Vilas Olímpicas são consideradas uma das principais formas de mudar o caminho de muitas crianças que poderiam, por exemplo, estar indo para a vida do crime, dando a elas chance de se tornarem cidadãos de bem e nos melhores casos atletas de alto nível.

As Vilas Olímpicas, apesar do seu nome, não tem nenhuma relação com as Olimpíadas. A primeira dessas Vilas foi aberta há 35 anos atrás, em 1982 (mil novecentos e oitenta e dois), antes de se pensar em qualquer Olimpíadas no Brasil, constituindo uma resposta a demanda social da época.

Esses equipamentos surgiram, em meio a problemas sociais no Município do Rio de Janeiro, como um dos principais projetos socioesportivos, que utilizam o esporte com a finalidade social de ajudar a comunidade na qual ela está localizada.

 

WhatsApp Image 2017-09-04 at 15.14.08

Figura 1 – Vila Olímpica Carlos Castilho  / Fonte: do Autor

 

A primeira Vila a ser inaugurada foi o Centro Esportivo Miécimo da Silva localizada em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Esse centro constitui o maior complexo esportivo pertencente a uma Prefeitura em todo o Brasil, com uma área total de 64 mil metros quadrados e capacidade para abrigar 3.835 (três mil oitocentos e trinta e cinco) espectadores no ginásio e 1.953 (hum mil novecentos e cinquenta e três) no estádio, encontrando-se hoje em processo final de licitação.

Nesse sentido, por apresentarem finalidades sociais, as Vilas Olímpicas foram inauguradas em locais que apresentavam baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e baixo Índice de Desenvolvimento Social (IDS) – segundo Manual das Vilas Olímpicas da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro (2008) apud Machado e Vargas. Objetivando diminuir a evasão escolar e gerar inclusão de portadores de deficiência, tornou incumbência ainda desses projetos promover a fomentação da atividade econômica, aumentar a expectativa de vida da terceira idade, diminuir a ocorrência de casos de problemas respiratórios, democratizar o acesso ao lazer, promover a valorização da família e descobrir talentos esportivos.

Segundo Tony Torres, Diretor Presidente do Instituto Fair Play, em documentário realizado em junho de 2017 para alunos da Universidade Veiga Almeida, as Vilas são consideradas um dos espaços mais democráticos de todos, onde uma criança pode entrar descalço, sem documento algum, que ela não será impedida de participar das atividades de lazer. Ressalte-se ainda o auxílio recebido por essa criança através de uma equipe multidisciplinar, possibilitando o crescimento e apoio desse indivíduo e de sua família.

 

WhatsApp Image 2017-09-04 at 15.14.07

Figura 2 – Vila Olímpica Clara Nunes  / Fonte: do Autor

 

Atualmente essas Vilas são geridas por Organizações Sociais qualificadas na área do Esporte, que possuem como objetivo agilizar a tomada de decisões e aproximar o trabalho às demandas sociais dos entornos das Vilas. Isso inclui gerar uma integração com as Escolas da Rede Municipal de Ensino em um raio de 2 km² (dois quilômetros quadrados), número este definido nas Convocações Públicas, no item programa de trabalho apresentado na licitação de eventos, atendimentos sistêmicos e de trabalho voluntário, publicado no Diário Oficial do Rio.

Para ter uma ideia de quantos atendimentos são feitos nas Vilas Olímpicas, considerando os dados no Parque das Vizinhanças Dias Gomes ( piscinão de Deodoro) são feitos em média 34.480 (trinta e quatro mil quatrocentos e oitenta) atendimentos por mês, sendo considerada uma Vila média, segundo I Relatório Trimestral de prestação de contas da OS gestora do Parque Das Vizinhanças Dias Gomes, Piscinão De Deodoro, Julho A Setembro de 2016.

Cada uma das Vilas possui seu próprio orçamento sendo ele referente a todas as necessidades para o funcionamento dela, podendo variar de R$ 90.000,00 (noventa mil reais) a R$ 638.000,00 (seiscentos e trinta e oito reais) mês, dependendo do tamanho e de suas peculiaridades, através de um contrato com a Prefeitura do Rio de Janeiro de 2 anos de gestão, podendo ser renovado por mais 2 e em seguida por mais 1 ano.

 

WhatsApp Image 2017-09-04 at 15.14.06

Figura 3 – Vila Olímpica Clara Nunes  / Fonte: do Autor

 

Desde a implantação desses equipamentos, tem se percebido uma melhora no IDH e no IDS das regiões onde estão localizados. Essas Vilas tem revelado, inclusive, atletas olímpicos como Érika, Clarissa e Isabela, que integram a seleção olímpica brasileira de basquete, além de servirem como região “neutra” em certos locais dominados por duas ou mais facções criminosas. Exemplo disto é a Vila Olímpica da Maré, considerada uma região “neutra” a qual não sofre nenhum tipo de influência de tais facções. A consideração a esse espaço é tão grande que as próprias facções tomam o cuidado em não prejudicar o funcionamento do local.

 

WhatsApp Image 2017-09-04 at 15.14.06 (1)

Figura 4 – Vila Olímpica Clara Nunes  / Fonte: do Autor

 

Diante do exposto, é possível verificar que o gerenciamento faz-se necessário nos mais diversos tipos de projetos. A gestão de Vilas Olímpicas, nesse sentido, deve ser dotada de seriedade e conhecimento técnico. A ausência de qualificação específica de muitos profissionais, por exemplo, poderia destruir todo o objetivo e finalidade de um projeto de alto nível.

WhatsApp Image 2017-08-28 at 00.38.48

Figura 5 – Vila Olímpica Dr. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira / Fonte: Google maps

 

A Figura 5 mostra a vista de satélite uma das Vilas Olímpicas mais novas,com uma peculiaridade de ter a parceria com a 10ª CRE agregando o Ginásio Experimental Olímpico (GEO), localizado em Pedra de Guaratiba, tendo diversas modalidades, desde natação, passando pelo futebol até ginasticas, atletismo e lutas.

Referências Bibliográficas:

Instituto Fair Play. I Relatório Trimestral Parque Das Vizinhanças Dias Gomes – Julho a Setembro de 2016. Rio de Janeiro, 2016.

MACHADO, Tibério Costa José; VARGAS, Angelo. Processo histórico de surgimento e disseminação das Vilas Olímpicas na sociedade carioca. Disponível em <http://www.efdeportes.com/efd171/vilas-olimpicas-na-sociedade-carioca.htm> Acesso em 28 de agosto de 2017

MAIORANO, Rodrigo F.; TORRES, Lucas S. R. (Org). Documentário sobre o terceiro setor. Disponível em <https://1drv.ms/v/s!AhEdy7oNVLTxgTmzHkWwS7aAAI7p> Acesso em 28 de agosto de 2017

Secretaria Municipal da Casa Civil. Convocação Pública CP 001/2017. Disponível em http://ecomprasrio.rio.rj.gov.br/editais/assinatura.asp. Acesso em 28 de agosto de 2017.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_Esportivo_Miécimo_da_Silva Acesso em 28 de agosto de 2017

http://www.rio.rj.gov.br/web/smel/exibeconteudo?id=106751  Acesso em 28 de agosto de 2017

https://www.sambarazzo.com.br/site/e-ai-noticias/valem-ouro-atletas-formados-na-mangueira-buscam-medalhas-na-rio-2016 Acesso em 28 de agosto de 2017

Figura 5:

Vila Olímpica Dr. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Disponível em <https://www.google.com.br/maps/place/Vila+Olímpica+Dr.+Sócrates/@-22.9896938,-43.6251551,224m/data=!3m1!1e3!4m8!1m2!2m1!1svila+olimpica+de+pedra+de+guaratiba!3m4!1s0x9befc5aed87287:0xe5c7ebc9ca66670b!8m2!3d-22.9901561!4d-43.6250363>Acesso em 28/08/2017

Figura de destaque de Vagner Luis Torres no Centro Esportivo Miécimo da Silva

Anúncios