Conheça o FMEA, o método que utiliza variáveis qualitativas para realizar uma análise dos possíveis modos de falha que podem originar-se em componentes e gerar um efeito sobre a função de todo o conjunto, criando a possibilidade de se minimizar as falhas potenciais e evitar seus efeitos.

Como surgiu..

O FMEA foi uma das primeiras técnicas desenvolvidas exclusivamente para análise de falhas, em meados de 1949, e era usado pelo exército americano para identificar as possíveis falhas nos sistemas militares. Na década seguinte, foi adotada pela NASA, no famoso projeto Apollo. Já nos anos 70, foi adotado na indústria automotiva, onde se faz presente até hoje.

Seu objetivo é..

FMEA serve para minimizar ou até mesmo eliminar a ocorrência de falhas em produtos e processos, bem como evitar as suas consequências.  A ferramenta consiste basicamente em sistematizar um grupo de atividades para detectar possíveis falhas e avaliar os efeitos das mesmas para o projeto/processo. A partir dessas possíveis falhas, identificam-se ações a serem tomadas para eliminar ou reduzir a probabilidade de que as mesmas ocorram. Mas não é só isso, indiretamente, a ferramenta serve para reduzir custos para a empresa, sendo que a metodologia pode também reduzir a quantidade de matéria prima empregada em um processo e vai tornar todo o procedimento mais eficaz.

Já que o FMEA está diminuindo as chances do produto ou processo falhar, quem ganha também é o consumidor. Se o artigo fabricado é adquirido pelo consumidor final, ele vai correr um risco menor de comprar um produto que apresente problemas de fabricação, evitando que tenha que contatar a assistência técnica. Mesmo quando o serviço terceirizado prontamente repara e cobre a falha, existe um grau de insatisfação do cliente.

WhatsApp Image 2017-11-11 at 23.19.07

Figura 1 – Processo FMEA – Fonte: http://pharmaupdated.blogspot.com.br/2013/07/

Existem 4 tipos de FMEA..

  • FMEA de Produto: São consideradas as falhas que poderão ocorrer com o produto dentro das especificações do projeto. O objetivo desta análise é evitar falhas no produto ou no processo decorrentes do projeto. É comumente denominada também de FMEA de projeto ou produto
  • FMEA de processos: São consideradas as falhas no planejamento e execução do processo, ou seja, o objetivo desta análise é evitar falhas do processo, tendo como base as não conformidades do produto com as especificações do projeto.
  • FMEA de sistemas: São considerados sistemas e subsistemas nas fases conceituais e de projeto. O objetivo desta análise é focalizar nos modos de falhas entre funções do sistema. São inclusas as interações entre sistemas e elementos dos sistemas.
  • FMEA de serviços: São analisados os serviços antes de eles atingirem o consumidor. É usado para identificar tarefas críticas ou significantes para auxiliar a elaboração de planos de controle. Ajudam a eliminar gargalos nos processos e tarefas.

Elaborando uma análise FMEA..

Não existe uma única forma, um processo uniforme, que sempre deva ser seguido na elaboração de um FMEA. Basicamente, um FMEA é composto por um conjunto de entradas (inputs) e saídas (outputs), que visam a identificação e controle das falhas potenciais do processo, através da experiência da equipe e histórico da produção. Mesmo com a inexistência de uma procedimento padrão para a elaboração de FMEA, existem elementos contidos semelhantes entre os desenvolvimentos de FMEA, procedimentos que estão presentes na maioria das elaborações.

Dentre as formas de elaboração de um FMEA, a mais comum funciona da seguinte maneira: um grupo identifica as funções do produto e processo, as possíveis falhas, as causas e os efeitos derivados desta. Em seguida, é analisado o risco (R) que cada falha pode fornecer e então são avaliadas quais medidas de melhoria e ações corretivas podem ser aplicadas de forma a diminuir os riscos analisados.

Para isso, existe um formulário que é preenchido, um documento dinâmico e que deve ser atualizado continuamente.

WhatsApp Image 2017-11-11 at 23.08.02

Figura 2: Modelo Formulário FMEA – Fonte: http://www.gepeq.dep.ufscar.br/arquivos/FMEA-APOSTILA.pdf

Para facilitar o entendimento, vamos definir alguns termos que são utilizados em um documento FMEA. São eles:

  • Nome: Nome do componente, subcomponente ou sistema que está sendo analisado;
  • Função: é a função que o componente ou sistema desempenha;
  • Falha: é o evento que faz com o que o componente ou sistema perca sua função;
  • Efeitos: Aspecto aparente que o cliente irá notar. É o que a falha provoca;
  • Causa: Apresentação das possíveis causas para a falha ocorrer;
  • Controles atuais: Medidas preventivas e de detecção que já tenham sido tomadas;
  • Índice de Severidade (S): Pode variar de Zero a Dez, sendo Zero igual a uma gravidade mínima e Dez uma gravidade máxima;
  • Índice de Frequência da Ocorrência (O): Pode variar de Zero a Dez, sendo Zero igual a uma frequência mínima e Dez uma frequência constante;
  • Índice da detecção (D): Pode variar de Zero a Dez, sendo Zero igual a uma detecção máxima e Dez uma detecção nula;
  • RPN: Risk priority number (R): É o risco calculado que fica associado ao modo de falha. É o produto dos três índices Ocorrência x Severidade x Detecção;
  • Ações Recomendadas: Planos de ação desenvolvidos para solucionar as falhas;
  • Responsabilidade: Equipe responsável pela realização do plano de ação;
  • Data Prevista: Data estimada para conclusão da tratativa;
  • Medidas implantadas: Medidas que foram executadas de acordo com as ações recomendadas;
  • Índice atualizado: Atualização do índice de acordo com as soluções implantadas.

WhatsApp Image 2017-11-12 at 17.08.18

Figura 3: Definição dos termos do formulário FMEA – Fonte: http://www.gepeq.dep.ufscar.br/arquivos/FMEA-APOSTILA.pdf

O cabeçalho do nosso formulário deve conter todas as informações importantes como área onde o componente está localizado,o sistema ao qual ele pertence,a data de início, revisão, equipe, elaborador, etc. Isto porque como dito anteriormente, o FMEA é um documento dinâmico que com o passar do tempo sofre revisões e melhorias. Por isto é muito importante que esta documentação tenha o máximo de informações possíveis.

Na primeira coluna, devemos identificar o produto/serviço. Ele que será o objeto de análise neste formulário e todas as causas de falha levantadas serão baseadas nele. A função deste produto/serviço também é importante pois geralmente é a perda desta função que irá caracterizar a falha.

Todas as falhas estão listadas na terceira coluna do nosso formulário e os efeitos que essa falha provoca na quarta coluna. Caso alguma ação já seja realizada, preenchemos a quinta coluna.

Com as potenciais falhas listadas, podemos agora classificar estas falhas segundo os índices de Ocorrência, Severidade e Detecção para assim calcularmos o risco. Como mencionado, os índices de Ocorrência, Severidade e Detecção são classificados de 0 a 10 e para facilitar essa classificação consideramos as tabelas abaixo:

Índice de Ocorrência

WhatsApp Image 2017-11-12 at 17.15.50

Figura 3: Índice de Ocorrência – Fonte: https://www.citisystems.com.br/fmea-processo-analise-modos-falhas-efeitos/

Índice de Severidade

WhatsApp Image 2017-11-12 at 17.20.57

Figura 4: Índice de Severidade – Fonte: https://www.citisystems.com.br/fmea-processo-analise-modos-falhas-efeitos/

Índice de Detecção

WhatsApp Image 2017-11-12 at 17.34.53

Figura 4: Índice de Detecção – Fonte: https://www.citisystems.com.br/fmea-processo-analise-modos-falhas-efeitos/

Com os valores obtidos, agora é possível calcular o risco (R), bastando para isto multiplicar as três variáveis Ocorrência x Severidade x Detecção. É com este valor de risco que faremos o direcionamento das tratativas que cada modo de falha receberá.

Os modos de falhas que receberem maior risco (maior resultado no produto dos índices), merecem tratativas especiais e portanto ações mais eficazes. Pode ocorrer do modo falha ter um risco muito baixo e não serem necessárias tratativas. Vale a pena considerar que no intuito de aplicarmos formas de controles muito rígidos, podemos aumentar muito os custos para tal, de maneira com que a ocorrência da falha passe a ser menos custosa do que a tratativa para que ela não ocorra.

Adicionalmente, todas as ações precisam conter um prazo, responsável e devem ser monitoradas periodicamente a fim de avaliar novamente o risco e medir a eficácia do plano.

O FMEA nos mostra que podemos sim correr riscos calculados, desde que saibamos quais são estes riscos e estejamos dando prioridade a riscos mais importantes. Devemos ficar sempre atentos no fato de que um risco baixo pode se tornar alto e um alto, que esteja sendo tratado pode vir a ser menos prioritário com o passar do tempo. Por este motivo é importante que todos os modos de falha sejam listados e monitorados constantemente.

Analisando os Benefícios da FMEA..

A FMEA impacta diretamente no retorno financeiro da empresa que reduz ou elimina falhas e desenvolve ações e procedimentos para lidar com os riscos. Do ponto de vista dos funcionários que trabalham na empresa, como a FMEA é uma ferramenta que estimula o trabalho em equipe, ela possibilita ganhos motivacionais obtidos a partir da colaboração e o comprometimento das pessoas, que, juntas podem desenvolver uma atividade em prol do futuro da organização e de si mesmas.

 

 

Referências Bibliográficas

Análise de Modos de Falhas e Efeitos (FMEA) – http://www.blogdaqualidade.com.br/analise-de-modos-de-falhas-e-efeitos-fmea/ – Acesso em 13/11/2017

Análise de Modo e Efeitos de Falha Potencial (FMEA). Manual de referência. 4. ed. Primeira Edição, Fevereiro de 1993; Segunda Edição, Fevereiro de 1995; Terceira Edição, Julho de 2001; Quarta Edição, Junho de 2008. Copyright © 1993,© 1995,© 2001,© 2008 – Chrysler LLC, Ford Motor Company, General Motors Company

FMEA – Análise dos Modos de Falha e seus Efeitos – https://www.citisystems.com.br/fmea-processo-analise-modos-falhas-efeitos/ – Acesso em 13/11/2017

IEC 812 – Analysis Techniques System Reliability Procedure for Failure Mode and Effects Analysis (FMEA)

J. G. PIRES, A. S. DUARTE,, R. F. BIANCHI, Z. A. Da S. SANTOS,; A. G. C. BIANCHI, (2009). ‘Projeto e desenvolvimento de Produto: proposta e desenvolvimento de dispositivo eletrônico para auxiliar no tratamento da icterícia’, SIMPEP, 2009.

O que é FMEA? – https://www.industriahoje.com.br/fmea – Acesso em 13/11/2017

O que é FMEA? Como aplicar? Aprenda mais sobre essa ferramenta – http://www.fm2s.com.br/fmea/ – Acesso em 13/11/2017

RODRIGUES, Marcus Vinicius. Ações para a qualidade: GEIQ, gestão integrada para a qualidade: padrão seis sigma, classe mundial. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.

TOLEDO, JOSÉ CARLOS e AMARAL, DANIEL CAPALDO – GEPEQ – Grupo de Estudos e Pesquisa em Qualidade.

SAKURADA, Eduardo Yuji. As técnicas de Análise do Modos de Falhas e seus Efeitos e Análise da Árvore de Falhas no desenvolvimento e na avaliação de produtos. Florianópolis: Eng. Mecânica/UFSC, (Dissertação de mestrado), 2001.

Imagens

http://qualitymanager.com.br/wp-content/uploads/downloads/Ebook-FMEA-QualityManager.pdf – Acesso em 13/11/2017

http://pharmaupdated.blogspot.com.br/2013/07/ – Acesso em 13/11/2017

http://www.gepeq.dep.ufscar.br/arquivos/FMEA-APOSTILA.pdf – Acesso em 13/11/2017

https://www.citisystems.com.br/fmea-processo-analise-modos-falhas-efeitos/ – Acesso em 13/11/2017

 

Anúncios