O título deste post não é por acaso, esta frase é de um dos cocriadores do framework Scrum, Jeff Sutherland. Esta metodologia de desenvolvimento ágil tem como objetivo realizar projetos com grande eficiência, evitando desperdício de dinheiro e tempo. Com pequenas equipes trabalhando em ciclos rápidos é possível controlar processos com uma abordagem iterativa e incremental para se obter uma previsibilidade e um controle de riscos, para isso existem três pilares para o controle de riscos: Transparência, Inspeção e Adaptação.

O framework Scrum foi criado na década de 1990 por Jeff Sutherland, John Scumniotales e Jeff McKenna. O Scrum é como uma metodologia de desenvolvimento ágil e flexível, e tem como objetivo elaborar um processo interativo e incremental para o gerenciamento de atividades complexas. Este framework junta conceitos do sistema Lean de produção, desenvolvimento iterativo e do estudo de Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka, num artigo onde apontaram que projetos com pequenas equipes e variadas era possível alcançar os melhores resultados, comparando estas equipes com o Scrum do Rugby (formação de reinício de jogada onde os times se empurram com o objetivo de ganhar a posse de bola) como podemos ver na Figura 1, equipes trabalhando atrás de um mesmo objetivo.

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Figura 1 – Desenvolvimento Scrum vs. Rugby / Fonte: https://stackify.com/what-is-scrum-development-vs-rugby/

         A ideia principal do Scrum é o controle de processos empíricos, com foco na entrega de valor no menor tempo possível. No gerenciamento de projetos, o Scrum divide os projetos em ciclos repetitivos e curtos, para que sejam dinâmicos e possam ser corrigidos ao longo do tempo, são incrementais e iterativos. Estes ciclos, que podem durar de duas a quatro semanas são chamados de Sprints.

         O Scrum tem aplicação em qualquer projeto, inclusive projetos de grande complexidade e tem maior efetividade em projetos curtos e de natureza tecnológica, que utilizem o modelo Homem/Hora de precificação. Sua aplicação é direcionada principalmente para a etapa de execução de um projeto, sem referências para etapas como iniciação ou encerramento.

Para um time Scrum é importante que os integrantes sejam autogerenciáveis e multidisciplinares. Este Time precisa de profissionais seniores para que consiga bons resultados, pois este framework não é de fácil aplicação.

Um Time Scrum é composto por três papéis, como visto na Figura 2: Scrummaster, Product Owner e o Time.

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Figura 2 – Papéis no Scrum / Fonte: BASSI, Giovani. Disponível em: https://pt.slideshare.net/giovanni.bassi/entendendo-o-scrum-e-como-ele-se-encaixa-na-plataforma-microsoft-2056185 Acesso em: 03 nov. 2017
  • Scrummaster

O Scrummaster garante que os valores e regras do Scrum estão sendo postos em prática, além de treinar e desenvolver o Time, ajudando a entender e usar o autogerenciamento e a interdisciplinaridade, desta forma, o Time Scrum deve seguir o Fluxo Scrum.

  • Product Owner

O Product Owner (Dono do produto) é o responsável pelo gerenciamento do Backlog do Produto e por garantir o valor do trabalho realizado pelo Time. Ele deve entender o negócio do produto e entregar valor ao cliente.

  • Time

São os responsáveis por criar valor no produto, devem ter conhecimentos interdisciplinares para criar um incremento no trabalho. Podem utilizar conhecimentos específicos mas o mais importante é que estes tenham a capacidade de transformar este conhecimento em um produto utilizável. No Time, não tem títulos, todos são iguais.

Artefatos

         A arquitetura do framework Scrum é baseada em três artefatos: o Backlog, a Sprint e a Reunião diária, como vemos na Figura 3.

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Figura 3 – Arquitetura Framework Scrum / Fonte: Disponível em: http://grupohungria.com.br/2016/04/25/arquitetura-framework-scrum/ Acesso em: 03 nov. 2017

O Backlog é o principal artefato do Scrum. Consiste dos requisitos do produto a ser entregue, assim como o entendimento necessário para atendê-los. É uma lista de tudo que envolve a versão futura do produto, como funções, tecnologias, melhorias e correções.

A Sprint é uma iteração e um evento time-boxed, ou seja, que tem uma duração fixa e é restrita a um trabalho definido. A Sprint consiste de reuniões de planejamento, desenvolvimento, revisão e retrospectiva da Sprint, uma após a outra sem intervalos e na sequência correta.

Reunião diária é o momento em que os Times se encontram e tem uma reunião de no máximo 15 minutos, com o objetivo de que cada membro do time explique de forma breve:

  • O que ele realizou desde a última reunião diária.
  • O que ele vai realizar até a próxima reunião diária.
  • Quais obstáculos estão em seu caminho.

Exemplo de utilização do Scrum:

Neste post vou utilizar como exemplo da utilização do Scrum um Estudo de Caso realizado por estudantes de Ciências da Computação e Informática, sobre uma empresa de desenvolvimento de software que implantou o Scrum como metodologia de gerenciamento de projetos e analisou os desafios encontrados pelo Time e os indicadores de produtividade do projeto de software.

A empresa de desenvolvimento de software visava melhorar o gerenciamento de projetos na organização e o primeiro passo para isso foram várias mudanças principalmente culturais e treinamentos para que os colaboradores pudessem acompanhar o uso da metodologia.

O segundo passo foi o planejamento inicial do projeto, definindo a duração da Sprint, que ficou definido em três semanas, para que fosse entregue uma parte incremental do produto. No total foram definidas 5 Sprints até a conclusão do projeto.

Então, a empresa definiu as atividades a serem realizadas e enquadraram estas no Backlog. Com o plano de projeto montado e apresentado ao cliente, foram definidas as prioridades das atividades e a equipe partiu para o planejamento das Sprints, para definir quais seriam as atividades executadas naquela Sprint.

O terceiro passo foi a execução de cada Sprint. A cada 3 semanas havia uma entrega e junto dela, uma revisão da Sprint e uma retrospectiva da Sprint logo em seguida, para se notarem as lições aprendidas.

O resultado prático do uso do Scrum nesta empresa foi satisfatório, o projeto foi entregue antes do prazo previsto e com um orçamento menor. A equipe evoluiu com este projeto, se tornando mais segura e autogerenciável. O gerente do projeto notou que havia facilidade em solucionar impedimentos no projeto uma vez que estes eram descobertos de forma precoce por conta do jeito que o Time trabalhava.

Como vemos na Tabela 1, o Time não alcançou a produtividade planejada, mas ainda assim conseguiu um resultado melhor do que antes da implantação do desenvolvimento ágil do Scrum na organização.

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Tabela 1- Produtividade da equipe / Fonte: Gestão de Projeto com Scrum: Um Estudo de Caso

Através da utilização do framework Scrum a empresa conseguiu entregar seu projeto em 4 meses, onde o previsto era de 5 meses e houve uma diminuição no orçamento, aumentando a margem de lucro da empresa. Esta empresa, adepta da melhoria contínua pretende prosseguir com os treinamentos e o uso da metodologia Scrum para alcançar cada vez resultados mais satisfatórios com relação ao desempenho do Time Scrum.

 

Referências Bibliográficas:

BISSI, Wilson. SCRUM – Metodologia de desenvolvimento ágil. Campo Digital, [S.l.], v. 2, n. 1, p. 03-06, jan. 2007. ISSN 1981-092X. Disponível em: http://revistas.bvs-vet.org.br/campodigital/article/view/30944. Acesso em: 01 nov. 2017.

CLAYPOOL, Kyle. Scrum – Developers VS. Rugby Players, 2017 https://stackify.com/what-is-scrum-development-vs-rugby/. Acesso em: 02 nov. 2017.

CRUZ, F. Scrum e PMBOK unidos no Gerenciamento de Projetos. Rio de Janeiro: Brasport, 2013.

CRUZ, F. Um guia definitivo para o Scrum: As regras do jogo ScrumInc., 2016

Gestão de Projeto com Scrum: Um Estudo de Caso.  Disponível em: http://www.enucomp.com.br/2012/conteudos/artigos/scrum.pdf Acesso em: 03 nov. 2017

 

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