Alunos universitários do Rio de Janeiro, em prol do esporte criam equipes de diferentes modalidades esportivas para disputar competições entre faculdades, promovem integração entre os alunos e buscam disseminar o esporte universitário.

Imagina-se que a cidade que nos últimos dez anos já sediou os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos (2007), os Jogos Mundiais Militares (2011), os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (2016), e participou dos Jogos das Confederações (2013) e da Copa do Mundo de Futebol (2014) tenha uma forte integração do esporte no seu cotidiano. Com tantos exemplos praticados nesses eventos, imagina-se que as políticas públicas e as iniciativas privadas tenham constatado a dimensão do esporte, não só como competição e saúde, mas como forma de difundir valores, tais como: ética, moral, excelência, amizade, solidariedade, respeito e fair play; e como uma ferramenta de integração e inclusão social.

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Figura 1 – Estudantes esportistas Universidade Veiga de Almeida – Tijuca / Fonte: https://www.facebook.com/autengenharia/photos/a.1405413676173135.1073741878.550561521658359/1405425612838608/?type=3&theater

É… imagina-se, pena que não é de fato assim.

Hoje, no entanto, o esporte ainda encontra dificuldades para sobreviver e se multiplicar. O número de esportistas no Rio de Janeiro é imenso e poderia ser muito maior caso políticas concretas voltadas ao esporte fossem presentes ou pelo menos sendo planejadas na maioria das universidades. Ao passo que o número de alunos que poderiam se tornar atletas também é grande. E esse momento de transição é muito importante para o indivíduo, visto que, os estudos e as pesquisas científicas aliadas ao esporte, promovem tanto o desenvolvimento físico, como também, o mental e o intelectual.

Diante da situação exposta, projetos esportivos desenvolvidos pelos próprios alunos vêm crescendo dentro das universidades: as atléticas.

De acordo com a PMBOK, “projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo”. No caso, as atléticas têm como objetivo principal criar equipes de diferentes modalidades esportivas que disputem competições com outras equipes universitárias. Cada atlética tem um aluno responsável e assessores em funções específicas que cooperam no gerenciamento do projeto. E para que o resultado seja atingido, algumas áreas de conhecimento devem ser levadas em conta: escopo, tempo, recursos financeiros, recursos humanos, qualidade e comunicação.

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Figura 2 – Áreas de conhecimento do projeto / Fonte: https://www.iibcouncil.org/img/i-business/Project-Management-Scope-01.png

 

Nas reuniões iniciais é definido o escopo, buscando assegurar que os objetivos específicos e todo o trabalho necessário para terminar o projeto sejam atingidos com sucesso. Logo, no escopo não é pensado somente nas equipes em si, mas no todo, como:

  • Orçamentos e custos para a temporada;
  • Selecionar um técnico / treinador para cada modalidade esportiva
  • Propiciar boas condições de trabalho ao treinadores
  • Buscar alunos qualificados para compor as equipe;
  • Buscar parcerias e patrocínios;
  • Preparar infra-estrutura para atender as necessidades das equipes;
  • Planejar os campeonatos disputados no semestre ou ano e qual o objetivo à atingir em cada um;
  • Planejar metas de qualidade;

Nenhum cronograma é perfeito, mas isso não impede que projeto seja estimado da melhor forma possível. Logo, o tempo é importantíssimo para a definição de prioridades, redução de gastos, cumprimento de prazos e tempo de execução de cada tarefa. Exemplos:

  • Período de treinamento da equipe na semana;
  • Período do início dos treinamentos até o início da competição;
  • Gerenciar o horário de aulas na universidade com os horários de treino ou jogo;
  • Período para promover eventos que gerem arrecadação financeira.

Os recursos financeiros geralmente são limitados. As atléticas promovem eventos, vendem produtos personalizados (camisas, bermudas, casacos, canecas) e arrecadam com o investimento de alunos/atletas que ingressam nas equipes para obter recursos para a manutenção das despesas, conforme abaixo:

  • Pagamento de técnico/treinador para cada modalidade esportiva;
  • Aluguel de um espaço adequado para treinamentos, quando a própria universidade não dispõe ou não atende a esse requisito;
  • Materiais de treinamento, como: bolas, cones, coletes, água, garrafas de água, dentre outros;
  • Pagamento de uniformes;
  • Pagamento de inscrição em campeonatos;

Os recursos humanos incluem processos que organizam, gerenciam e guiam a equipe do projeto. Logo, alunos são procurados, selecionados, integrados, estimulados e coordenados para produzir resultados para o projeto e para o próprio desenvolvimento também.

 

 

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Foto 3: Trabalho em equipe / Fonte: http://pt.inmagine.com/image/search.php?search=young+sport+team&image_id=15062937&page=1

O gerenciamento da qualidade abrange a satisfação das partes envolvidas com o projeto que está se desenvolvendo. Analisa-se a conformidade com os requisitos e a adequação ao uso, ou seja, o serviço produzido tem que satisfazer as necessidades reais. Portanto, os responsáveis buscam pessoas que melhores atendam os requisitos estabelecidos para se encaixar a equipe.

A comunicação é importante em todos as atividades do dia-a-dia. A efetividade nas tomadas de decisão, nas autorizações de trabalho, nas negociações, e no direcionamento de atividades são diretamente relacionadas com uma correta comunicação entre as partes. De acordo com o PMBOK, os Líderes de Projetos dedicam 90% do seu tempo em comunicação segundo pesquisas estatísticas realizadas em projetos bem-sucedidos. E segundo o Guia PMBOK, “o gerenciamento das comunicações do projeto inclui os processos necessários para assegurar que as informações do projeto sejam geradas, coletadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas e organizadas de maneira oportuna e apropriada.”

Os passos para consolidar a formação das equipes com qualidade não são fáceis, ainda mais com limitações financeiras, um gerenciamento não profissional e a falta de incentivo institucional. Logo, a integração entre os alunos é fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas, para a utilização dos recursos de forma eficiente, e para o alcance da qualidade e da performance desejadas, buscando assim, que os valores do esporte sejam difundidos no âmbito universitário e que as equipes se desenvolvam ao máximo possível.

 

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Foto 4: Equipe de futebol de engenharia da Universidade Veiga de Almeida unidade Tijuca – Campeão dos Jogos Integrados de Engenharia 2016  / Fonte: scontent-gru2-2.xx.fbcdn.net/v/t1.0-9/13344773_1040599059321267_386142059324639113_n.jpg?oh=04030ebd9ab78eb2de13a72719589ae9&oe=5A1A1209

Em suma, mesmo sem a estruturação de políticas públicas e o incentivo pela maioria das universidades do Rio de Janeiro para a inserção do esporte na formação do aluno, o esporte universitário vem crescendo. A integração, o comprometimento e a estrutura organizacional dos alunos vem promovendo a valorização do esporte; e a qualidade e o sucesso das competições esportivas, como também vem contribuindo para o desenvolvimento do ser humano.

 

Referências Bibliográficas:

ESPORTE. Disponível em: < http://www.esporte.gov.br/arquivos/rio2016/cadernoLegadosSocial.pdf >

FÁBIO CRUZ. Disponível em:
< http://www.fabiocruz.com.br/o-futebol-como-exemplo-de-gerenciamento-de-projetos >

HELDMAN, Kim. Gerência de Projetos: guia para o exame oficial do PMI.  Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

O TEMPO. Disponível em:
< http://www.otempo.com.br/superfc/no-brasil-esporte-universit%C3%A1rio-n%C3%A3o-%C3%A9-levado-a-s%C3%A9rio-1.699283 >

PMBOK GUIDE. Guide to project management body of knowledge. 5.ed. Português. New York: Project Management Institute, 2013.

VALERIANO, D. Moderno gerenciamento de projetos. 2. ed. Pearson Education do Brasil – São Paulo, 2015

 

 

 

 

 

 

 

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