Físico, filósofo, guru e autor de diversos romances, Eli Goldratt revolucionou o universo dos negócios criando a teoria das restrições. Mas qual seria a aplicação desta teoria no gerenciamento de projetos?

Eliyahu Goldratt (1948-2011) foi um físico, filósofo e guru dos negócios. Autor de livros consagrados como “A Meta” e “Não É Sorte”, seus livros se tornaram uns dos mais requisitados nas graduações de engenharia de produção e administração. Através deles, Eli apresentou uma das teorias que revolucionariam o tratamento moderno da gestão, sendo aplicável em diversas situações: a “Teoria das Restrições” (theory of constraints).

img_1970
Eliyahu Goldratt. Fonte: TOC Southern Africa

A teoria das restrições é um conceito desenvolvido em seu primeiro livro, “A Meta”, de 1984. Nele, Eli diz que o principal objetivo de uma empresa geralmente é o lucro e, se não fossem algumas restrições, seu lucro seria infinito. Elas podem ser consideradas de dois tipos: físicas e não-físicas (políticas ou emocionais) e podem ser tratadas a partir do “Processo de Pensamento” (Thinking Process), onde são feitas as perguntas:

  1. O que mudar?
  2. Como mudar?
  3. Como motivar a mudança?

Com as respostas destas perguntas, é possível criar uma lista de sintomas e diagramas de causa e efeito que podem ajudar a identificar a causa principal do problema. Em seguida, pode ser realizado um algoritmo para resolver o problema, chamado de: “5 Passos da TOC”, que demonstra um conceito de melhoria contínua tão utilizado atualmente como item essencial de qualidade.

img_1967
5 Passos da TOC. Fonte: adaptado de Wikipedia

A aplicação da TOC no gerenciamento de projetos é chamada de “Corrente Crítica” (Critical Chain Project Management), citada por Goldratt em seu livro de mesmo nome (1998). Um dos principais problemas citados pelo autor no gerenciamento de projetos é a gestão do tempo ao longo do projeto.

img_1969
Livro “Corrente Crítica”. Fonte: Cia dos Livros

Ao contrário do método mais utilizado, o PERT/CPM, a corrente crítica elimina as folgas que são exageradamente criadas “por motivos de segurança”, ou seja, o tempo criado em função de outras cobranças futuras ou até mesmo a manutenção da zona de conforto de quem é o responsável pela tarefa. Goldratt também apresenta outros motivos para atrasos em projetos:

  • Síndrome do estudante, o famoso “deixar para cima da hora”;
  • Lei de Parkinson, onde o trabalho toma todo o tempo disponível do responsável para poder eliminá-lo o quanto antes;
  • Desperdício da folga nos caminhos da rede;
  • Multitarefas.

Para que as atividades não corram com o risco de atraso, o autor sugere a inserção de “buffers“, ou pulmões, em locais estratégicos para proteger a corrente de possíveis problemas. No final da corrente crítica e deste buffer, neste caso,  se encontra o fim do projeto.

img_1968
Exemplo de uso da corrente crítica. Fonte: Richard Massari

Bacauí diz em seu artigo que, em alguns casos, é possível observar uma diminuição de 50% no tempo aplicando-se o método da corrente crítica em um projeto. Ele também diz que as empresas não podem mais conduzir seus projetos de maneira empírica, o que torna a utilização desta metodologia cada vez maior, já que ela tem como base a observação e o bom senso da TOC.

Eli Goldratt trouxe soluções e melhorias para diversos temas abordados em seus livros. No caso do gerenciamento de projetos, ele transformou métodos antigos em outros mais eficientes, trazendo novos conceitos e ideias através de sua didática em romances. Através deles, Goldratt quebrou paradigmas e tornou-se um dos autores mais consagrados e estudados no mundo dos negócios.

 

Referências Bibliográficas:

AUCTUS. A Teoria da Restrições: O que é? Acesso em ago. 2017. Disponível em <http://www.auctus.com.br/a-teoria-da-restricoes-o-que-e/&gt;.

BARCAUI, André. A Teoria das Restrições aplicada a Gerência de Projetos: Uma Introdução a Corrente Crítica. Acesso em ago. 2017. Disponível em: <http://www.pmtech.com.br/newsletter/Marco_2005/TOC_e_CCPM_em_GP.pdf&gt;.

CSILLAG, João Mário. Resenha de “Corrente Crítica”. Acesso em ago. 2017. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rae/article/viewFile/37859/36619&gt;.

Teoria das Restrições. Acesso em ago. 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_restri%C3%A7%C3%B5es&gt;.

Anúncios