Em projetos, recursos financeiros são cruciais para sua concretização por este motivo precede-se a meios que possibilitem antever as contribuições do investimento para o desempenho do negócio através de métodos e técnicas que proporcionem estimativas alcançáveis e confiáveis visando mitigar riscos. Mas quais as ferramentas temos disponíveis para avaliar a viabilidade econômica de um projeto? Apresento-lhes o Payback cuja praticidade e fácil compreensão irão contribuir significativamente para auxiliá-lo a descomplicar este processo decisório.

Ao nos defrontarmos com decisões gerenciais é imprescindível identificar dentre as alternativas existentes aquelas passíveis de proporcionar melhores resultados segundo os interesses organizacionais. Antes de todas as etapas operacionais de um projeto serem de fato iniciadas no que concerne ao produto/serviço a ser entregue, é fundamental verificar a sua viabilidade, ou seja, dentro de distintos aspectos se o projeto é realizável considerando tanto as expectativas do cliente quanto da organização.

“É preciso fazer as devidas ponderações, considerando além dos aspectos técnicos de cada empresa, referentes à sua atividade econômica, ao seu setor e à sua estratégia – os aspectos financeiros, de custo de oportunidade, de payback, de taxas de retorno, de viabilidade econômica, entre outros tantos elementos”. (FERREIRA, 2017, p. 17)

Dentre todos os recursos necessários, os financeiros são essenciais a consolidação do projeto pois é a partir deles que serão viabilizadas as condições necessárias a sua execução em termos de custos. Neste aspecto, há uma figura de relevância significativa: o patrocinador.

Segundo (Carvalho e Rabecchini Jr, 2015, p. 382) ” A interconexão com os patrocinadores, figura central do projeto (stakeholders primários), deve proporcionar um ambiente adequado para que o gerente de projeto consiga atingir os resultados esperados. Na verdade, são eles que vão prover os recursos ao projeto“.

Sua contribuição é tão importante que as chances de sucesso de um projeto estão diretamente associadas ao seu engajamento ao longo do mesmo, segundo publicação realizada pelo (Project Management Institute, 2018) “41% das organizações de “baixo desempenho” dizem que o apoio inadequado do patrocinador é uma causa principal dos seus projetos fracassados”.

Ora, se investimentos são fundamentais a realização de um projeto, de que maneira o patrocinador é capaz de avaliar quantitativamente o quanto este poderá ser rentável para a organização?

Partindo da afirmação de Júnior (2012, p. 76) ressaltando que “o ato de investir não se faz de modo irresponsável ou desprovido de técnica” denota a importância dos métodos de viabilidade econômica para garantir a seleção de alternativas que demonstrem maior capacidade de retorno pois conforme Júnior (2012, p. 144) “os investidores do projeto sempre anseiam por algum retorno, seja ele econômico ou não” e complementa “a prudência nesses casos evita perda de lucratividade e eventual desmoralização da organização, diante de seus investidores e clientes”.

Quantos aos mecanismos existentes, o Payback é um dos métodos mais conhecidos por sua característica simplista e consiste em um cálculo baseado no fluxo de caixa, ou seja, nas entradas e saídas de caixa decorrentes do fato de o projeto ser implementado visando estimar o período de tempo necessário para retorno do investimento realizado. Podemos defini-lo ainda como “um indicador que apresenta o espaço de tempo necessário para que um investimento se pague, ou seja, para que um valor investido seja integralmente recuperado”. (FREZZATI, 2008, p. 63)

Resumindo, é um método que permite avaliar a viabilidade econômica de um projeto considerando um padrão de tempo de retorno desejado pela organização visando benefícios aos negócios.

Divide-se em duas classificações:

Payback Simples

Os valores utilizados são nominais, ou seja, desconsidera-se o valor do dinheiro no tempo. A partir do fluxo negativo correspondente ao investimento realizado, somam-se o fluxos positivos (ou negativos) das entradas de caixa na medida em que o projeto começa a obter resultados.

Quando o saldo acumulado, ou seja, a soma do fluxo de caixa do período a ser considerado com o valor acumulado do período anterior for positivo, encontra-se o período de Payback.

WhatsApp Image 2018-05-18 at 15.46.43

Figura 1 – Aplicação do cálculo de Payback Simples / Fonte: (Frezzati, 2018)

Vantagens:

  1. Rapidez: eliminando-se a necessidade de atualização de valores através de uma taxa de juros, o cálculo é realizado com praticidade;
  2. É utilizado como um indicador de risco do investimento, segundo (Bischoff, 2013 apud Ferreira, 2017) “quanto maior o prazo de retorno do investimento, maior exposição ao risco”.

Quanto as desvantagens, explicito aquelas evidenciadas no post da colega Natalia Saloio Felipe também disponível em UVAGP Class: Análise de Viabilidade – Payback

  • Não leva em consideração o valor do dinheiro no tempo;
  • Não leva em conta a distribuição do fluxo de caixa dentro do período de recuperação do investimento;
  • Não considera os fluxos de caixa após o período de recuperação. Isso pode levar a rejeição de projetos longos e melhor rentabilidade;
  • Não pode ser comparado com um padrão de rentabilidade, como custo de capital.

Antes de prosseguir com a segunda variação deste método, é importante ressaltar que a definição do período máximo aceitável para recuperação de um investimento envolve certa subjetividade, tornando-se essencial utilizar alguns critérios conforme (Frezzati, 2008, p. 74-75) cita:

  • Vida útil dos ativos: não é lógico aceitar um período de recuperação de cinco anos para um projeto em que os ativos tenha vida útil de três, por exemplo;
  • Grau de intensidade da demanda por caixa: em situações em que a instituição tenha muita pressão por entradas de caixa, poderá haver a tendência de reduzir os prazos aceitáveis, o que pode implicar em gerar distorções estratégicas, dados os componentes financeiros.

Payback descontado

Esta variação segue a mesma lógica do anterior, entretanto, considera os custos de capital e os valores são reais, ou seja, o valor do dinheiro no tempo é incorporado minimizando a imprecisão do anterior.

WhatsApp Image 2018-05-18 at 15.46.39

Figura 2 – Fórmula do valor presente / Fonte: Google Imagens

Portanto, conforme explicado pela colega Bianca Elias Alves em “A Importância da Análise de Viabilidade de um Projeto com a Ferramenta Payback” publicado em nosso blog UVAGP Class “para “descontar” e “trazer” a valor presente os valores do fluxo de caixa é considerada uma taxa mínima de retorno aceitável pelo investidor conhecida como TMA ou Taxa Mínima de Atratividade”.

Para a fórmula anterior utilizam-se os seguintes termos:

FV = Valor futuro do fluxo de caixa
i = TMA
n = número de anos

Para o mesmo projeto anterior, se considerarmos uma taxa mínima de 23,4% ao ano, tanto as entradas quanto o fluxo acumulado de caixa se alteram, impactando diretamente no período de payback calculado sendo este 3 anos e não 2, como encontrado no primeiro.

WhatsApp Image 2018-05-18 at 15.46.47

Figura 3 – Aplicação do cálculo de Payback Descontado / Fonte: (Frezzati, 2018)

Desta maneira, pode-se inferir que embora este método seja mais preciso, segundo (Frezatti, 2018, p. 77) “apresenta um aspecto desfavorável em decorrência do fato de o método não capturar impacto além do prazo de payback. Como consequência, o método se presta a ser auxiliar, utilizado adicionalmente para análise de projetos”.

Comparando-se as variações existentes do mesmo método, verifica-se que o segundo denota maior confiabilidade visto a incorporação do custo de capital, sendo o primeiro de pouca contribuição para tomada de decisão justamente por seu caráter simplista.

Ficará a caráter do patrocinador identificar quais os mecanismos utilizará para assegurar a escolha mais adequada dentro de suas perspectivas estratégicas, porém, o Payback enquanto método não é suficiente, sendo necessário complementá-lo a outros existentes tais como Valor Presente Líquido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR), visto que, inicialmente são adotadas premissas no Gerenciamento de Projetos que definirão a existência de incertezas cujos riscos deverão ser minimizados, sendo este método um facilitador na avaliação dos mesmos.

Agora que você já sabe o que é e como funciona o payback, compartilhe nos comentários a sua experiência com o método e, se quiser ampliar o seu conhecimento, acesse os trabalhos das colegas presentes neste blog: Análise de Viabilidade – Payback, neste primeiro a colega Natalia Felipe ressalta com detalhes as vantagens e desvantagens do mesmo elucidando a contribuição do método enquanto indicador de risco. Sob outra perspectiva, Bianca Alves aprofunda a realização dos cálculos incorporando a forma como seus resultados podem ser utilizados para tomada de decisão em A Importância da Análise de Viabilidade de um projeto com a Ferramenta Payback.

Referências bibliográficas:

ALVES, Bianca. A Importância da Análise de Viabilidade de um Projeto com a Ferramenta PAYBACK. In: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 04/06/2017. Disponível em: <https://uvagpclass.wordpress.com/2017/06/04/a-importancia-da-analise-de-viabilidade-de-um-projeto-com-a-ferramenta-payback/&gt;. Acesso em: maio/2018.

CARVALHO, M. M.; JÚNIOR, R. R. Fundamentos em Gestão de Projetos. São Paulo: Atlas, 2015.

FELIPE, Natalia. Análise de Viabilidade – Payback. In: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 25/11/2017. Disponível em: <https://uvagpclass.wordpress.com/2017/11/25/analise-de-viabilidade-payback/&gt;. Acesso em: maio/2018.

FERREIRA, M. Engenharia Econômica Descomplicada. Curitiba: Intersaberes, 2017.

FREZATTI, F. Gestão da Viabilidade Econômico-Financeira dos Projetos de Investimentos. São Paulo: Atlas, 2008.

JÚNIOR, M. R. C. Gestão de Projetos: da academia à sociedade. Curitiba: Intersaberes, 2012.

Project Management Institute – The pulse of the Profession 2018 – Disponível em <https://www.pmi.org/learning/thought-leadership/pulse/pulse-of-the-profession-2018&gt; (Acesso em maio/2018).

Anúncios