A sua empresa consegue identificar e gerenciar riscos?

A gestão de riscos periódica é um método eficiente para evitar que empresas sofram prejuízos significativos, mas como utilizar ferramentas de Risco para prever o impacto de eventos e ajudar os seus negócios?

Dicas de como implementá-las e maximizar o seu lucro e market share.

A obtenção de sucesso no cenário empresarial pode depender de uma série de fatores que buscam encontrar o equilíbrio. Entre eles, é comum se ouvir falar sobre planejamento, inovação, talentos, comunicação e vantagem competitiva, porém, de forma mais discreta, outros elementos assumem uma equiparável importância sobre a postura de uma empresa perante aos desafios. Uma delas é a habilidade de prevenção e gerenciamento de riscos.

 

O QUE SÃO RISCOS?

De acordo com Alencar J. A (2012), Fatores de Risco são eventos que possam prejudicar, totalmente ou parcialmente, as chances de sucesso de um projeto, ou seja, as chances de se realizar o que foi proposto dentro do prazo e com orçamento pré-estabelecido.

Ainda segundo no autor, risco é a probabilidade de que um fator de risco venha a se concretizar, totalmente ou parcialmente, atingindo assim o projeto.

As definições acima sintetizam a natureza alarmante dos riscos para os planos e objetivos de uma organização, porém, segundo o PMBOK 5.0, ao contrário do significado da palavra induzir à uma percepção negativa, riscos podem ser positivos ou negativos e todos os projetos estão sujeitos aos dois:

 

Riscos positivos: Também conhecidos como oportunidades, são manobras com resultados incertos que podem agregar valor para na organização. Ex: Implementação de novos sistemas, reformulação de equipe.

Riscos Negativos: Consideradas ameaças, são eventos externos à organização que podem culminar em um impacto negativo de diversas escalas.

 

O QUE É GERENCIAMENTO DE RISCOS?

“A necessidade de reorganização dos processos de negócio imposta pela introdução de novas tecnologias, que surgem a toda hora, faz com que sejamos constantemente, obrigados a fazer uso de ferramentas altamente sofisticadas, cujo funcionamento compreendemos apenas parcialmente”

Alencar J. A

 

O processo de adaptação do cenário descrito acima fez com que as empresas deixassem de executar uma atividade reativa perante aos riscos, que funcionava através de atitudes tomadas sem uma previsão, para hoje praticar a pró atividade e o planejamento.

 

Conhecendo os conceitos e a realidade de mercado citados acima, pode-se assegurar que o objetivo principal do gerenciamento de riscos é trabalhar com um plano de antecipação e prevenção para refrear as ameaças e impulsionar as oportunidades.

 

Entretanto, a concepção do risco muitas vezes acontece de uma forma mais perceptiva do que substancial, tornando esta atividade complexa e incerta. A monitoração destas incertezas é conhecida como Análise de Riscos. Esta é a primeira etapa da gestão de riscos, seguida da Execução – Implementação do plano definido – e subsequentemente o Controle de Riscos – processo de implementação de respostas aos riscos, acompanhamento dos riscos identificados, monitoramentos dos riscos residuais, identificação de novos riscos e avaliação da eficácia do processo de gerenciamento de riscos durante todo o projeto. (PMBOK, 5.0)

 

As etapas destas atividades podem ser descritas com o sequenciamento abaixo:

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Figura 1: Visão geral dos processos de Gerenciamento dos riscos do projeto.

Fonte: Autora

 

PROBABILIDADE X IMPACTO

Uma vez identificados os possíveis riscos, as empresas precisam estabelecer quais devem ser priorizados para organizar uma estratégia, levando em consideração as probabilidades, potencial impacto e recursos para responder à estas ameaças.

Para garantir a eficiência desta avaliação, foi desenvolvido em 1993 na Universidade de Pittsburg, Estados Unidos, por Marvin J. Carr, um método conhecido e utilizado em larga escala conhecido como Matriz de Probabilidade x Impacto.

A técnica consiste na elaboração de uma tabela de referência que relaciona diretamente a probabilidade e o impacto de cada fator de risco identificado pelos negócios de uma organização e pode ser dividida em 4 partes:

  1. Descrição do risco;
  2. Análise de impacto e probabilidades;
  3. Planos de contenção e contingência;
  4. Histórico;

 

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Figura 2: Matriz de Probabilidade e Impacto.

Fonte: Autora

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Conforme a matriz exibida acima, a sua principal aplicação é estabelecer um critério de ação contra os fatores de riscos definidos pela empresa com maiores chances de acontecer e com os impactos mais agressivos, com o objetivo de priorizá-los ante os demais. Os critérios de impactos avaliados com maior relevância para um negócio geralmente são o tempo de conclusão, o custo orçamentário, a qualidade do produto final, o aspecto comercial da empresa, o aspecto legislativo e a vertente política alinhada aos valores da organização.

Por outro lado, a probabilidade de ocorrência é estudada de acordo com o histórico de acontecimentos do risco com base estatística.

COMO FUNCIONA?

Nem todos os riscos são passíveis de uma mitigação. Alguns fatores de riscos são ignorados pelas empresas seja pelo baixo impacto, baixa probabilidade ou até mesmo o alto custo para o desenvolvimento de um plano de ação para um risco que pode não se concretizar.

A Matriz de Probabilidade x Impacto auxilia na organização e elaboração da priorização de Fatores de Riscos a serem tratados.

Para isso, é necessário entender qual o possível impacto do Risco na sua empresa e traçar e calcular a probabilidade de cada um.

 

APLICANDO O MÉTODO

Imagine uma empresa que possua o objetivo de lançar um produto novo no mercado. Preocupada com a competição acirrada no seu ramo, os executivos decidem realizar uma Análise de Riscos para prever as possíveis ameaças que podem afetar o seu negócio.

Suponha-se que os seguintes Fatores de Riscos sejam identificados:

  1. Influência da inflação no preço dos insumos importados utilizados para fabricação;
  2. Mudança nos hábitos de compra dos consumidores devido à crise econômica;
  3. Mudança nos canais de compra, que implicam em investimentos obrigatórios;
  4. Modificações constantes na legislação brasileira;
  5. Abertura de outras franquias no território nacional;
  6. Imposição de obrigações fiscais adicionais devido à natureza do negócio;

 

Para prosseguir com a exemplificação, será considerado o CUSTO como indicador afetado neste exemplo.

 

O primeiro passo para aplicação do método é elaborar uma tabela de Probabilidades, considerando o histórico de ocorrência de cada Fator de Risco identificado para estabelecer a hipótese de acontecimento:

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Figura 4: Tabela de Probabilidade.

Fonte: Autora

*Taxas calculadas de forma ilustrativa.

 

O passo seguinte é elaborar uma tabela de Impacto em cima das diretrizes do projeto e como cada Fator acima pode afetá-lo, de acordo com os cálculos próprios da empresa.

 

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Figura 5: Tabela de Impacto

Fonte: Autora

*Taxas calculadas de forma ilustrativa.

 

Utilizando a tabela apresentada na Figura 1, pode-se identificar quais Fatores de Risco acima devem ser classificados como críticos e, portanto, tratados como prioridade. Seguindo a mesma lógica, os quadrantes também distinguem quais devem ser considerados significativos, e quais devem ser pouco significativos e, portanto, ignorados ou deixados em terceiro plano.

 

Cientes das conclusões apresentadas pela matriz, fica a critério da empresa desenvolver um possível plano de ação de contenção e contingência próprios para tratar as ameaças, visando atingir a melhor opção que respeite as limitações da organização e logo em seguida realizar o controle de risco.

A importância da análise de Riscos não se limita apenas à evitar que empresas sofram perdas, ela se estende a mudança da cultura de prevenção e estimulação da pro atividade, permitindo a reformulação de planos em tempo hábil, de forma mais segura e, de forma mais consciente pelos responsáveis. (Alencar J. A – 2012)

A Análise de Riscos também não é exclusiva dos humanos. A natureza é auto-suficiente em calcular riscos, como gatos planejando o seu próximo salto e orcas que orquestram suas estratégias de caça. Assim os animais garantem maior eficiência em seus projetos. Considerando as informações acima, você pode concluir se a sua empresa se antecipa a Riscos?

 

Referências Bibliográficas

ALENCAR, J.A,  SCHMITZ, E.A. Análise de Risco em Gerência de Projetos. 3, Ed. Brasport (2012)

PMI. PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um Guia do Conhecimento Em Gerenciamento de Projetos – Guia Pmbok®, 5ª Ed. PMBOK 5.0 (2014)

 

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