grosso e Sergipe, cuja data de criação não foi possível
determinar.(PMI­BR,2014)

(Pinho, Lima, 2014) Foi iniciada uma pesquisa em 2003, onde o objetivo era era dar uma perspectiva à comunidade de gerenciamento de projetos brasileira sobre como as organizações vinham utilizando as práticas de gerenciamento de projetos, quais resultados estavam obtendo e as perspectivas para o futuro.Em seu primeiro ano, o estudo contou com a participação de apenas 40 organizações. Ano a ano a iniciativa foi se expandindo, chegando hoje a 460 organizações participando em todo o país. E um dos pontos fundamentais para esse resultado foi que a partir de 2007 o estudo passou a ser uma iniciativa conjunta, realizada pelos treze chapters brasileiros do PMI.
Até 2007, o referido estudo buscava identificar se as organizações haviam implantado escritório de projetos em algumas de suas áreas, por exemplo, Tecnologia da Informação, Logística, Produção, etc, os chamados PMO setoriais. Somente a partir de
2008, com a percepção de que as organizações estavam dando a devida importância
para o PMO como uma ferramenta de nível de estratégico e por esse motivo necessitaria
abranger todos os projetos da organização,

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FIGURA 3 – Atualizar para inovar – Fonte: https://pixabay.com/pt/neg%C3%B3cios-inova%C3%A7%C3%A3o-dinheiro-%C3%ADcone-561388/

ATUALMENTE !

E o que vem por aí? Os desafios estão cada vez maiores, os projetos mais complexos e cada vez mais difíceis de serem gerenciados. As equipes estão mais diversificadas e espalhadas pelo mundo. Sem dúvida, novas técnicas e melhores práticas surgirão à medida os limites avançam e novos desafios devem ser enfrentados. As novas necessidades nos impulsiona para um futuro melhor e com ele virão melhorias na forma como gerimos projetos. Quando e onde esta evolução vai acontecer não sabemos, mas vai acontecer. (BIGÃO, Moura, s.d.)

As organizações sabem que precisam gerenciar projetos para obterem sucesso. O PMI estima que aproximadamente 25% do PIB mundial são gastos em projetos e que cerca de 16,5 milhões de profissionais estão envolvidos diretamente com gerência de projetos no mundo.(TORREÃO, 2007).

CONCLUSÃO

Este post teve como finalidade mostrar o lado histórico do gerenciamento de projetos e o seu impacto na nossa realidade, pois a partir do momento que se compreende o seu surgimento, mais fácil é a sua aplicação, seja no ambiente corporativo, na vida pessoal e até mesmo para por em prática aquela ideia empreendedora.

Para incentivar você a retirar sua ideia do papel, aconselho a leitura dos posts dos meus companheiros de profissão em UVAGPCLASS. São eles, os posts do Matheus Guimarães: 5 Etapas para o Planejamento dos “Seus Sonhos” e da Daniela Sanches: Descubra como a TIR pode ajudar na análise de viabilidade do seu projeto!

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BERNARDO, André. A História do Gerenciamento de Projetos. Responsabilidade do autor do vídeo. YouTube, 2013. Duração: 5min52seg. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=le0GTYjlvl4>. Acesso em: Maio de 2018.

BIGÃO, Fabiana; MOURA, Myrian. Fundamentos de gestão de projetos [ E-book; s.i.: s.n.], s.d.

Codas, Manuel. Gerência de projetos – uma reflexão histórica. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901987000100004> ; Acesso em 18 Maio 2018.

GUIMARÃES, Matheus. 5 Etapas para o planejamento dos “seus sonhos”. In: UVAGPLASS, Rio de Janeiro, 24/05/2018 – Disponível em: https://uvagpclass.wordpress.com/2018/05/24/5-etapas-para-o-planejamento-dos-seus-sonhos/ Acessado em: Maio de 2018

PMI (2017).  PMI – Project Management Institute – Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK), 6º Edição, Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA, 2017.

Ribeiro, José S. A Evolução da Cultura de Gerenciamento de Projetos no Brasil.
IETEC,200­?,Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1033&gt;. Acesso em: 24
de maio de 2018.

SABBAG, Paulo Yazigi. Incerteza e riscos: o trabalho de gerenciadores de projetos. São
Paulo: EAESP/FGV, Tese de Doutorado apresentada ao Curso de Pós­Graduação da
EAESP/FGV, 2002.

SANCHES, Daniela. descubra como a TIR pode ajudar na análise de viabilidade do seu projeto. In: UVAGPLASS, Rio de Janeiro, 21/05/2018 – Disponível em: https://uvagpclass.wordpress.com/2018/05/21/descubra-como-a-tir-pode-ajudar-na-analise-de-viabilidade-do-seu-projeto/ Acessado em: Maio de 2018

Torreão, Paula. História do Gerenciamento de Projetos. Disponível em : <https://pontogp.wordpress.com/2007/04/23/historia-do-gerenciamento-de-projetos/> ; Acesso em 18 de maio de 2018

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