Ter total poder sob seus recursos, tanto no quesito financeiro, quanto na sua equipe de projeto, porém esse fato não é algo que o GP (gerente de projeto) possa controlar, isso se dá muitas das vezes pelo tipo de estrutura organizacional que a empresa na qual ele está realizando o projeto esteja enquadrada, portanto vamos aprender um pouco mais sobre esses tipos de estruturas.

Antes de entender os modelos de estruturas organizacionais, deve haver o entendimento claro do que é, de fato, uma organização.

Segundo Maximiano (1992) “uma organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Por meio de uma organização torna-se possível perseguir e alcançar objetivos que seriam inatingíveis para uma pessoa. Uma grande empresa ou uma pequena oficina, um laboratório ou o corpo de bombeiros, um hospital ou uma escola são exemplos de organizações”.

Assim que são criadas, as organizações vão adotando culturas próprias e criando suas politicas internas e seus valores,  e com isso são definidas suas estruturas organizacionais baseadas nesse perfil. No mundo dos projetos esses  tipos de estruturas podem influenciar e muito o andamento e a maneira de conduzir e gerenciar. O tipo de estrutura pode definir também o poder e autonomia que o GP (gerente de projeto) terá  perante seus recursos, se terá poder total sobre eles ou se eles estarão sempre atrelados a um outro imediato ou até mesmo atuando em outros serviços em paralelo com esse projeto.

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Figura 1 – Tipos de estruturas organizacionais / Fonte: escritorio de projetos site

De acordo com o PMBOK podemos encontrar 3 diferentes tipos de estruturas organizacionais dentro das empresas que realizam projetos , a funcional, a projetizada e a matricial, que pode ser dividida em três: Fraca, Moderada e Forte.

 

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Figura 2 -Em busca da  melhor estrutura  / Fonte: 123rf banco de imagens

 

Devemos ter em mente que a estrutura da empresa não se altera de projeto para projeto, isso é algo definido de acordo com o perfil da empresa que você estará atuando, por exemplo Empresas que fabricam e vendem produtos, principalmente, matérias primas ou produtos com poucas variações, normalmente, possuem menor necessidade de projetos, e portanto, mais provável adotarem a estrutura funcional, já empresas que utilizam o projeto como principal fonte de obtenção de receita como empresas de consultoria e empresas de engenharia, é comum encontrarmos a estrutura projetizada, podemos  encontrar também empresas que trabalham em dois momentos , hora está vendendo um produto, mas as vezes necessita realizar um projeto especifico, e aí que entra a estrutura organizacional matricial, e sua definição em forte moderada ou fraca muita das vezes está ligada com a frequência em que esta empresa realiza esses projetos.

Estrutura Organizacional Funcional

Podemos dizer que a mais clássica e a mais encontrada dentro de empresas tradicionais é a estrutura organizacional funcional, com ela o gerente de projeto tem pouco ou quase nenhuma autonomia sobre os recursos do projeto, ela é composta de gerentes funcionais que disponibilizam recursos temporários para o projeto, porém não de maneira integral e os funcionários cedidos não trabalham integralmente no projeto, e respondem diretamente ao seu gerente funcional, não ao gerente do projeto.

 

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Figura 3 – Estrutura funcional / Fonte: blogspot  tesi-pessoas

 

Sendo assim funcionários que cuidam de pessoas estarão alocadas no setor de RH, outras que lidam com o faturamento e finanças estarão alocadas na área do Financeiro e assim por diante.

Isso torna definitivamente a vida do gerente de projeto mais complicada, então o mesmo sempre deve buscar o engajamento dos gerentes funcionais dentro de seu projeto, para conseguir alcançar seus objetivos

Realizando um comparativo com outras estruturas, podemos perceber que a estrutura funcional é a mais complicada para o gerente de projeto atuar, já a projetizada podemos dizer que seria o melhor dos mundos, pois podemos perceber que todos os recursos estão disponíveis em tempo integral ao gerente de projeto e que o mesmo tem total autonomia para gerencia-los.

      características                                   Estrutura Organizacional
Funcional                         Matricial Projetizada
Fraca Moderada Forte
Autoridade do GP Pouca ou Nenhuma Limitada Baixa / Moderada Alta Alta / Total
Disponibilidade de recursos uca ou Nenhuma Limitada Baixa / Moderada Alta Alta
Função do GP Tempo Parcial Tempo Parcial Tempo integral Integral Integral
Quem controla o orçamento Gerente funcional Gerente funcional Misto GP GP
Equipe administrativa do GP Tempo Parcial Tempo Parcial Tempo Parcial Integral Integral

Tabela 1  – Comparativo dos tipos de estruturas organizacionais / Fonte: Escritório de projetos

Este tipo de organização parece que não foi nem um pouco voltada para projetos não é mesmo? será que existe algo positivo? vamos lá!

Algumas das vantagens apresentadas no modelo organizacional funcional no mundo dos projetos:

  • Permite a imersão de pessoas que nunca tinham participado efetivamente de um projeto e estimulando assim novas experiencias e gerando conhecimento
  • benefício para a empresa, pois a mesma consegue atuar em duas frentes sem interromper nenhum serviço, assim nunca desperdiçando  mão de obra
  • O tempo ocioso é quase zero durante um projeto
  • Caso haja um problema ou encerramento do projeto todos já possuem cargos específicos dentro da empresa, assim diminuindo o desemprego pelo contrato por projetos

 

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Figura 4 – Como funciona na realidade? / Fonte: 123rf banco de imagens

 

Para melhor entendimento dessa estrutura nada melhor do que um exemplo do  dia a dia: eu trabalho na empresa Supervia, e para quem não conhece está é a empresa que é responsável por gerenciar e conduzir os trens urbanos do estado do Rio de Janeiro, dentro da Supervia podemos encontrar diversas áreas com seus gerentes  funcionais das áreas responsáveis pelo RH, finanças, Operacional, etc. Quando existe a necessidade de execução de um projeto é definido um gerente de projeto específico e esse gerente receberá o apoio dos outros gerentes funcionais para ceder os recursos e funcionários necessários para realização desse projeto, porém os recursos cedidos não respondem diretamente ao gerente de projetos mas sim ao seu gerente funcional, sendo assim o GP solicita uma reunião de todos os gerentes funcionais envolvidos e expõe a necessidade do apoio da equipe que será cedida durante o projeto, para poder minorar a falta de autonomia imposta por essa estrutura.

Portanto pudemos observar que a estrutura funcional é encontrada em empresas onde projeto não é algo tão comum, mas mesmo assim ainda é possível atuar como gerente de projeto e conseguir obter sucesso, e uma grande vantagem encontrada nessa estrutura é que todos os recursos querem a conclusão do projeto para poderem voltar a sua rotina de trabalho, portanto existe menos procrastinação do serviço e podemos identificar maior engajamento da equipe no final do projeto, diferente da estrutura projetizada por exemplo.

 

Referências bibliográficas

https://escritoriodeprojetos.com.br/estrutura-organizacional acessado em novembro de 2017

http://www.jrmcoaching.com.br/blog/principais-vantagens-e-desvantagens-de-um-organograma-funcional/ acessado em novembro de 2017

http://www.itmplatform.com/br/blog/as-estruturas-organizacionais-e-gerenciamento-de-projetos/ acessado em novembro de 2017

https://brainstormdeti.wordpress.com/2010/06/08/estruturas-organizacionais-e-projetos/ acessado em novembro de 2017

Séllos, Lysio – Notas de Alua da disciplina Gerenciamento de Projeto – Universidade Veiga de Almeida – 2017

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