Importante ferramenta para avaliar as falhas de um produto/processo

Dentre as ferramentas utilizadas por Gerentes de Projeto para controle dos riscos em produtos e processos, destacaremos a Análise do Efeito e do Modo da Falha em inglês Failure Mode and Effect Analysis, ou melhor dizendo, carinhosamente conhecida como FMEA.

História da FMEA

Não existe um consenso onde foi criada e desenvolvida, porém, alguns autores relatam que percebe-se o desenvolvimento da FMEA nos anos 60 na indústria aeroespacial. Com o passar do tempo, começou a ser aplicada na industria automotiva visto sua aplicação objetivando a redução e eliminação de falhas resultando em diminuição de custos com atrasos, erros e retrabalho.

 

Definição de FMEA.

PMBOK (2013) define como “um procedimento analítico no qual cada modo de falha potencial em cada componente de um produto é analisado para determinar seu efeito na confiabilidade desse componente e, por ele mesmo ou em combinação com outros possíveis modos de falha, na confiabilidade do produto ou sistema e na função necessária do componente, ou o exame de um produto (no sistema e/ou em níveis inferiores) para verificar todas as maneiras possíveis de ocorrência de falha”.

De acordo com a fonte acima, podemos compreender que trata-se de uma ferramenta que objetiva detectar falhas e analisar os seus efeitos sobre o projeto/processo auxiliando assim na tomada de decisão para propor soluções destas falhas.

 

Objetivo

Segundo Slack (2015), seu objetivo é “identificar os fatores que são críticos para vários tipos de falha como meio de identificar as falhas antes que ocorram.”

Algumas das vantagens:

  • Detectar falhas em projetos ou processos;
  • Reduzir custos e tempo de produção;
  • Aumenta a confiabilidade;
  • Proporciona vantagem competitiva e satisfação do cliente.

 

Tipos

Existem dois tipos de FMEA na qual um é voltado ao design/projeto/produto (Design – DFMEA) onde se preocupa mais com as falhas de especificação do projeto e o outro mais voltado ao processo (Process – PFMEA) focando nas possíveis falhas relativas ao planejamento e execução do projeto. Possuem recursos de entrada diferentes, mas por aqui, vamos abordar apenas a metodologia de criação.

 

Metodologia

A metodologia consiste em três etapas sequenciadas que são:

  • 1ª etapa: Identificar as falhas (Identificar as funções/especificações e seus possíveis modos de falhas)
  • 2ª etapa: Priorizar os riscos (Definir a severidade, ocorrência e detecção
  • 3ª etapa: Eliminar ou minimizar os riscos

Após a definição do modo das falhas, priorizamos os riscos ao identificar a severidade, ocorrência e detecção.

 

Severidade

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Figura 01 – Severidade / Fonte: Custodio(2015)

Está diretamente ligada ao efeito da falha sobre o produto/processo.

 

Ocorrência

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Figura 02 – Ocorrência / Fonte: Custodio (2015)

Indica a frequência com que a ocorrência ocorre.

 

Severidade

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Figura 03 – Detecção/ Fonte: Custodio (2015)

Está ligado ao controle e indica a quantidade de ocorrência de falhas no produto/processo.

 

Exemplo de formulário

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Figura 04 – Exemplo de formulário/ Fonte: Custodio (2015)

Após os passos acima, é elaborado uma tabela onde constam: a ação, o efeito da falha, o índice atribuído a gravidade (severidade), as causas, o índice atribuído a ocorrência, o meio de detecção, o índice atribuído a detecção, e o Índice de risco (GOD), que é alcançado ao efetuar a multiplicação entre a Gravidade x Ocorrência x Detecção e assim indicando as prioridades de reparação ou eliminação dos riscos ao propor soluções de intervenção.

 

Conclusão

Para finalizar, vimos que a FMEA é mais uma das poderosas ferramentas que o Gerente de Projetos tem ao seu dispor. Atuando na redução das falhas através de métodos qualitativos e quantitativos, a FMEA também integra um dos componentes da metodologia Seis Sigma na fase de análise. Realizando os procedimentos de forma correta, procura-se obter resultados ótimos evitando assim a não conformidade que podem causar verdadeiras dores de cabeça à posteriori.

 

Referências Bibliográficas

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). Saraiva; Edição: 5ª (19 de dezembro de 2012).

SLACK, N., BRANDON-JONES A. and JOHNSON R.. Administração da produção. Atlas; 4ª ed 2015.

CUSTÓDIO, M. Gestão da qualidade e produtividade. Pearson Education do Brasil, São Paulo, 2015

LU, L. Prevenção e tratamento de não conformidades. Pearson Education do Brasil, São Paulo, 2015

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