Correr risco é normal, todos estamos sujeito a isso. Correr do risco que não é normal! Precisamos identificá-los, estudá-los, desenvolver respostas para esses riscos, além de ficarmos de olho em tudo o que se passa, observando cada detalhe do projeto…

Complicado, não é? Mas necessário! E você, está disposto a enfrentar essa batalha?

Vamos fazer uma breve análise do mercado de hoje em dia, que com a globalização, o avanço tecnológico e a competitividade cada vez mais acirrada das concorrentes, cometer um erro é perder a fatia do mercado para um concorrente, podendo ter perdas simples, como levar a empresa a falência, então, não podemos deixar de gerenciar os riscos de nossa empresa por comodismo, mas sim ficar atento a tudo ao seu redor, internamente e externamente.

Mas afinal, o que venha a ser um risco? De certo modo é algum evento que pode vir a acontecer impactando o projeto de alguma forma e para que isso não venha a aparecer, precisamos estudar possíveis cenários futuros para termos medidas de precauções que precisam ser tomadas, necessitando estar sendo monitoradas ao longo do projeto para que esse risco não venha a ser impactante a ponto de o projeto ser inviável.

O que tem a ver a ligação entre o gerenciamento de risco dentro do gerenciamento de projetos?

O gerenciamento de projetos é uma área que trata de todos os passos para realizar um projeto, ele especifica tudo que está atrelado ao projeto como, o que será feito, mão-de-obra, material, custos entre outros, mas eventualidades ocorrem a qualquer momento, como atrasos de fornecedores, escassez de mão-de-obra qualificada, o tempo que precisa entregar o projeto, quanto irá custá-lo. O objetivo do gerenciamento de risco é justamente sabermos se o projeto está em conformidade com o esperado, precisando fazer diversas analises das ameaças que podem vir a ocorrer antes e no decorrer do projeto, para caso ocorra, saber a forma mais viável a se tratar o risco. Em outras palavras, o objetivo do gerenciamento de risco é fundamental para sabermos, antes de iniciarmos o projeto, analisarmos todos os possíveis riscos identificados para sabermos se o projeto é viável ou não e caso seja viável, a forma mais eficaz de tratar os riscos que podem dar perdas ao projeto, deixando bem claro que a identificação, avaliação, desenvolvimento de respostas e monitoramento termina apenas quando o projeto é finalizado.

Hoje em dia quando se fala em projeto, logo vem em mente novas idéias, inovação, trabalho duro, prazos entre outros, mas o que é mais determinante para o projeto é o custo, é inevitável não pensar no dinheiro a ser gasto ou embolsado ao final do projeto, e para que haja uma lucratividade para a empresa, precisamos agir conforme o planejamento para que não haja desperdício de mão-de-obra adicional, hora extra, gasto maior com aluguel de equipamentos, multas relacionadas com atrasos em entregas entre outros gastos e dores de cabeça.

Segundo o site www.pmi.org, as empresas estão desperdiçando menos dinheiro em projetos, houve uma redução de 27% do dinheiro, no que diz respeito ao baixo desempenho do projeto, fato esse visto desde o ano de 2013. Segundo pesquisas no site, as empresas que concluem 80% ou mais dos projetos dentro da data prevista e em conformidade com o orçamento, atendendo os critérios dos clientes, tem uma certa maturidade e continuam amadurecendo, essas são organizações patrocinadoras, elas têm uma maior taxa de sucesso de projeto, por conseqüência, tem resultados melhores, são empresas que mais se desenvolvem e lucram mais por gastarem menos pelo baixo desempenho.

Isso mostra que ir de acordo com o planejado, numa abordagem eficiente no que tange o gerenciamento de projetos, obtêm um melhor aproveitamento, cumprindo suas metas com êxito, melhorando cada vez mais no que diz respeito a gerenciar projetos, tendo cada vez mais, competência para reduzir as ameaças.

Para ser mais claro, vejamos algo na prática, imagina que você quer ir de casa para o trabalho de carro, você sempre faz o mesmo trajeto todos os dias e está acostumado, o percurso dura em torno de quinze minutos, mas cada dia é um dia e pode haver ameaças como acidente ou rua interditada por causa de uma árvore caída, tendo que fazer rotas alternativas e por conseqüência, atrasos. E é ai que entra o gerenciamento de risco, que auxilia estudar o percurso para identificação de novas ameaças na trajetória para o trabalho, para saber os riscos que podem afetar o projeto de ir ao trabalho sem atrasos, caso ocorra uma ameaça que impeça de chegar ao trabalho a tempo, novas rotas são desenvolvidas como plano B além de estudar novos meios para se chegar ao seu destino.

O ambiente de uma empresa é exatamente a mesma sistemática, no início de um projeto, reuniões são montadas com uma equipe de gerenciamento de riscos, iniciando um brainstorm, para os possíveis riscos que podem acontecer, Algumas ferramentas são utilizadas, como a EAR, que são estruturas com níveis hierárquicos relacionados aos riscos de acordo com o projeto a ser desenvolvido e esses níveis são subdivididos de acordo com a natureza de cada risco para um melhor conhecimento específico de cada elemento, chegando na fonte de todos os riscos para uma melhor avaliação.

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Figura 1 – estrutura de decomposição de riscos / Fonte: https://pt.slideshare.net/refagian/projeto-stay-in-vinhedo

 

A segunda etapa é a avaliação, na qual se determina a prioridade dos riscos a serem tratados num gráfico onde o eixo da probabilidade de ocorrência está ligado diretamente com o eixo de ocorrência de impacto que pode vir a ocorrer no projeto. Na avaliação observamos a aceitação do projeto, como por exemplo, a demolição de uma casa antiga na região da Lagoa para a construção de um prédio pode não ser aceita pela população daquela região, pois a casa pode ter valor histórico e a obra pode vir a ser cancelada por ser tombada e ser patrimônio histórico. Outra avaliação a ser feita que é muito importante é o fator econômico, no qual podem existir riscos que necessitam de um tratamento que encareceria o projeto de tal forma a ficar inviável como no projeto da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco no qual o orçamento previsto para gastos era em torno de 13,4 bilhões de dólares, maior que os 10,4 bilhões de dólares de retorno, segundo o jornal o globo de 23 de junho de 2014 com o link do mesmo nas referências bibliográficas. Mapear o local onde será realizado o projeto também é de grande importância, pois a partir desses dados podemos estudar a área que será feito o projeto, como por exemplo, numa obra de um prédio de 5 andares na região da cidade de Cabo Frio, onde o solo tende a ser arenoso em diversos locais, o que modifica o projeto de sustentação do prédio encarecendo-o em relação a uma região onde o terreno é mais firme.

 

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Figura 2- Matriz impacto probabilidade / Fonte:http://slideplayer.com.br/slide/10670049/

Após realizar estudos de todos os recursos que fará com que o projeto seja viabilizado, iniciamos a etapa de desenvolvimento de respostas. O diagrama de causa e efeito é uma ferramenta utilizada com muita freqüência no qual ele mostra todas as causas das ameaças que são possíveis, levando-a até sua origem de uma forma bem detalhada para uma investigação aprofundada sobre o risco e uma possível solução para a eliminação de maneira mais racional, esse desenvolvimento de respostas mais eficazes contra as ameaças, são tomadas de acordo com a prioridade do projeto a ser realizado. Há algumas formas para a eliminação dos riscos num projeto, uma delas é evitar o risco que consiste em eliminá-lo, pode parecer algo complexo, mas não é, como por exemplo, uma pessoa comprar um disco rígido externo para salvar as informações contidas no seu computador no intuito de  arquivar as informações sem perdê-las caso o computador dê um defeito. Outra maneira de eliminar o risco é a transferência  no qual você transfere o risco para terceiros, essa prática é bem utilizada hoje em dia na área de seguradoras de autos ou até mesmo cargas, onde você paga um valor para a empresa assegurar seu bem, caso ele venha a sofrer alguma perda, você está assegurado, transferindo todo o prejuízo a empresa que assinou contigo o contrato de seguro. Existe também a mitigação, que são ações tomadas para a redução de probabilidade de ocorrência e ou impacto de ocorrência, ela traz benefícios como a redução de falhas e ou ameaças no projeto, mas nem sempre eliminam o risco por completo, como por exemplo, a de um condomínio que tem sistema de monitoramento 24 horas por dia, cerca elétrica no muro, segurança, porteiros treinados, mas nada impede de um homem disfarçado de policial federal, consiga burlar toda a segurança e vir a adentrar em um apartamento, esse risco é chamado de risco aceitável, pois não está totalmente livre de um ataque. Existe um outro caso, onde nenhuma medida é tomada chamado de aceitação, você aceita o risco e apenas toma uma providência caso ocorra o risco, esse cenário se desenvolve quando não existe opções viáveis para combater o problema.

 

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Figura 3 – Diagrama de causa e efeito / Fonte: https://www.significados.com.br/diagrama-de-ishikawa/

 

Depois de identificarmos, avaliarmos e desenvolver respostas para os possíveis riscos, precisamos monitorar o projeto ao longo de sua vida, pois existem as ameaças que conhecemos fazendo uso de ferramentas, mas novos entrantes podem aparecer  durante o processo, para ter um maior ajuste no andamento do projeto, precisamos monitorá-lo, identificar novos riscos que estão por vir, fazer uma avaliação dos riscos,  avaliar a curva de tendência para ver como o projeto está se comportando no decorrer do tempo para que os riscos que venham a aparecer sejam minimizados de acordo com as decisões mais racionais que formam estudadas e tomadas durante todas as atividades que compõe o projeto. Existem ferramentas como software que são empregados no monitoramento dos riscos, esses relatam dados importantes sobre as ameaças tratadas e as que podem vir a ocorrer, a famosa curva, apelidada de curva da banana por seu formato expressa graficamente os limites da sua curva onde a trajetória do projeto deve estar, no qual, dentro da área é considerado satisfatório.

Considero que o monitoramento é a etapa mais importante, pois, ao mesmo tempo que ele avalia comportamento de riscos e desempenho de processos, ele identificar novos pontos que possam ser considerados negativos.

O que se pode concluir é que o gerenciamento de risco é uma parte de suma importância para realizarmos qualquer tipo de projeto, afinal, identificar e mapear diversos cenários que venham a comprometer a imagem da empresa e por conseqüência a reputação da mesma, deixando-a instável diante do mercado de trabalho não apenas por processos ou maquinários falhos, mas também pela mão humana é uma das atividades do gerenciamento de projetos, essa que tem como objetivo desenvolver novas opções de melhores respostas, para determinar diversas ações para que se possa ser tomado a opção mais viável no intuito de minimizar as ameaças, maximizando as oportunidades e o desenvolvimento organizacional da empresa.

 

 

Referências Bibliográficas:

Arnaldo Ribeiro,CCSA.; Auditoria baseada em riscos. Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/10670049/;. Acesso em: 20 de mar. 2018.

Coimbra,PMP.; Monitoramento e Controle: Monitorar e controlar os riscos. Disponível em: <http://projetoseti.com.br/monitoramento-e-controle-monitorar-e-controlar-os-riscos/&gt;. Acesso em: 19 de mar. 2018.

ISEGNET.; O que é gerenciamento de risco?.Disponível em: <http://www.isegnet.com.br/siteedit/arquivos/12-3-o-que-e-gerenciamento-de-riscos.pdf&gt;. Acesso em: 20 de mar. 2018.

José Casado, Danielle Nogueira e Vinicius Sassine.; Abreu e Lima: Petrobras já sabia que projeto era inviável em 2009. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/brasil/abreu-lima-petrobras-ja-sabia-que-projeto-era-inviavel-em-2009-12970507:. Acesso em: 19 de mar. 2018.

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