Todas as tarefas são importantes, mas somente algumas são críticas. O caminho crítico é uma cadeia de tarefas vinculadas que afeta diretamente a data de conclusão do projeto. Se alguma tarefa no caminho crítico estiver atrasada, todo o projeto estará atrasado. (MICROSOFT CORPORATION)

Durante os conflitos da denominada Guerra Fria (décadas de 50-60), os Estados Unidos com a intenção de se sobrepor militarmente aos demais países, criou um programa extenso de construção de artefatos de guerra (submarinos nucleares, aviões bombardeiros, etc.). Por ser um programa que envolvia centenas de empresas, foi necessária a criação de uma “linguagem” comum entre as mesmas, o que contribuiu para o cumprimento do prazo dos contratos. (AVILA, 2013)

Em 1956, a Companhia Dupont, prestou serviços à Lockheed Aircraft Corporation (empresa envolvida no projeto dos aviões bombardeiros), que com receio de não conseguir cumprir os prazos contratados, formou um grupo de trabalho com a missão de estudar novas técnicas de administração no setor de engenharia. Assim, desenvolveu-se o método Critical Path Method (CPM) ou Método do Caminho Crítico, para a realização de seus objetivos. (BOITEUX apud FRANÇA at al, 2013)

O método do caminho crítico é um recurso para o controle efetivo do cronograma de um projeto, pois determina quais são as atividades críticas que podem trazer riscos à execução do mesmo. (LIMA, 2010)

O CPM é um dos vários métodos de análise de planeamento de projetos. O mesmo está diretamente ligado ao planejamento do tempo, com o objetivo de cumprir ou ainda, minimizar o tempo da duração total do projeto. Ele indica a sequência de atividades que devem ser concluídas nas datas previamente estabelecidas para que o projeto possa ser concluído dentro do prazo. Caso o prazo não seja cumprido, no mínimo uma das atividades do caminho crítico não foi concluída na data programada. (LIMA, 2010)

Com a compreensão do caminho crítico, é possível conhecer onde há ou não flexibilidade, ou seja, onde há folgas para o cumprimento das tarefas. Pois pode haver uma série de atividades que foram concluídas com atraso e, no entanto, se a mesma não estiver dentro do caminho crítico, há a possibilidade do projeto (como um todo) ser concluído dentro do prazo. Porém, se o projeto está atrasado, de nada adiantará alocar recursos adicionais em atividades que estão fora do caminho crítico, pois a alocação dos mesmos não afetará o término do projeto. (LIMA, 2010)

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Fonte: Elaboração própria.

Em 1958, a empresa de consultoria Booz, Allen & Hamilton desenvolveu o método Program Evalution and Review Technique (PERT), que teve grande contribuição para o sucesso do programa, edificando uma linguagem de planejamento e controle, onde todos os envolvidos pudessem compreender. (AVILA, 2013)

Segundo Lima (2010), as técnicas PERT e CPM foram desenvolvidas de maneira independente uma da outra, entretanto, como havia muita semelhança entre as duas técnicas, alguns autores decidiram por utilizar o termo PERT-CPM como sendo apenas uma técnica, onde foram unidas as melhores características de cada uma delas.

Avila (2013) aponta que a diferença entre os métodos está basicamente relacionada à  determinação do fator tempo nas atividades, que no método PERT, se dá de forma probabilística, e no método CPM, de forma determinística.

Ambas técnicas permitem planejar, coordenar e controlar as atividades de um projeto, identificando as relações entre as tarefas e verificando quais podem ser atrasadas (realizadas com folga), sem comprometer a data de término do projeto, e ainda, obter a duração do mesmo.

Para Avila (2013), seus principais objetivos são:

  • Minimizar problemas como atrasos, gargalos da produção e interrupções de serviços;
  • Ter conhecimento prévio das atividades críticas cujo cumprimento possa influenciar a duração total do projeto;
  • Informar à gerência quanto ao desenvolvimento/cumprimento de cada etapa ou atividade do projeto, permitindo a constatação de qualquer fator crítico que possa prejudicar o desempenho do projeto, podendo assim realizar ações corretivas;
  • Estabelecer quando cada envolvido deverá iniciar ou concluir suas atribuições.

IDENTIFICAÇÃO DO CAMINHO CRÍTICO

O CPM utiliza a determinação de datas de início e término mais cedo e de início e término mais tarde de cada atividade existente (sem considerar quaisquer limitações de recursos) para identificar o caminho crítico de um projeto.

A partir dos diferentes caminhos existentes no diagrama de rede, as atividades podem assumir uma variação de datas de início e de término possíveis (mais cedo e mais tarde). Essas datas possibilitam determinar a folga livre e a folga total de uma atividade.

A folga livre permite saber quanto tempo uma atividade pode atrasar sem impactar no início da atividade sucessora e a folga total indica o tempo que uma atividade pode atrasar sem que haja impacto no término do projeto.

O caminho com as atividades que possuem folga total igual a zero ou ainda o caminho que contém a maior duração (soma das durações parciais das atividades) indica o caminho crítico do projeto.

As atividades do caminho crítico são denominadas atividades críticas e necessitam de um gerenciamento mais incisivo para que não comprometam o prazo e/ou os custos do projeto.

MONTANDO O DIAGRAMA DE REDE DO PROJETO:

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Fonte: Elaboração própria.

A figura acima é uma representação da atividade no diagrama de rede do caminho crítico, onde:

ES – Early Start (início mais cedo)

EF – Early Finish (término mais cedo)

A – Determinada atividade

(d) – Duração da atividade

LS – Late Start (início mais tarde)

LF – Late Finish (término mais tarde)

Previamente, é necessário possuir uma estimativa de duração de cada atividade e ainda as predecessoras das mesmas para que assim, sejam empregados os seguintes passos:

  1. Montar o diagrama com as atividades e seus relacionamentos;

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    Fonte: Elaboração própria.
  2. Adicionar às atividades suas respectivas durações;

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    Fonte: Elaboração própria.
  3. Forward pass – Caminho de IDA: calcular as datas mais cedo de início e término (Early Start, Early Finish), utilizando a soma do término da atividade anterior com a duração da própria atividade. Se tiver 2 atividades a serem analisadas para determinar o início mais cedo de uma terceira, eu utilizo sempre o MAIOR valor de término mais cedo entre as 2 predecessoras;

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    Fonte: Elaboração própria.
  4. Determinar a duração do projeto, com base na data de término encontrada no cálculo do caminho de ida. Neste caso, a duração do projeto seria 11 (horas, dias, semanas, etc);
  5. Backward pass – Caminho de VOLTA: calcular as datas mais tarde de início e término (Late Start, Late Finish), utilizando a diferença entre o início da atividade sucessora e a duração da própria atividade. Se houver 2 atividades a serem analisadas para determinar o término mais tarde de uma terceira, eu uso sempre o MENOR valor de início mais tarde entre as 2 predecessoras;

    WhatsApp Image 2017-05-10 at 15.16.47 (1)
    Fonte: Elaboração própria.
  6. Determinar as folgas livres de cada atividade, sendo a mesma dada pela diferença entre o término mais tarde e o término mais cedo ou início mais tarde e início mais cedo;

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    Fonte: Elaboração própria.
  7. As atividades do caminho crítico serão as que apresentarem a diferença entre o término mais cedo e o término mais tarde igual 0, ou seja, as atividades com folga total = 0.

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    Fonte: Elaboração própria

No caso em questão, o caminho crítico é dado pela sequência INÍCIO – A – C – TÉRMINO.

Diante disso, é possível entender porque o método do caminho crítico é bastante utilizado como ferramenta de controle do cronograma e dos custos de um projeto. Apesar de ser simples, é bastante eficaz e representa de maneira fácil a criticidade do mesmo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AVILA, Antonio Victorino. Planejamento: O método PERT-CPM. Disponível em http://pet.ecv.ufsc.br/arquivos/apoio-didatico/ECV5318%20-%20Planejamento_cap06.pdf. Acessado em 04 mai. 2017.

BEZERRA, Cicero Aparecido. Técnicas de planejamento, programação e controle da produção. Curitiba: InterSaberes, 2013.

BLOG DA QUALIDADE. Método do Caminho Crítico. Disponível em http://www.blogdaqualidade.com.br/metodo-do-caminho-critico/ Acessado em 9 mai. 17

CARVALHO, Fábio Câmara Araújo de. Gestão de Projetos. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015.

FRANÇA, Adelmo Magalhães de et al. Estudo de Caso: Planejamento de projetos com metodologia PERT/CPM. Revista Ampla de Gestão Empresarial Registro, SP, V. 2, N° 2, art. 5, p 65-82, outubro 2013. Disponível em http://revistareage.com.br/artigos/terceira_edicao/05.pdf. Acessado em 03 mai. 2017

LIMA, Rinaldo José Barbosa. Gestão de Projetos. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2010.

MICROSOFT CORPORATION. Mostrar o caminho crítico de seu projeto. Disponível em https://support.office.com/pt-br/article/Mostrar-o-caminho-cr%C3%ADtico-de-seu-projeto-ad6e3b08-7748-4231-afc4-a2046207fd86. Acessado em 04 mai. 17

MONTES, Eduardo. Método do caminho crítico. Disponível em https://escritoriodeprojetos.com.br/metodo-do-caminho-critico. Acessado em 10 mai. 17

NEWTON, Richard. O gestor de projetos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

PAIVA, Alexandre. Método do Caminho Crítico (CPM-Critical Path Method). Disponível em http://gerentedeprojeto.net.br/metodo-do-caminho-critico-parte-13/. Acessado em 5 mai. 17

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