Conhecimento nunca é demais, não é verdade caro(a) leitor(a)? Então conheça esta técnica de identificação de perigos mais bem aceita por autoridades reguladoras, muito utilizada em indústrias químicas e que está sendo adotada também por outros segmentos, além de entender sua importância e como ela funciona.

O Estudo de Perigos e Operabilidade, conhecido mundialmente como HAZOP (Hazard and Operability Study), é um método desenvolvido na década de 60, no Reino Unido, pela Imperial Chemical Industries Ltd (ICI) a fim de identificar o perigo e a operabilidade nas linhas de processo de seu sistema industrial.

Devido a necessidade de contenção de despesas na ICI, o gerente de produção K. M. Gee fez um estudo da planta (inicialmente chamado de investigação crítica, e depois investigação de perigos) visando a redução dos custos para a empresa. Com isto, foram identificados muitos perigos potenciais e problemas de operação que não haviam sido previstos no projeto. Assim surgiu o HAZOP.

Trata-se de uma metodologia de análise qualitativa e estruturada e que não identifica somente os riscos, mas também suas causas e consequências, promovendo assim ações preventivas e corretivas aos desvios identificados. É realizada por uma equipe multidisciplinar através de reuniões onde são discutidos possíveis problemas em diferentes áreas e pode ser elaborada em vários momentos do projeto.

Esta técnica foi inicialmente criada para analisar sistemas de processos químicos, porém foi estendida a sistemas e operações complexas como mecânicos e eletrônicos, procedimentos e projetos de software, além de alterações organizacionais e concepção, e análise crítica de contratos legais.

O estudo HAZOP investiga de forma minuciosa cada segmento de um processo, visando descobrir todos os possíveis desvios das condições normais de operação através de documentações ligadas a este processo. Em sua aplicação são utilizadas palavras-guia para o emprego de perguntas sobre os desvios típicos que podem ocorrer durante o processo. Na Tabela 1 é possível conhecer algumas destas palavras, podendo variar conforme a necessidade do estudo.

 

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Tabela 1 – Exemplo de palavras-guia utilizadas no HAZOP / Fonte: Adaptado de Santos e Theobald (2013)

 

As etapas para a elaboração de um HAZOP são:

  • Nomeação de uma pessoa responsável pela condução deste estudo;
  • Definição dos objetivos e do escopo;
  • Definição do conjunto de palavras-guia;
  • Definição da equipe multidisciplinar de conhecimento especializado (projeto e operação), além de pessoas indiretamente envolvidas;
  • Coleta da documentação necessária.

A seguir são feitas reuniões entre a equipe onde são divididos o sistema, o processo ou o procedimento em grupos menores aplicando-se assim as palavras-guia estabelecidas anteriormente em cada ponto de desvio ou “nó”. Para cada desvio, investigam-se as causas possíveis de provocá-lo levantando todas as possibilidades/frequências de sua ocorrência. Para cada uma das causas, são verificados os meios disponíveis para a detecção desta causa e suas possíveis consequências. Então, são sugeridos como os desvios podem ser tratados para evitar que ocorram ou atenuar as consequências se ocorrerem. Tudo deve ser documentado através de atas de reunião, acordadas as ações especificas para tratar os riscos identificados e cada um dos responsáveis. A Tabela 2 abaixo apresenta um modelo do HAZOP.

 

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Tabela 2 – Exemplo de modelo de um HAZOP / Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, CATAI, SERTA, MAINARDES e CANONICO (2011)

 

Como exemplo desta aplicação, será apresentada a análise de risco de um sistema de caldeira e vaso de pressão em uma empresa de pequeno porte localizada em Curitiba. Após seguir as etapas iniciais para a elaboração do estudo, como: definir o responsável, objetivos e escopo, as palavras-guia adequadas para o processo, a equipe e as documentações necessárias, através de reuniões, foram identificados os pontos de maior vulnerabilidade na operação do sistema, que são:

  • Operações manuais;
  • Estado de conservação do equipamento;
  • Manutenção do equipamento;
  • Habilitação/Capacitação do operador;
  • Capacidade de controle de parâmetros (temperatura e pressão);
  • Sistemática de operação.

Os pontos identificados por “nós” são os pontos de partida para a aplicação das palavras-guia onde são atribuídas as possíveis causas dos desvios e suas consequências esperadas. Para cada desvio foram propostas ações mitigadoras a fim de eliminar ou minimizar as consequências. Esta análise possui 03 nós, porém, como exemplo, na Tabla 3 é apresentado somente o nó 01.

 

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Tabela 3 – Exemplo de um HAZOP preenchido / Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, CATAI, SERTA, MAINARDES e CANONICO (2011)

 

Bom, diante da explicação resumida que fiz aí em cima, espero que você tenha gostado de conhecer mais esta forma de analisar os riscos, seja em processos químicos ou em algum outro tipo de sistema. Devemos olhar com bastante atenção para este tema, pois, se não for dada a devida importância, pode implicar em prejuízos aos custos, a funcionários, a paradas de unidade e até ao meio ambiente.

 

Até a próxima. =)

 

Referências Bibliográficas:

BORELLI, S.; FERREIRA, R. E.; GABRIEL, V. FERNANDO CELSO DE CAMPOS, F. C. DE. Metodologia HAZOP: Segurança e Sustentabilidade no Processo Industrial. São Paulo. Disponível em: Acesso em: 22 de Ago. 2017.

CICCO, FRANCESCO DE. ISO 31100.NET. São Paulo. Disponível em: Acesso em: 22 de Ago. 2017.

OLIVEIRA, M. M. DE; CATAI, R. E.; SERTA, R.; MAINARDES, C. W.; CANONICO, M. R. DA S. O. Disponível em: Acesso em: 23 de Ago. 2017.

SAUER, MARIA E. L. J. Análise dos procedimentos de partida do reator IEA-R1: uma aplicação da técnica HAZOP. São Paulo. Disponível em: Acesso em: 22 de Ago. 2017.

 

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