Você sabe o que é CEP? Sabe pra que serve? De acordo com Shewart, o controle estatístico do processo (CEP), é uma ferramenta que tem por finalidade desenvolver e aplicar métodos estatísticos como parte de nossa estratégia para prevenção de defeitos, melhoria da qualidade de produtos e serviços e redução de custos. A seguir  apresentamos alguns conceitos e definições importantes para o melhor entendimento desse tema.

As fases do ciclo de vida de projetos são definidas pela organização ou pelo gerente de projetos — conforme aspectos específicos da organização, do setor ou da tecnologia empregada. No entanto, é possível mapear os projetos por fases genéricas, comuns a todos os ciclos de vida (ESPINHA, 2017).

Toda organização enfrenta a difícil tarefa de executar projetos que atendam ou superem as expectativas de seus clientes. No entanto, Segundo CONFORTE (2018), para que o gerenciamento de projetos possa ser bem executado, todo projeto precisa ter seu ciclo de vida bem definido, porem nem todos os projetos são bem planejados, ou bem executados, e por isso muitos não completam todas as suas fases. Globalmente, inúmeros projetos são mal sucedidos e concluídos fora do orçamento e prazos estabelecidos. Eles não cumprem as normas de qualidade e os requisitos esperados pelo cliente. Uma das causas para o seu fracasso pode ser atribuído a processos desalinhados e ineficientes resultantes de uma combinação de problemas, tais como uma gestão do projeto debilitada, estimativa de custos pobres, mal planejamento e programação, gerenciamento de requisitos inadequado, planejamento de contingência inapropriado, bem como muitos outros.

Em busca pela perfeição e para alcançar seus objetivos, um grande número de organizações tem adotado e implementado varias metodologias de melhoria de qualidade, tais como Gerenciamento da Qualidade Total (GQT), Controle de Qualidade Total (CQT), Controle Estatístico de Processo (CEP) e Seis Sigma em todos os departamentos funcionais dentro da empresa. Neste post iremos destrinchar e explicar melhor o CEP, suas aplicações. ferramentas e benefícios de utilização (SHROTRIYA 2009).

De acordo com Taguchi, um produto ou serviço de qualidade é aquele que atende perfeitamente às especificações, atingindo o valor alvo com a menor variabilidade possível em torno dele. Cada produto possui um número de elementos que, em conjunto, descrevem sua adequação ao uso. Esses elementos são freqüentemente chamados de características da qualidade ou indicadores de desempenho.

O controle estatístico do processo é um sistema de inspeção por amostragem, operando ao longo do processo com o objetivo de verificar a presença de causas especiais, ou seja, causas que não são naturais ao processo e que podem prejudicar a qualidade do produto.

Uma vez identificadas as causas, pode-se atuar diretamente sobre elas, melhorando continuamente os processos de produção e a qualidade do produto final. Além disso, vale ressaltar a importância de se detectar os defeitos o mais cedo possível, dessa forma, evita-se a adição de matéria prima e mão de obra a um produto defeituoso.

O CEP fornece uma radiografia do processo, identificando sua variabilidade e possibilitando o controle dessa variabilidade ao longo do tempo através da coleta de dados continuada, análise e bloqueio de possíveis causas especiais que estejam tornando o sistema instável.

O processo

Entende-se como processo a combinação entre fornecedores, produtores, pessoas, equipamentos, materiais de entrada, métodos e meio ambiente que trabalham juntos para produzir o resultado. E os clientes correspondem aos elementos que utilizam esse resultado.

WhatsApp Image 2018-05-17 at 21.27.34Figura 1  Sistema de controle do processo. / Fonte: http://www.portalaction.com.br/controle-estatistico-do-processo/introducao

Informações sobre o desempenho

As informações sobre o desempenho de um processo são obtidas a partir do estudo cruzado dos seguintes itens:

  1.  Qualidade das características do produto final;
  2.  Qualidade das características intermediárias;
  3.  Ajuste dos parâmetros do processo.

As informações sobre o processo são proveitosas desde que forneçam dados que contribuam para ações de melhoria. Caso não exista pretensão em agir sobre o processo, coletar informações se torna irrelevante.

Ações sobre o processo

Uma ação sobre o processo se torna mais econômica quando realizada para prevenir que as características importantes (do processo ou do produto) variem muito em relação aos seus valores-alvo. Tal ação pode consistir em:

  • Mudanças nas operações
    • Treinamento para os operadores;
    • Mudanças nos materiais que entram.
  • Mudanças nos elementos mais básicos do processo
    • Equipamento;
    • Comunicação entre as pessoas;
    • O projeto do processo como um todo.

Ações sobre o produto final

As inspeções sobre o produto final são orientadas para o passado, pois elas permitem separar o produto conforme do produto não-conforme (refugo) que pode, eventualmente, ser retrabalhado. As inspeções têm certas vantagens pois impedem que produtos defeituosos cheguem ao cliente final. Agir sobre o processo é mais eficaz, pois impede que novas peças defeituosas sejam produzidas.

Ferramentas utilizadas

O conjunto de ferramentas do CEP monitora a qualidade em tempo real, permitindo uma descrição detalhada do comportamento do processo e seu controle ao longo do tempo, através de uma coleta contínua de dados e de análises das possíveis causas responsáveis pelas instabilidades.

As principais ferramentas utilizadas são: histograma; folha de controle; gráfico de Pareto; diagrama de causa e efeito (Ishikawa); diagrama de concentração de defeitos; diagrama de dispersão e gráfico de controle.

O gráfico de controle é a principal ferramenta do CEP e objetiva verificar se o processo apresenta um desempenho estável ou previsível, ou seja, identifica desvios de parâmetros representativos do processo por meio de medições de variáveis de interesse em pontos espaçados no tempo. Assim, permite a investigação detalhada dos pontos críticos de controle, identificando possíveis não conformidades e sinalizando suas possíveis fontes.

A Figura 2 representa um exemplo de gráfico de controle, composto por uma linha central, um par de limites de controle (superior e inferior) e valores característicos que representam o estado de um processo. Dessa forma, se todos os valores estiverem dentro dos limites de controle de modo aleatório, sem apresentar tendências, o processo é considerado sob controle. Porém, caso os pontos incidam fora desses limites, o processo é considerado como fora de controle e ações devem ser tomadas para tornar o processo estável.

WhatsApp Image 2018-05-17 at 21.27.37Figura 2 – Exemplo de Gráfico de Controle.  / Fonte: http://nortegubisian.com.br/blog/cep-controle-estatistico-do-processo

Etapas e implantação

MORETTI (2016) destaca abaixo as etapas de implantação do CEP:

  1. Definição dos processos nos quais o gráfico de controle deve ser implantado: Inicialmente é preciso identificar os processos críticos para a qualidade e produtividade da empresa, considerando o ponto de vista do cliente. Para tal, pode-se utilizar ferramentas de mapeamento: fluxograma e SIPOC e folha de verificação como auxílio. Assim, devem ser escolhidos os processos que apresentam maior instabilidade ou maior incidência de não conformidade;
  2. Determinação das características que devem ser controladas e escolha do gráfico de controle mais apropriado: Por meio de dados históricos dos processos e da utilização de ferramentas como o diagrama de Pareto, diagrama de causa e efeito e FMEA, deve-se identificar as especificações ou propriedades que mais impactam na variabilidade do processo. Desse modo, é possível determinar as especificações críticas que devem ser consideradas na implantação do CEP, levando em consideração o ponto de vista do cliente. Após definidas as características a serem controladas, é possível determinar qual o gráfico de controle mais apropriado para monitorá-las;
  3. Análise da performance dos sistemas de medição: Os sistemas de medição dos processos identificam o grau de confiabilidade desses, além de auxiliar na preposição de melhorias. Tal análise pode ser feita por meio de M.S.A (Measurement Systems Analysis), uma metodologia estatística desenvolvida para analisar o comportamento do sistema de medição, ou seja, verificar sua adequação à dimensão ou característica a ser medida. Dessa forma, os sistemas são avaliados quanto a: estabilidade; tendência; linearidade; repetitividade e reprodutibilidade, por meio de Estudo de R&R;
  4. Planejamento da construção dos gráficos de controle, definição dos limites de controle e planejamento da avaliação dos índices de estabilidade: Após a definição dos gráficos de controle mais apropriados e da adequação dos sistemas de medição dos processos, deve-se iniciar a coleta de dados a serem utilizados no CEP e definir a frequência de amostragem e o período da coleta. Assim, é possível plotar os dados no gráfico e analisá-los para calcular e definir os limites de controle (superior e inferior) do processo. É importante ressaltar que os limites devem ser calculados, desconsiderando causas especiais de variabilidade do processo, ou seja, o processo deve estar estável. Deve-se, também, planejar a constante avaliação dos índices de estabilidade, visando tomar ações caso o processo sofra alguma alteração e identificar a necessidade de recalcular os limites;
  5. Implantação do controle estatístico de processos em conjunto com um sistema gerencial voltado para melhoria contínua: Com o conhecimento sobre o processo, sua estabilidade e realizado os ajustes necessários, pode-se implantar o controle estatístico de processos, considerando que, para sua eficácia, é preciso estabelecer um gerenciamento voltado para melhoria contínua na organização. Desse modo, é essencial que durante todo o processo de implantação, sejam realizados treinamentos com os envolvidos;
  6. Avaliação da capacidade dos processos: Deve-se avaliar se o processo estável é capaz de atender as especificações das características da qualidade que são relevantes para o cliente, visando a obtenção de resultados adequados, com o mínimo possível de retrabalho e refugo. Tal avaliação pode ser feita pelo cálculo dos índices de Cp e CPk e por meio da comparação do histograma (dispersão da variação do processo) com a extensão dos limites de controle;
  7. Monitoramento dos processos: Sustentado pelo conceito de melhoria contínua, os processos devem ser constantemente monitorados por meio de coleta de dados e da utilização das ferramentas do CEP, para que seja possível identificar o que está impactando o processo, as oportunidades de melhoria e as ações a serem tomadas;
  8. Execução de ações para promover a melhoria dos processos: Atuando dessa maneira, é possível identificar as causas das instabilidades ou variações que estão impactando o processo, as oportunidades de melhoria e as ações a serem tomadas para melhorar esses processos, os envolvidos devem utilizar ferramentas como: brainstorming, diagrama de causa e efeito, Matriz de Priorização, DOE (Design of Experiments), entre outras. Tais ferramentas auxiliam, portanto, na definição dos planos de ações corretivas ou preventivas a serem executados, visando:
    • Prevenir a ocorrência de causas especiais, por meio de planos de ação de contingência para caso elas ocorram;
    • Reduzir as variações geradas pelas causas comuns.

Benefícios da implantação do CEP

De acordo com MORETTI (2016), abaixo temos os benefícios decorrentes da implantação do CEP:

  • Detecção rápida de alterações nos parâmetros de determinados processos, permitindo tomada de ação ágil para correção das instabilidades;
  • Redução de custos de produção e da má qualidade, por meio da minimização ou eliminação de perdas e retrabalhos;
  • Redução da variabilidade do processo, permitindo maior conhecimento sobre o processo e, consequentemente, sua manutenção em estado de controle estatístico;
  • Aumento da qualidade intrínseca, da produtividade, da confiabilidade e da capacidade do processo;
  • Permite um controle eficaz da qualidade em tempo real, aumentando o comprometimento dos envolvidos com a qualidade do que está sendo produzido;
  • Utiliza ferramentas simples de serem elaboradas que: podem ser usadas para monitorar e avaliar quase todos os tipos de dados; proporcionam uma linguagem comum; podem ser de responsabilidade do próprio executor envolvido no processo;
  • Proporciona profundas mudanças culturais benéficas para a empresa, por meio da melhoria contínua dos processos e da implantação de métodos preventivos.

Conclusão

Diante do exposto até aqui, vale a pena ressaltar que a finalidade do controle estatístico do processo é de que tudo que envolva a produção seja aperfeiçoado com a menor variabilidade possível e possa propiciar níveis satisfatórios no setor de qualidade das empresas. Outro fator que merece ser destacado é que quando mencionamos melhores processos, estamos não somente abordando qualidade, como também a redução de custos em vários segmentos das organizações. Para implementar melhorias no processo de produção, causas comuns e especiais devem ser identificadas e o processo deve ser alterado para que conforme mais dados sejam coletados, as informações sejam interpretadas e usadas como base para a ação no gerenciamento da qualidade.

Portanto, após conhecer todas as particularidades e especificidades do CEP pode-se compreender com clareza sua importância e seus benefícios para o gerenciamento de projetos.

Além de tudo que já foi apresentado até aqui, mais informações sobre o tema podem ser encontradas nesse post: Controle Estatístico de Processos (CEP)

 

Referências Bibliográficas:

CARVALHO, Lindary.; CORREIA, Danubia.; FERNANDES, Ana Paula. O uso do controle estatístico de processo na gestão da qualidade. Estudo de caso: Indústria Alimentícia localizada em Maceió-AL.  Disponível em: <http://www.inovarse.org/sites/default/files/T16_338.pdf&gt; Acessado em: 22 maio 2018

CONFORTE, Rafael. Qual a Importância do Gerenciamento de Projetos. in: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 23/03/2018. Disponível em:<https://uvagpclass.wordpress.com/2018/03/23/qual-a-importancia-do-gerenciamento-de-projetos/&gt;. Acessado em: 22 maio 2018.

ESPINHA, Roberto – Ciclo de Vida de Projetos – Disponível em: <http://artia.com/blog/ciclo-de-vida-de-projetos/. Acessado em 22 de maio 2018.

FERREIRA, Bruna. Controle Estatístico de Processos (CEP). in: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 20/11/2017. Disponível em:<https://uvagpclass.wordpress.com/2017/11/20/controle-estatistico-de-processos-cep/&gt;. Acessado em: 22 maio 2018.

MAESTRELLI, Nelson. Controle Estatístico do Processo.  Disponível em: <https://www.manufaturaemfoco.com.br/controle-estatistico-do-processo/&gt;. Acessado em: 18 abr 2018.

MORETTI, Diego. Controle Estatístico do Processo (CEP).  Disponível em: <http://nortegubisian.com.br/blog/cep-controle-estatistico-do-processo/&gt;. Acessado em: 17 maio 2018.

RIBEIRO, J.; Caten, C. Controle Estatístico do Processo.  Disponível em: <http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/disciplinas/388_apostilacep_2012.pdf&gt;. Acessado em: 17 maio 2018.

RIBEIRO, Wagner. Controle Estatístico do Processo.  Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/controle-estatistico-de-processos/50827/&gt;. Acessado em: 17 maio 2018.

SHROTRIYA, Shobhit. O Impacto da Qualidade no Gerenciamento de
Projetos, PMI. Disponível em: <https://brasil.pmi.org/brazil/KnowledgeCenter/Articles/~/media/6C7DED441D3043FFA409AB586BB9CD36.ashx&gt;. Acessado em: 17 maio 2018.

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