A Universidade faz parte do projeto de vida de muitas pessoas, e entre as etapas temos o desenvolvimento do TCC, que pode ser o “calo no sapato” para muitos estudantes. Há algum modo de facilitar seu desenvolvimento?

Pode-se considerar um projeto tudo aquilo que tem início e fim definidos,  riscos envolvidos, participação de pessoas, e com escopo e recursos determinados. Para todo estudante, a monografia é o ponto alto da conclusão do curso, daí a importância da qualidade final desse projeto. E é após a iniciação do projeto, que engloba a escolha do tema, os objetivos, o tempo necessário para realizá-lo, as responsabilidades do autor, a descrição do trabalho, o mapa do projeto ( Project Charter), etc., que então é criada a EAP.  Primeiramente, o que é EAP?

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FIGURA 1: EAP

FONTE: http://www.gp4us.com.br/eap-estrutura-analitica-do-projeto/

Estrutura Analítica do Projeto

A EAP se encontra no processo de planejamento do projeto, juntamente com a criação de seu dicionário e outros planos de gerenciamento. Este  grupo de processos tem o objetivo de manter o trabalho viável para atingir seus objetivos, detalhando escopo em resultados, prazos e recursos. Além disso, sequencia processos facilitadores que  gerenciam o cronograma, orçamentos e os recursos citados a fim de obter aprovação dos envolvidos no projeto.

Dicionário da EAP

É nele que ocorre todo o detalhamento necessário para orientar a equipe do projeto em cada etapa da EAP, como informações sobre questões técnicas e de como o trabalho será realizado. Ele pode servir como um sistema de autorização de trabalho e controle de cada atividade que será realizada de modo a evitar o aumento do escopo. O dicionário da EAP define os limites do que é incluído nos pacotes de trabalho, e o que são pacotes de trabalho? Mais à frente será definida essa parte importante da EAP. Na figura abaixo podemos ver um exemplo de dicionário.

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FIGURA 2: DICIONÁRIO DA EAP

FONTE: https://projetoseti.com.br/criar-a-estrutura-analitica-do-projeto-eap

A vantagem competitiva hoje em dia está transformando o gerenciamento de projetos em algo essencial para qualquer organização, a fim de atender as expectativas do consumidor. No caso da monografia, é necessário atender as expectativas pessoais, profissionais, e é claro, da banca analisadora. Criar a estrutura analítica do projeto consiste em subdividir as principais etapas de entregas do trabalho em partes menores, que são mais facilmente gerenciadas (PMI, 2008). Na figura à seguir podemos notar como é feita essa divisão, e é necessário destacar antes que, uma EAP deve ser utilizada em TODOS os projetos.

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FIGURA 3: WORK BREAKDOWN STRUCTURE

FONTE: http://blogdoabu.blogspot.com.br/2010/05/scrum-para-pmps-escopo.html

Como podemos ver,  a EAP ou também chamada em inglês de WBS (Work Breakdown Structure), evidencia as etapas citadas anteriormente para facilitar a entrega. Ela está inserida na etapa de gerenciamento do escopo, ou seja, tudo aquilo que é necessário para realizá-lo, satisfazendo as necessidades das partes interessadas, pois é no escopo que se define o que está ou não incluído no projeto, e aquilo que pode ser incluído ou removido ao longo do caminho. Neste caso se estabelece mecanismos de controle para tratar os fatores que podem resultar nestas mudanças não programadas.

Segundo o PMBOK, citado por Junior (2012), a EAP é um decomposição hierárquica com foco na entrega do trabalho à ser executado pela equipe a fim de cumprir com os objetivos e criar as entregas requisitadas, com cada nível representando gradualmente um detalhamento sobre o trabalho do projeto. As contas de controle finalizam a construção das etapas, produzindo uma sumarização hierárquica de custos, cronograma e informações sobre recursos. O último nível de uma EAP é chamado de pacote de trabalho.

  • Contas de Controle: Uma conta de controle compõe a EAP a fim de contabilizar os custos do projeto, e nada mais é que um ponto de controle para gerenciar o escopo, custo e cronograma, que são integrados e comparados ao valor agregado para uma determinada medição de desempenho. Cada uma dessas contas pode incluir um ou mais pacotes de trabalho, mas deve estar associado apenas a uma conta de controle.
  • Pacote de trabalho: São atividades de nível mais baixo, agrupadas conforme as necessidades do projeto, e possui custos e atividades que devem ser documentadas no dicionário da EAP.

 

Coimbra (2013) diz que: “A EAP e Dicionário da EAP não devem ser documentos estáticos. A construção da EAP está sujeita a elaboração progressiva, conforme novas informações se tornam conhecidas, a EAP deve ser revista para refletir essa informação. A equipe do projeto, que tem alterações substanciais à sua EAP deve fazer referência ao Plano de Gestão da Mudanças do projeto e seguir a orientação sobre gestão de mudanças no escopo do projeto”.  Numa EAP, cada item tem um nível único, e para que o trabalho possa ser identificado atribui-se um número. Abaixo podemos ter uma noção de como as tarefas são em geral decompostas:

  • Nível 1 – Designado pelo 1.0. Este nível é o nível mais alto da EAP e geralmente é o nome do projeto. Todos os outros níveis são subordinados a este nível.
  • Nível 2 – Designado pelo 1.X (por exemplo , 1.1, 1.2). Este nível é o nível de resumo.
  • Nível 3 – Designado pelo 1.X.X (por exemplo, 1.1.1, 1.1.2). Este terceiro nível compreende os subcomponentes a cada dois elemento resumo nível. Este esforço continua para baixo até que os níveis progressivamente subordinados são designados para todo o trabalho necessário para o projeto inteiro.

Vale ressaltar que, se há uma subordinação lógica das tarefas, a maioria dos softwares são capazes de automaticamente criar a divisão acima. Mesmo que o Guia PMBOK defenda um modelo de até 7 níveis, esta decisão deve vir do gerente do projeto, que estimará de forma confiável de acordo com o cronograma e custos, e de maneira que seja possível monitorar os pacotes de trabalho. Abaixo temos um exemplo da divisão da EAP em níveis e destacando os pacotes de trabalho (Work Package):

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FIGURA 4: DECOMPOSIÇÃO DA EAP

FONTE: http://www.itnerante.com.br/profiles/blogs/pmbok-conceitos-b-sicos-ii-eap-tripla-restri-o-necessidades-x

Tipos de Estruturas Analíticas de Projeto

  1. EAP orientada à entrega – Construída em torno de resultados ou produtos desejados do projeto. Neste modelo identifica-se todos os resultados e trabalhos incluídos, como por exemplo, projetos públicos adquiridos como contratos de preço fixo. O nível 1 é o geral;  o nível 2 inclui as entregas do contrato do fornecedor que se imagina que faça parte, além de incluir qualquer entrega por parte da agência; o nível 3 são as atividades principais necessárias para a produção dos níveis da entrega; os níveis adicionais dependem da magnitude de detalhamento e necessidade das entregas.
  2. EAP orientada à processos – A única diferença desta para a primeira é que ela é organizada, no nível mais alto por fases ou etapas de um processo e não por resultados. Coimbra (2013) destaca que,  “na criação de uma EAP orientada à processos, todos os resultados são identificados, e todo o trabalho está incluído. Esta abrangência vai reduzir o risco “extra patrimonial” das tarefas de trabalho , o que pode ter impactos inesperados sobre o cronograma do projeto“.

 

A estrutura da Monografia

A estrutura do “produto monografia” contempla:

Elementos pré-textuais

São todos os elementos obrigatórios e opcionais os quais devem fazer parte da monografia. Normalmente são os primeiros a serem preenchidos de forma organizada e prazo definido, porém depende do orientador o fornecimento do template já formatado ou não, neste caso o aluno deve formatar de acordo com a norma ABNT. Os elementos são:

  1. Capa: Contendo o título do trabalho, o(s) autor(es), cidade e ano;
  2. Folha de Rosto: Com o nome completo do(s) autor(es), título do monografia, explicação rápida e clara dos objetivos do trabalho, nome da instituição de ensino e novamente a cidade e o ano da entrega;
  3. Folha de Aprovação: Deve conter a data da aprovação, nome completo dos integrantes da banca avaliadora e local para assinatura de cada um deles;
  4. Dedicatória (opcional): Pequeno texto em que o autor dedica o trabalho a alguma pessoa;
  5. Agradecimentos  (opcional): Visa a agradecer pessoas que contribuíram de forma indireta, como a família, professores, prestar homenagens e etc;
  6. Epígrafe  (opcional): Pensamento de algum outro ator que seja preferencialmente ligado ao tema;
  7. Resumo: É uma síntese dos pontos relevantes da monografia, em linguagem clara, concisa e direta, contendo no máximo 500 palavras;
  8. Sumário: Relacionar de maneira macro as divisões do trabalho, os capítulos e as seções, com a indicação das páginas onde se iniciam cada uma delas;
  9. Lista de Ilustrações  (opcional)
  10. Lista de Abreviaturas e Siglas  (opcional)
  11. Listas de Notações  (opcional)

Elementos textuais

Esta parte engloba as subdivisões para a Introdução na EAP do desenvolvimento da monografia, como veremos mais à frente: os objetivos geral e específicos do tema escolhido, a delimitação do estudo, justificativa, a metodologia utilizada, estrutura do trabalho e a revisão da literatura, lembrando que tudo que é escrito deve ser fundamentado, por meio de citações e referências, e durante o post isto será repetido inúmeras vezes para que não caia em esquecimento. Nestas etapas ficam claro o conteúdo geral do trabalho, sendo determinado com clareza o início, meio e fim. Em termos gerais, os elementos são:

  1. Introdução
  2. Desenvolvimento
  3. Conclusão

Pós-textuais

São os elementos que concluem sua monografia:

  1. Referências Bibliográficas
  2. Obras Consultadas (opcional)
  3. Apêndices (opcional)
  4. Anexos (opcional)
  5. Glossário (opcional)

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FIGURA 5: ESTRUTURA DA MONOGRAFIA

FONTE: http://www.ebah.pt/content/ABAAAfBU0AB/9-monografia

A estrutura do gerenciamento da monografia pode ser considerada a EAP do “Projeto Monografia”, na qual serão subdivididas todas as entregas necessárias para atingir a meta, que é a nota 10. Este tipo de TCC não é algo que os estudantes estão acostumados a fazer como qualquer outro trabalho, e portanto deve ser gerenciado de forma eficaz. Ela tem caráter de pesquisa científica, que aborda determinado tema de forma mais ampla do que de costume, e é claro, deve seguir normas específicas. Toda monografia segue um processo de criação, e as etapas principais deste projeto, que podem ser consideradas fases da EAP,  são determinadas da seguinte maneira:

  1. Definição do tema – Nesta etapa o estudante pode subdividir as atividades para chegar ao tema escolhido, através de brainstorming por exemplo, e também analisar os riscos para o desenvolvimento deste tema. Ele deve ser bastante específico, e ser algo que realmente o estudante tenha interessa em escrever, para facilitar o desenvolvimento.
  2. Escolha do professor orientador – As subdivisões neste caso advém da escolha do orientador, que pode ser realizada através de eliminação, entrevistas, e dos processos durante a realização do TCC, e claro,  que seja da área de atuação do tema escolhido. Ele fará parte dos stakeholders do projeto, portanto também estará interessado no sucesso do projeto, então conclui-se que essa é uma etapa importante. O orientador ajudará nos primeiros passos do projeto, e principalmente nas revisões sobre a estrutura do trabalho e seu desenvolvimento. Uma atividade importante é perguntar à outros estudantes a experiência que tiveram com o professor escolhido.
  3. Monografia e Cronograma – O cronograma é uma etapa à parte da EAP, mesmo que faça parte do planejamento do projeto. Porém, nesta etapa podemos determinar as atividades para agendamento com orientador, pesquisas extras, determinar os recursos disponíveis, seja de tempo ou dinheiro, e verificar a estrutura antes de iniciar o Projeto. É importante que se cumpra os prazos estabelecidos, para que não se chegue na última hora com tudo por fazer. Mas vale destacar que, a EAP NÃO é um cronograma, e nem os pacotes de trabalho estão dispostos em ordem cronológica. E um bom orientador saberá deixar bem claro isso para o estudante.
  4. Desenvolvimento da monografia ( Introdução, desenvolvimento e conclusão) – Este é o ponto crucial do projeto, pois é nele que o estudante já terá uma boa ideia do que será escrito, e terá estudado bastante à respeito do tema. As atividades desta etapa devem ser subdivididas a gosto do estudante, porém sem fugir muito da proposta do orientador. Vale ressaltar que um bom gerenciamento de um projeto traz qualidade ao resultado final, e este é um objetivo comum para todos os interessados. Todo o desenvolvimento da monografia deve ser referenciado, citando o autor das ideias expostas, e durante a escrita é importante salvar as referências e figuras que agregarão valor ao trabalho. Todas essas atividades podem ser exemplificadas na EAP do “Projeto Monografia”, e é importante se atentar para as normas da ABNT em relação ao template da monografia e as citações. As considerações finais  podem haver comentários pessoais, mas é sempre relevante a revisão do orientador para que tudo saia conforme o planejado.
  5. Apresentação do TCC – A apresentação é realizada para uma banca de “julgadores”, normalmente formada por professores,  que analisarão a defesa de sua monografia e farão perguntas relacionadas ao tema. E se seu objetivo inicial for cumprido, pode-se considerar que todo o gerenciamento do projeto foi feito de maneira correta, seguindo o escopo e as atividades da EAP.

 

Portanto, através da EAP, podemos construir uma monografia através de fases, com um gerenciamento contínuo das atividades. É clara para todos os estudantes a necessidade de uma monografia bem feita, pois além de serem avaliados, eles estarão demonstrando através de embasamentos, parte do conhecimento adquirido ao longo da jornada acadêmica. A fim de lembrança, todo projeto deve ter uma EAP, será que podemos aplicá-la na formação acadêmica? Ou quem sabe no projeto de vida? Não se engane, fazemos isso todos os dias de forma inconsciente, por isso nos adaptamos às mudanças e resolvemos os percalços ao longo do caminho, sempre mensurando riscos e incertezas. E o objetivo final é o sonho realizado, seja ele qual for.

 

Referências Bibliográficas

COIMBRA, PMP – Criar a estrutura analítica do projeto – 7 de outubro de 2013. Disponível em: <https://projetoseti.com.br/criar-a-estrutura-analitica-do-projeto-eap/&gt; Acesso em: 10 nov. 2017.

COMO FAZER MONOGRAFIA. Disponível em: <www.portaldotcc.com.br/como-fazer-monografia/> Acesso em: 26 out. 2017.

DECOMPOSIÇÃO DA EAP. Disponível em: <http://www.itnerante.com.br/profiles/blogs/pmbok-conceitos-b-sicos-ii-eap-tripla-restri-o-necessidades-x&gt; Acesso em: 01 nov. 2017.

DICIONÁRIO DA EAP. Disponível em: <https://projetoseti.com.br/criar-a-estrutura-analitica-do-projeto-eap&gt; Acesso em: 01 nov. 2017.

EAP. Disponível em: <http://www.gp4us.com.br/eap-estrutura-analitica-do-projeto/&gt; Acesso em: 01 nov. 2017.

ESTRUTURA DA MONOGRAFIA. Disponível em: <http://www.ebah.pt/content/ABAAAfBU0AB/9-monografia&gt; Acesso em: 01 nov. 2017.

JUNIOR, A. – PMBOK: Conceitos Básicos II – EAP, Contas de Controle, Tripla Restrição, Necessidades x Objetivos e Escopo – 3 de setembro de 2012. Disponível em: <http://www.itnerante.com.br/profiles/blogs/pmbok-conceitos-b-sicos-ii-eap-tripla-restri-o-necessidades-x&gt; Acesso em: 05 nov. 2017.

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, PMI. Project Management Body of Knowledge Guide – PMBOK. 4. ed. Newton Square, PA: PMI Publications, 2008.

WORK BREAKDOWN STRUCTURE. Disponível em: <http://blogdoabu.blogspot.com.br/2010/05/scrum-para-pmps-escopo.html&gt; Acesso em 01 nov. 2017.

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