Você já ouviu falar em Project Model Canvas?  Saiba um pouco mais sobre essa ferramenta utilizada para simplificar o planejamento do seu projeto!

Criado por José Finocchio Júnior, o Project Model Canvas (PMC) apresenta uma forma de planejar os projetos de forma mais visual e colaborativa utilizando uma folha no formato A1, post-its e canetas.

O PMC tem como finalidade fornecer um método prático que organize as ideias, deixe claro os objetivos e as fases, tornando todo o projeto compreensível rapidamente.

De acordo com o Finocchio Júnior (2013), o Project Model Canvas pode ser utilizado de duas maneiras diferentes: Como único documento do planejamento ou como ferramenta para organização do projeto para que posteriormente o Gerente de Projeto elabore de modo formal o plano do projeto.

Finocchio Júnior também frisa que o PMC não deve ser confundido com um fluxograma, já que esse mostra apenas uma sequência de passos enquanto a sua metodologia visa mostrar as relações entre os conceitos.

Na dinâmica de construção do Canvas, existem apenas duas regras: deve ser feito em equipe e uma das pessoas envolvidas deve possuir conhecimentos básicos de gestão de projetos.

Um processo com quatro etapas e com ordem predeterminada deve ser seguido para a sua construção.

As quatro etapas da metodologia são as seguintes:

a) Conceber:

Nessa etapa são respondidas as seis perguntas fundamentais, que são: “Por que? O que? Quem? Como? Quando e Quanto?”. As questões são respondidas em sequência determinada da esquerda para a direita.

O PMC conta com cinco áreas, onde cada uma representa uma função de planejamento específica, agrupadas em blocos, apresentado na Fig. 1 (Finocchio Júnior, 2013).

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Figura1. Perguntas fundamentais do PMC (Costa, 2014)

As perguntas fundamentais são perguntas que definem o projeto de maneira que qualquer um entenda. À medida que são respondidas, torna mais fácil responder às sucessoras. Os componentes, os quais são conceitos clássicos de gerenciamento de projeto, aparecem na ordem em que serão preenchidos.

Cada coluna tem uma cor diferente que corresponde às perguntas fundamentais, como pode ser observado na Figura 1, e o relacionamento das perguntas fundamentais com os componentes (Figura 2). A seguir, uma breve descrição de cada componente é apresentada, na ordem de preenchimento agrupado à sua pergunta fundamental (FINOCCHIO JÚNIOR, 2013).

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    Figura 2 – Áreas do Canvas. Fonte: Finocchio Júnior (2013)

  1. POR QUE fazer o projeto?
  • Justificativa: são os problemas e necessidades não atendidas ou oportunidades ainda não exploradas que comprovem a relevância do projeto.
  • Objetivo do Projeto: Indica o que o projeto permitirá que seja alcançado ao utilizar todos os esforços e recursos disponíveis. Deve ser escrito no formato SMART (sigla que deriva das iniciais de cinco palavras em inglês que significam Específico, Mensurável, Alcançável, Realista e Delimitado no Tempo).
  • Benefícios: são as melhorias e o valor agregado que o projeto produzirá. Devem ser quantificáveis, como por exemplo: redução de custos, aumento de receita, impactos ambientais e sociais, e poderão ser mensurados após finalização do projeto com o intuito de verificar se o projeto teve êxito.
  1. O QUE o projeto produz?
  • Produto: é o que será entregue ao Cliente no final do projeto. Pode ser um produto, um serviço ou um resultado.
  • Requisitos: são as informações de alto nível que o Cliente passa para a Equipe do Projeto sobre o comportamento, funções, qualidade, desempenho e confiabilidade que o produto deverá possuir. É comum colocar os post-its de requisitos mais prioritários no topo do bloco, diferenciando os requisitos necessários dos que são apenas desejáveis.
  1. QUEM trabalha no projeto?
  • Stakeholders externos: são todas as pessoas ou organizações envolvidas ou afetadas pelo projeto e que não trabalham nele; ou Fatores externos que são os fatores que de alguma maneira poderão afetar o planejamento do projeto de maneira significativa. Os stakeholders ou fatores externos devem ser monitorados pelo Gerente do Projeto.
  • Equipe: são todas as pessoas que trabalham no projeto ou fazem entrega para ele.
  1. COMO vamos entregar o projeto?
  • Premissas: são suposições dadas como certas no plano do projeto sobre componentes que não estão sob o controle e a influência do Gerente do Projeto. As premissas quando aprovadas pelos Stakeholders, protegem o Gerente do Projeto e garantem que as promessas de tempo e de custo só serão consideradas se as premissas valerem e forem verdadeiras.
  • Grupo de Entregas: são as partes menores que, uma vez integradas, garantirão que o projeto seja concluído, sendo possível a entrega do produto final. Essas entregas são palpáveis, mensuráveis e verificáveis.
  • Restrições: são limites impostos, originados tanto dos Stakeholders quanto da Equipe do Projeto, que diminuem a liberdade de opção. Elas devem ser específicas, sempre que possível quantificáveis e indicar quem estabelece a limitação e quem é limitado.
  1. QUANDO o projeto será concluído e QUANTO custará?
  • Riscos: são as incertezas que efetivamente podem afetar os objetivos do projeto. Uma vez identificados, eles deverão ser gerenciados para proteger os objetivos do projeto. No processo de gerenciamento de riscos, deve-se identificar, avaliar e destacar os mais relevantes. Para cada risco encontrado, deve-se desenvolver e implementar respostas.
  • Linha do Tempo: Trata-se de uma linha de compromissos acordada entre as pessoas que estão elaborando o Canvas. Nela são assumidas as datas de compromisso das entregas.
  • Custos: são estimados por grupos de entrega em ordens de grandeza. É adicionada ao custo total do projeto uma reserva proporcional ao risco do projeto. Em um momento inicial não é obrigatório estimar o valor exato e absoluto, mas é recomendado mostrar em forma de intervalos de possíveis valores.

b) Integrar

Nessa etapa é necessário investigar  se há coerência entre os blocos do Canvas. A metodologia PMC fornece um Protocolo de Integração que é um conjunto de apurações predeterminadas e que são feitas numa sequência coesiva. Ele é composto por oito passos, que são:

  1. Os pontos mencionados nas justificativas são sanados?
  2. O objetivo se revela suficiente e necessário?
  3. Todos os requisitos “têm dono” e definem o produto?
  4. Estão subordinados ao projeto aqueles que precisam estar?
  5. Obtivemos convergência formulando premissas válidas?
  6. As limitações aplicáveis ao trabalho estão identificadas na forma de restrições?
  7. Os riscos cobrem o que já sabemos do projeto e vislumbram, ao mesmo tempo, o que ainda não sabemos?
  8. O cronograma e o orçamento estão orientados por entregas?

c) Resolver

Essa etapa serve para identificação dos pontos travaram, por falta de informações ou indefinições. A etapa da resolução do projeto segue  mesmo fluxo da etapa de concepção, respeitando a ordem das perguntas fundamentais. Para resolução desses pontos, Finocchio Júnior (2013) sugere três passos fundamentais, que são:

  1. Identificar o nó: Neste passo deve-se definir bem qual é o problema que atrapalha a concepção do projeto;
  2. Lição de casa: Levar o problema para a organização e dar espaço para propostas;
  3. Alterar o Canvas: Com a solução em mãos, avançar na concepção do plano.

d) Comunicar / Compartilhar:

Sendo executadas revisões de diferentes pontos de vista do canvas do projeto, ele está apto a ser base para construções de documentos de acordo com a necessidade da organização. Ele pode utilizado como base para criação de outras documentações do projeto como cronogramas, plano de projetos formais e orçamentos e apresentações.

O Project Model Canvas é um modelo mental simplificado e poderoso. Trata-se de uma ferramenta para unir pessoas, definir colaborativamente o que necessita ser feito e apoiar a prática do projeto. O PM Canvas serve como uma matriz lógica que comporta derivações e desdobramentos (FINOCCHIO JÚNIOR, 2013).

 

Referências Bibliográficas 

USO DO PM CANVAS NO PLANEJAMENTO DE PROJETOS – ESTUDO DE CASO, Disponível em <https://www.researchgate.net/profile/Kelvin_Alves_Pinheiro/publication/315010065_Uso_do_PM_Canvas_no_Planejamento_de_Projetos_-_Estudo_de_Caso/links/58c82939aca2723ab16b1f0a/Uso-do-PM-Canvas-no-Planejamento-de-Projetos-Estudo-de-Caso.pdf >. Acessado em nov. 2017.

Costa, A.P.A.da, “Panejar projetos com o uso da metodologia PMC”, Disponível em <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1964&gt;. Acessado em nov. 2017.

PROJECT MODEL CANVAS MODO QUADRO INTERATIVO, Disponível em <http://bd.centro.iff.edu.br/handle/123456789/1055&gt;. Acessado em nov. 2017.

MASSARO, F. Planejamento ágil de projetos com Project Model Canvas, 2014. Disponível em: <http://www.tiespecialistas.com.br/2014/09/planejamento-agil-de-projetos-com-project-modelcanvas/&gt; . Acessado em nov. 2017.

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