Muitas empresas líderes de mercado já usam as práticas de Gestão de Projetos como Vantagem Competitiva, ou seja, como um diferencial competitivo. Mas o que é a Vantagem Competitiva e como boas práticas de Gestão de Projetos nos ajuda a atingi-la?

Todo processo de crescimento, toda melhoria, parte de uma mudança. Como é dito no meio empresarial, as mudanças são feitas por projetos. Para satisfazer as necessidades cada vez maiores da sociedade, as empresas estão sempre inovando e modificando suas atividades e processos, sempre por meio de projetos. Mas como saber se a inovação ou modificação está realmente ajudando a empresa a crescer? Como saber se estamos caminhando para obter a tão sonhada Vantagem Competitiva? Ao alinhar a estratégia com os projetos da empresa obtemos cada vez mais chances de atingir a Vantagem Competitiva e, assim, o sucesso. Existem diversas ferramentas que podem ajudar a atingir os objetivos, mas estudos mostram que as empresas que focam na gestão de projetos tem crescido significativamente no mercado. Isso nos leva a crer que para obtermos o sucesso esperado, devemos dar a importância adequada a boas práticas de Gestão de Projetos.

Antes de começarmos a trabalhar no tema propriamente dito, precisamos entender o que são projetos e conhecer algumas particularidades de Gestão de Projetos.

Existem vários autores que definem o conceito de projeto. O PMBOK (Project Managemente Body of Knowledge), documento produzido pelo PMI (Project Management Institute), define projeto como “um esforço temporário empreendido para criar um resultado exclusivo”.

Ricardo Vargas define projeto como “um empreendimento não repetitivo, caracterizado por uma sequência clara e lógica de eventos, com início, meio e fim, que se destina a atingir um objetivo claro e definido, sendo conduzido por pessoas dentro de parâmetros predefinidos de tempo, custo, recursos envolvidos e qualidade”.

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Imagem 1 – Projetos / Fonte: https://www.google.com.br/search?q=projetos&rlz=1C1PRFC_enBR782BR783&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiE6ab_y_vZAhULl5AKHdTpBiIQ_AUICigB&biw=1366&bih=637#imgrc=PZWsiNpVZUovAM:

“Os projetos podem ser aplicados em praticamente todas as áreas do conhecimento humano, incluindo os trabalhos administrativos, estratégicos e operacionais, bem como a vida social de cada um.” (VARGAS, Ricardo / Gerenciamento de Projetos: Estabelecendo Diferenciais Competitivos). Portanto, apesar das adaptações e do tamanho, os projetos empresariais não são diferentes. Todos seguem a mesma linha de raciocínio, o mesmo protocolo. Um aspecto que deve ser levado em conta quando estamos no âmbito empresarial é a constante mudança de necessidades. A todo momento surge uma nova necessidade ou uma nova oportunidade, dando início, então, aos procedimentos de iniciação do projeto.

“Os projetos, muitas vezes, extrapolam as fronteiras da organização, atingindo fornecedores, clientes, parceiros e governo, fazendo parte, na maioria das vezes, da estratégia de negócios da companhia” (VARGAS, Ricardo / Gerenciamento de Projetos: Estabelecendo Diferenciais Competitivos).

As necessidades podem ser as mais variadas possíveis: diminuição do custo de produção, aperfeiçoamento do serviço prestado ao cliente, criação de novos produtos que atendam melhor as necessidades do mercado, etc. Então, “para atender as demandas de maneira eficaz, em um ambiente caracterizado pela velocidade das mudanças, torna-se indispensável um modelo de gerenciamento baseado no foco em prioridades e objetivos.” (Vargas, Ricardo / Gerenciamento de Projetos: Estabelecendo Diferenciais Competitivos)

De acordo com o PMI, “o gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades e técnicas para a execução de projetos de forma efetiva e eficaz. Trata-se de uma competência estratégica para organizações, permitindo com que elas unam os resultados dos projetos com os objetivos do negócio – e, assim, melhor competir em seus mercados.”

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Imagem 2 – Gestão de Projetos / Fonte: http://www.excellence-consultants.com.br/single-post/2016/12/19/O-inter-relacionamento-entre-Gerenciamento-de-Projetos-e-Gest%C3%A3o-de-Processos-de-Neg%C3%B3cio-BPM

Seguindo esse raciocínio, percebemos que, cada vez mais, as grandes organizações estão valorizando e incentivando as práticas e treinamentos em Gestão de Projetos, pois, segundo pesquisas feitas pelo PMI e publicadas no documento Pulse of the Profession 2017, “quando implementamos práticas comprovadas de gerenciamento de projetos, programas e portfólio, os projetos são mais bem-sucedidos”. 

Os altos executivos dessas organizações acreditam que para se obter a Vantagem Competitiva no mercado é muito importante saber aplicar as práticas de Gestão de Projetos, uma vez que, gerenciando bem o portfólio de projetos da empresa, temos mais chances de chegar ao objetivo estratégico da empresa.

Mas o que é a Vantagem Competitiva? Entende-se como Vantagem Competitiva, um fator de diferenciação, na qual a empresa está acima das concorrentes no mercado.

Segundo Porter, em seu livro Vantagem Competitiva: Criando e Sustentando um Desempanho Superior, a Vantagem Competitiva se origina de uma Estratégia Competitiva acertada, que pode ser obtida por meio de diminuição de custos ou por diferenciação, e é construída a partir da análise das “cinco forças competitivas que moldam a estratégia”. Essas forças são conhecidas como “As Cinco Forças de Porter”. São elas: Rivalidade entre os concorrentes, Poder de negociação dos clientes, Poder de negociação dos fornecedores, Ameaça de novos entrantes e Ameaça de produtos substitutos.

Para Porter, a análise e a criação da estratégia para enfrentar com sucesso essas cinco forças competitivas torna a empresa preparada para superar os desafios do mercado e aumentar o sou Retorno Sobre Invesimento (ROI), uma vez que os pontos fracos e fortes do setor em questão são conhecidos.

Em seu livro, Estratégia Competitiva, Porter também cita três tipos de estratégias genéricas. Estratégias, estas, que especificam melhor o objetivo de cada empresa. São elas: liderança no custo total, diferenciação e enfoque.

A estratégia de liderança no custo total tem como foco a redução dos custos e aumento da margem de lucro, adquirindo assim uma Vantagem Competitiva em relação às outras empresas. Essa estratégia “pode exigir o projeto do produto para simplificar a  fabricação, a manutenção de uma vasta linha de produtos relacionador para diluir os custos e o atendimento de todos os principais grupos de clientes de modo a expandir o volume.” (PORTER, MICHAEL E. Estratégia Competitiva. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2001.)

A estratégia de diferenciação tem seu foco, como diz o nome, na criação de algo diferente, algumas vezes até inovador. A diferenciação pode aparecer em várias dimensões, como imagem da marca, tecnologia, peculiariades, etc. As empresas que usam esse tipo de estratégia procuram obter a Vantagem Competitiva superando os concorrentes e fidelizando os clientes por meio dessa diferenciação. Para alcança-la, muitas empresas investem for na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), criando projetos com o objetivo de encontrar novas maneiras de oferecer seus produtos ou serviços.

A terceira e última estratégia genérica é a estratédia de enfoque. Pela leitura do livro de Michael Porter entendemos que essa estratégia não é nem de liderança no custo, nem de diferenciação, porém atinge sempre uma das duas metas. Por quê? Essa estratégia foca única e exclusivamente em um segmento de mercado, buscando meios de obter a Vantagem Competitiva em relação ao seu concorrente pelo fato dele estar competindo de uma forma mais ampla. Os projetos, nesse caso, estão sempre voltados para um foco específico. A Vantagem pode ser obtida por liderança no custo, por diferenciação, ou até por ambos.

Mas afinal, em que a gestão de projetos pode ajudar na busca pela Vantagem Competitiva?

De acordo com mais um artigo do PMI, o Connect Business Strategy, empresas com práticas maduras em Gestão de Projetos estão liderando ou crescendo nos respectivos mercados. Esse artigo mostra como e porque isso acontece. O PMI atenta o público sobre a importância do alinhamento entre a estratégia e o gerenciamento de projetos, relacionando a esse alinhamento, o sucesso do empresa.

Uma área de conhecimento em Gerenciamento de Projetos muito importante, trazida pelo artigo citado anteriormente é o Gerenciamento de Percepção de Benefícios (GPB). O GPB é uma abordagem que auxilia no alinhamento necessário entre o Gerenciamento de Projetos e a Estratégia da organização, apoiando a boa comunicação entre as partes interessadas. Essa tarefa permite que as definições e as mudanças no escopo, no cronograma, no pessoal, etc. possam ocorrer de forma clara e correta, facilitando o caminho para o sucesso.

Ainda segundo o mesmo artigo, existem três aspectos essenciais para a implementação do GPB nas empresas. São eles: gerenciamento do portfólio de projetos com base em resultados estratégicos reais, criação de um espaço dedicado única e exclusivamente para comunicação entre os interessados no projeto e estabelecer as condições corretas para o sucesso.

Esses três aspectos, quando implementados corretamente, ajudam a identificar os requisitos para o sucesso real do projeto, por meio de comunicação constante entre três grupos estratégicos das partes interessadas, os executivos da diretoria, os responsáveis do negócio e os gerentes de projetos, para fazer as correções necessárias durante o projeto ou manter o rumo para o objetivo estratégico, garantindo as condições necessárias para se chegar nos resultados esperados.

Existem medidas que são aplicadas pelo GPB. Medidas essas que auxiliam a atingir o sucesso e podem ser divididas em duas categorias: vitórias rápidas e ações de médio e longo prazo.

As atividades para obter vitórias rápidas são:

  • Seleção dos projetos certos;
  • Envolvimento dos gerentes de projeto em todas as fases do projeto;
  • Investimento nas capacidades dos gerentes;
  • Articulação e incentivo os comportamentos certos: na maioria das vezes, o comportamento dos colaboradores é o principal para uma mudança sólida e sustentável;
  • Uso das habilidades certas nos projetos certos.
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Imagem 4 – Gerenciamente de Percepção de Benefícios (GPB) / Fonte: Connect Business-Strategy – PMI

Já as ações de médio e longo prazo são:

  • Fixar os vínculos entre a estratégia e os projetos;
  • Incentivar os principais envolvidos por resultados;
  • Formalizar a aprendizagem e treinamento para a prática do GPB.

Portanto, a função principal do GPB é estabelecer a boa comunicação entre o projeto e a estratégia. Dessa forma a organização será capaz de tomar as decisões corretas, buscando sempre o objetivo estratégico.

Como vimos anteriormente, a gestão de projetos, atualmente, é uma atividade estratégica da empresa, uma vez que a mesma tem grande importância no alcance dos objetivos estratégicos. Portanto, ao entender a Gestão de Projetos como uma Vantagem Competitiva a empresa pode ser levada a outro patamar no mercado.

Podemos dizer, então, que boas práticas de Gestão de Projetos é essencial para o sucesso das organizações. Incentivando e aperfeiçoando essas técnicas, treinando o pessoal e desenvolvendo uma cultura voltada para essas atividades, alinhando essas práticas à estratégia empresarial, as chances de sucesso aumentam significativamente, deixando-a mais próxima da Vantagem Competitiva.

Essa publicação busca incentivar a prática da Gestão de Projetos nas empresas, visto que essa atividade faz parte de questões estratégicas da empresa e é imprescindível para sua continuidade e crescimento no mercado.

Se interessaram pelo assunto? Alguma dúvida ou sugestão para a continuidade do tema? Comente! Interaja! A troca de conhecimento é o mais importante para o aprendizado!

 

Referências Bibliográficas

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Connect Business Strategy. Newtown Square, 2017.

PORJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Pulse of the Profession. Newtown Square, 2017.

PORTER, Michael E. Estratégia Competitiva. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2001.

PORTER, Michael E. Vantagem competitiva: Criando e Sustentando um Desempenho Superior. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1989.

VARGAS, Ricardo V. Gerenciamento de Projetos: Estabelecendo Diferenciais Competitivos 7ª Edição. Rio de Janeiro: Brasport, 2009.

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