Sabemos que projetos promissores poderiam obter sucesso se não fosse pela falta ou alguma deficiência em procedimentos técnicos/gerenciais, comprometendo o planejamento da gestão das fases, com atenção ao Escopo, Custos, Prazos, probabilidade de Riscos, e atenção aos Stakeholders envolvidos ao longo da execução dos mesmos. Com o objetivo de minimizar as ameaças e maximizar a confiança dos investidores no sucesso de um projeto foi criada a metodologia FEL, um instrumento eficaz para o suporte à decisão executiva, na medida em que confere previsibilidade, accountabillity, transparência e competitividade aos empreendimentos.

 

Uma das primeiras empresas a aplicar um processo de definição de projeto de fases separadas por portões de decisão foi a empresa EXXON na década de 1960.Na década de 1970, a empresa DuPont começou a empregar o termo FEL (Front-End Loading) para definir o desenvolvimento gradual e estruturado dos projetos. O processo de desenvolvimento de projetos de capital com suas fases e portões provavelmente foi desenvolvido em paralelo por diversas empresas e seu uso passou a ser cada vez mais frequente em indústrias dos mais variados ramos. Em 1981, a IPA (Independent Project Analysis) criou a base do que é hoje o FEL Index®, o índice que traduz o grau de maturidade de um projeto de capital durante o seu desenvolvimento. Na década de 1990, empresas de vários segmentos passaram a utilizar a metodologia FEL como forma de desenvolver seus projetos. A divisão dos projetos em fases tornou-se comum nos setores de Óleo & Gás, Petroquímico, Químico, Mineração e Metais.

O FEL parte do princípio de que a definição do projeto de forma cada vez mais assertiva resulta na redução da quantidade de possíveis claims (reivindicações) durante a fase de execução, justamente onde os custos para se alterar escopo e os processos técnicos são mais elevados. O resultado do FEL é um maior impacto na gestão do escopo, que por sua vez deve estar firmemente ligado à cultura organizacional (necessidade do negócio) da empresa.

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Figura 1: Custos x Etapas do Projeto / Fonte: https://pt.linkedin.com/pulse/em-qual-n%C3%ADvel-os-projetos-da-sua-empresa-est%C3%A3o-oliveira – Acesso em 01/09/2017.

O FEL divide-se em três etapas: FEL I, FEL II e FEL III. Para cada FEL tem-se um conjunto de atividades que entregam produtos específicos, dando suporte contínuo na tomada de decisão para o prosseguimento (ou não) do projeto (ou outro projeto interligado) para o próximo FEL. Os gates são as interfaces entre os FEL’s, ou seja, portões (requisitos) que devem ser superados para o avanço do projeto de maneira monitorada e bem gerenciada, antes de se iniciar as próximas atividades do projeto.

Vamos entender do que se trata cada etapa da metodologia FEL:

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Figura 2: Etapas FEL / Fonte: http://jgdiniz.blogspot.com.br/2014/11/fel-sistema-de-validacao-por-portoes-de.html – Acesso em 31/08/2017.

FEL 1 – Análise do Negócio

Objetivo: Validar a oportunidade comercial e selecionar as alternativas que serão analisadas na fase seguinte.

É a fase de definição do negócio, onde é validado o alinhamento estratégico e a análise de mercado. A engenharia associada é baseada em índices de projetos similares. Essa etapa implica na definição do escopo e os objetivos do empreendimento, bem como uma estimativa inicial do montante de investimentos, prevendo uma faixa de variação do custo entre -25% e +40%, além da análise da viabilidade do negócio, através do cálculo dos principais indicadores de viabilidade: o cálculo da TIR (Taxa Interna de Retorno), VPL (Valor Presente Líquido), VPI (Valor Presente do Investimento) e Payback Descontado. De uma forma geral, 75% dos projetos apresentados nessa fase não passam para o FEL 2, ou sejam, são abortados ou voltam para ser reavaliados (melhor estudados). Do ponto de vista estratégico, o uso dessa metodologia reduz a chance de insucessos e perdas financeiras. Dos 25% aprovados a passar pelo Portão ou Gate, as chances de aprovação aumentam, mas são demandadas novas avaliações e estudos.

FEL 2 – Seleção da Alternativa

Objetivo: Estudar as opções identificadas e direcionar o projeto a uma opção; refinar premissas, atualizar os dados econômicos e começar a definição do projeto.

É a fase da seleção da opção, na qual é decidido conceitualmente o escopo do projeto. O foco principal desta etapa é de desenvolvimento da engenharia conceitual de todas as opções listadas no FEL1, de modo a comparar as opções e definir, através do resultado da avaliação econômico-financeiro de cada opção, qual será encaminhada à fase seguinte.

Em FEL 2 o retorno financeiro é um parâmetro decisivo para que o projeto siga para a terceira etapa: caso não seja apresentado retorno acima da taxa mínima de atratividade, ou seja, apresente VPL (Valor Presente Líquido) menor que zero, o projeto é cancelado. Além dessa análise, é feita uma estimativa do dispêndio de capital (CAPEX) necessário para implantação do projeto, compensando o baixo conhecimento com imprecisão em contingência. A margem de erro do orçamento fica entre -15% a +30% – 45 pontos percentuais de variação. Dos projetos remanescentes do FEL 1, normalmente 50% deles seguem para a última e crucial etapa de validação – FEL 3.

FEL 3 – Planejamento da Construção

Objetivo: Desenvolver a engenharia detalhada, o plano de execução e a estimativa de custo detalhados para a alternativa selecionada na fase anterior.

Em FEL3 o foco é a construção, ou seja, a preparação do projeto para sua aprovação corporativa e futura implantação. Durante essa etapa, desenvolve-se o Projeto Básico, aquele, cujo detalhamento, permite assegurar estreita margem de erro entre o planejado e o realizado. O Projeto Básico inclui, além de maior detalhamento físico-financeiro, layout das instalações, dimensões definitivas dos equipamentos, diagramas de fluxo – tanto de processos produtivos e operacionais, como de instrumentação e instalações. A margem de erro do orçamento, nesse caso, reduz-se para -5% a +15% – 20 pontos percentuais de variação. Frequentemente chega-se a uma taxa de 90% de aprovação dos projetos que entraram no FEL 3.

Do início ao fim, resumidamente, temos uma taxa de 12% de projetos aprovados desde sua entrada no processo de seleção e avaliação caracterizado pela metodologia FEL.

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Figura 3: Fluxo de Ideias por etapa FEL / Fonte: http://jgdiniz.blogspot.com.br/2014/11/fel-sistema-de-validacao-por-portoes-de.html – Acesso em 31/08/2017.

Podemos concluir que a metodologia FEL foi idealizada com intuito de alcançar o que a visão tradicional de gerenciamento de projetos define a respeito de um projeto de sucesso, pois propicia o atendimento aos critérios de tempo, custo, eficácia e satisfação do cliente, já que garante prévia definição dos objetivos, do fluxo de informações e do planejamento de tarefas, tempo e recursos, para atingir os objetivos especificados.

Referências Bibliográficas

BARBOSA, POLIANA T.; PINHEIRO, NATALIA P. M.; SANTOS JUNIOR, WILSON L.. Metodologia FEL: Sua Importância na Avaliação de Riscos e Redução de Impactos em Escopo, Tempo e Custo de Projetos Complexos de Engenharia. Salvador – BA, 2013.

GALVÃO JUNIOR, PEDRO R.. Estudo de Ferramentas de Avaliação de Maturidade em Projetos e Capital. Belo Horizonte – MG, 2013

http://catalogodemineracao.com.br/artigo/a-aplicacao-da-metodologia-front-end-load-fel-em-projetos-minerais-de-pequeno-a-medio-porte-uma.html – Acesso em 31/08/2017.

http://jgdiniz.blogspot.com.br/2014/11/fel-sistema-de-validacao-por-portoes-de.html – Acesso em 31/08/2017.

https://www.projectbuilder.com.br/blog-pb/entry/conhecimentos/metodologia-fel-sistema-de-validacao-por-portoes-de-entrada – Acesso em 31/08/2017.

Imagens

Imagem Destacada: https://empxtrack.com/blog/baseline-goal-setting-process/ – Acesso em 01/09/2017.

Figura 1: https://pt.linkedin.com/pulse/em-qual-n%C3%ADvel-os-projetos-da-sua-empresa-est%C3%A3o-oliveira – Acesso em 01/09/2017.

Figuras 2 e 3: http://jgdiniz.blogspot.com.br/2014/11/fel-sistema-de-validacao-por-portoes-de.html – Acesso em 31/08/2017.

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