Redes de Petri? Nunca leu ou ouviu falar sobre essa tal rede? Como isso tem a ver com gerenciamento de projetos? Quem foi Petri? ou Quem é Petri? Ou talvez onde fica Petri?

Gerenciar projetos não é uma tarefa fácil de realizar, devemos atentar a fatores importantes para que o nosso projeto caminhe para o sucesso, seguindo o cronograma, os prazos de entrega, custos e o escopo. De forma que os objetivos sejam alcançados. Mas muitas das vezes, mesmo com todo o empenho de uma equipe (stakeholders) e o bom direcionamento de um gerente de projetos. O mesmo apresenta um nível de complexidade elevado. Para isso, lançamos mão do uso de ferramentas de auxílio.

Nesse post, discutiremos os conceitos de uma ferramenta utilizada para a modelagem de sistemas matemáticos complexos, da qual sua implementação surgiu na área da computação. Falaremos de sua origen, aplicações, como a ferramenta funciona e a exemplificação. Observaremos como pode ser aplicado os seus conceitos ao gerenciamento de um projeto.

Quem inventou:

Carl Adam Petri (Leipzig, 12 de junho de 1926 — Siegburg, 2 de julho de 2010) foi um matemático e cientista de computação da Alemanha. Trabalhou de 1959 a 1962 na Universidade de Bonn e concluiu seu doutorado em 1962 pela Universidade Técnica de Darmstadt. Em 1939, com treze anos, inventou as redes de Petri para descrever processos químicos. Em 1988, tornou-se professor honorário da universidade de Hamburgo, e aposentou-se oficialmente em 1991. Foi fundador de um dos primeiros Institutos GMD. Apresentou o foco no campo de estudo de modelagem de processos e redes de Petri.

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Figura 1: Carl Adam Petri / Fonte: https://alchetron.com/Carl-Adam-Petri

 

Honras e prêmios:

  • Cruz de Honra de 1988 Primeira Classe da República Federal da Alemanha
  • 1988 Honoraryprofessor na Universidade de Hamburgo
  • 1989 Membro da Academia Europaea
  • 1993 Medalha Konrad-Zuse da Sociedade Alemã de Informática (GI) para especular méritos em Informática
  • 1997 Werner-von-Siemens-Ring por conquistas em Tecnologia e Ciência
  • 1997 Membro da Academia de Ciências de Nova York
  • 1999 Doutorado Honorário U. de Zaragoza
  • Comandante de 2003 em Orde van de Nederlandse Leeuw
  • Medalha de Ouro de Honra de 2007 da Academia de Aprendizagem Transdisciplinar e Estudos Avançados
  • Prêmio IEEE Computer Pioneer 2009
  • Medalha de Ouro de 2010 da Sociedade de Engenharia de Software (SES) pela conquista transformadora

Quando surgiu:

Documentou a invenção em 1962 como parte de sua dissertação, Kommunikation mit Automaten (Comunicação com Autômata).  Sua obra permitiu avanço significativo nos campos de computação paralela e distribuída, ajudando a definir os estudos modernos de sistemas complexos e do gerenciamento de fluxo de trabalho.

Aplicação da Ferramenta:

A aplicabilidade das redes de Petri como ferramenta para estudo de sistemas é importante por permitir representação matemática, análise dos modelos e fornecer informações úteis sobre a estrutura e o comportamento dinâmico dos sistemas modelados. Admitindo alteração, as aplicações das redes de Petri podem se dar em muitas áreas diferentes (sistemas de manufatura, desenvolvimento de software, sistemas administrativos, etc.). A figura 2 mostra como pode ser a representação de uma rede de Petri, com os respectivos arcos, informações, lugares e transições.

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Firura 2: Exemplo de Rede de Petri / Fonte: https://wiki.eclipse.org/VIATRA2/Activity_Diagrams_to_Petri_Nets

O desenvolvimento e aprimoramento da teoria pode ser observado na leitura do post: Redes de Petri

Descrição da Ferramenta:

De acordo com Murata (1989), as redes de Petri são formadas por dois tipos de componentes: a transição, componente ativo correspondente a alguma ação realizada dentro do sistema, e o lugar, passivo e relacionado a alguma variável de estado do sistema. A realização das ações está associada a pré-condições ou condições das variáveis de estado do sistema, isto é, uma relação entre lugares e transições, a qual possibilita realizar determinada ação. Da mesma forma, após realizar uma ação, as informações de alguns lugares (pós-condições) são alteradas. Graficamente, lugares são representados por círculos e transições, por traços ou barras lugares e transições são vértices do grafo associado às redes de Petri e interligam-se por arcos direcionados. Arcos que ligam lugares a transições representam relações entre condições verdadeiras e possibilitam que, em algum momento, ações sejam executadas dentro do sistema. Arcos que ligam transições a lugares representam relações entre ações e condições que se tornam verdadeiras com a execução das ações. A figura 3 mostra as simbologias basicas da rede de Petri.
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Figura 3: Representação dos grafos da rede de Petri / Fonte: https://www.researchgate.net/publication/237581592_O_POTENCIAL_DAS_REDES_DE_PETRI_EM_MODELAGEM_E_ANALISE_DE_PROCESSOS

Exemplo de utilização:

Aalst & Hee (2002) apresentam um exemplo de especificação do processo de gerenciamento de reclamações usando redes de Petri. A entrada da primeira reclamação é registrada e o cliente que reclamou e o departamento afetado pela reclamação são informados. O departamento, informado da reclamação, pode ser questionado e o cliente é consultado para fornecer mais informações. Essas duas tarefas podem acontecer simultaneamente (em paralelo) ou, ainda, em qualquer ordem. Depois, os dados são reunidos e a decisão, que pode ser um pagamento ou o envio de uma carta, é tomada. A Figura 4 mostra como representar esse processo com redes de Petri.

WhatsApp Image 2018-05-04 at 09.43.44Figura 4: O processo de gerenciar reclamação modelado em rede de Petri / Fonte: Aalst & Hee (2002, p.50).

Cada uma das tarefas (registrar, informar cliente, informar departamento, pagar e arquivar) é modelada utilizando uma transição. A modelagem da avaliação da reclamação utiliza duas transições, positiva e negativa, que correspondem, respectivamente, a uma decisão positiva e outra negativa. Os lugares início e fim correspondem ao início e ao fim do processo. Os outros lugares correspondem às condições. Estas asseguram que as tarefas prossigam na ordem correta e que o estado do caso possa ser estabelecido. O lugar c8, por exemplo, assegura que a reclamação seja arquivada apenas quando estiver completamente resolvida.

Outro exemplo interessante da rede de Petri, com uma aplicação voltada para uma atividade do cotidiano pode ser encontrada no post: REDES DE PETRI: Aplicando em rotina diária

Conclusão:

A utilização de um processo em sistema de gerenciamento de processos de negócio indica a necessidade de gerenciamento em alguma categoria particular. Tal processo define quais tarefas precisam ser executadas. A existência de informações sobre as tarefas a serem realizadas e sobre as condições dos processos é importante. Dessa forma, define-se a ordem na qual as tarefas precisam ser executadas. Um grande processo pode consistir em subprocessos, tarefas e condições.

Como é de nosso conhecimento, um projeto é composto por atividades sequenciadas das quais precisam ser desempenhadas em uma ordem, e que produza resultados que necessitam ser entregues conforme o cronograma do projeto. Logo, podemos aplicar as redes de Petri para modelar e gerenciar os fluxos de trabalhos das referidas atividades. Com o objetivo de manter os prazos de entrega do projeto e o controle dos custos.

Com as definições e o entendimento do conceito e a aplicabilidade da rede de Petri, fica evidente a possível utilização dessa ferramenta para o gerenciamento das tarefas do ciclo de vida de um projeto.

Referências Bibliográficas:

LARANJEIRAS, Yasmin. Redes de Petri. in: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 24/05/2017. Disponível em <https://uvagpclass.wordpress.com/2017/05/24/redes-de-petri/&gt;. Acessado em: maio 2018
MURATA, T. Petri net: properties, analysis and applications. Proceedings of the IEEE, v. 77, n. 4, p. 541-579, 1989. – Disponível em <https://gear.kku.ac.th/~watis/courses/188721/Murata-PetriNet.pdf&gt; ; Acessado em Maio de 2018
O potencial das redes de Petri em modelagem e análise de processos. – Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/237581592_O_POTENCIAL_DAS_REDES_DE_PETRI_EM_MODELAGEM_E_ANALISE_DE_PROCESSOS&gt;; Acessado em Maio de 2018.
O potencial das redes de Petri em modelagem e ánalise de processos de negócio. – Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2004000100010&gt; ; Acessado em Maio de 2018.

PEXIOLINI, Diego. Redes de Petri: Aplicando em rotina diária. in: UVAGPCLASS, Rio de Janeiro, 25/11/2017. Disponível em:<https://uvagpclass.wordpress.com/2017/11/25/redes-de-petri-aplicando-em-rotina-diaria/&gt;. Acessado em: maio 2018.

WIKIPEDIO – https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Adam_Petri ; Acessado em Maio de 2018.

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