Desmistificando a Curva “S” . Como uma ferramenta simples e de fácil utilização pode ajudar no Gerenciamento de um Projeto?

A curva S surgiu com a necessidade de uma melhor representação do andamento e dos desvios dos projetos.

A curva S tem esse nome quando utilizada em projetos, pois tem uma característica que se repete na grande maioria dos projetos, o trabalho realizado nas fases iniciais e finais é bem menor do que o realizado nas fases intermediárias. Quando esses valores são acumulados, geram uma curva com um aspecto de um S (ver figura A) que representa esse pequeno avanço no início e fim do projeto. Se forem utilizados os valores absolutos, no lugar do acumulado, o resultado é uma curva que se parece com uma montanha (ver figura B).

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Figura A                                                                                  Figura B                                                         Fonte: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1726

Por que utilizar a curva S no gerenciamento de projetos?

Pois é uma ferramenta de fácil utilização, elaboração e visualização e nos fornece uma visão bastante prática para ajustes e adequações tanto na fase de planejamento, quanto na fase de controle de custos.

Na curva S é possível perceber em pequenos detalhes algumas informações.

  • Uma subida rápida da primeira parte da Curva-S indica que o projeto rapidamente saiu das etapas de iniciação e planejamento para a execução o que pode denotar pouco tempo ou poucos investimentos em planejamento.
  • Pequenas flutuações uniformes podem ser efeito de feriados, períodos de recesso, entre outros. ( Figura C )

  • Na figura, cada intervalo horizontal demonstra dias sem atividade ( fins-de-semana)
  • Este projeto tem praticamente uma linha e não uma “Curva-S” por que representa uma equipe já mobilizada em ação contínua durante o ciclo de execução. Não existe uma representação para a fase de mobilização ou desmobilização que seriam equivalentes as fases iniciais e finais do exemplo anterior.

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    Figura C                     Fonte: http://www.thespiderteam.com/infospider/arquivos/strl_conceitos_curva-s_analise_valor_agregado.pdf

     

     

Para que serve a ferramenta?

  • Identificar os desvios de um projeto, sejam eles de custo ou prazo;
  • Eficiência na visualização de tendências como atrasos e adiantamentos de custo e prazo;
  • Melhorar a tomada de decisão por parte dos escritórios de projetos e executivos;
  • Possibilidade de realizar contenção para agir de forma mais eficaz no projeto;
  • Acompanhamento durante toda a execução do projeto.

 

Como podemos utilizar a Curva S no acompanhamento de projetos?

Na maioria absoluta das vezes ela é utilizada para acompanhar o andamento do projeto em comparação à sua Linha de Base. Você deve, após a aprovação da Linha de Base do cronograma, calcular os avanços – físico e/ou financeiro – estimados para cada período de medição. Esses avanços serão acumulados, para cada período, e plotados no gráfico, gerando a Curva S dos valores previstos, ou também chamados de planejados. Durante a execução do projeto, você deverá realizar as medições periódicas e apurar os seus avanços reais, que também serão acumulados, por período, e plotados no gráfico, gerando a curva de avanço real. A comparação entre as duas curvas apresenta uma indicação da evolução do projeto (ver figura D).

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Figura D                                                 Fonte: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1726

Pode-se tirar dois tipos de informação da Curva S :

  • Em uma análise no tempo (vertical), terá informações sobre o desempenho do projeto. Isto é, terá uma indicação, até o período correspondente, se a equipe do projeto entregou mais ou menos do que o planejado. No exemplo da figura E, a equipe entregou o equivalente a 10% do escopo do projeto a mais do que o planejado, indicando um bom desempenho;
  • Porém, se fizer uma análise no avanço (horizontal), terá informações sobre a pontualidade do projeto em relação às entregas efetuadas. Em outras palavras, terá o desvio, em relação ao tempo, do avanço planejado e realizado.
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Figura E Fonte: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1726

Partindo da ideia de que a Curva S  é uma ferramenta de acompanhamento, um projeto pode ter quantas Curvas S forem necessárias para garantir um acompanhamento eficiente. Em um projeto pequeno e simples, de poucos  meses de duração, você provavelmente criará uma Curva S geral do projeto, o que será o suficiente. Porém,  se o projeto for longo e complexo, como a construção de uma hidrelétrica, por exemplo, poderá ser criado uma Curva S geral, uma para cada fase do projeto, para o Caminho Crítico,  determinadas entregas, fornecedores e etc. Tantas quantas forem necessárias para garantir um melhor monitoramento do projeto.

Exemplo de utilização na execução de estruturas metálicas:

Para o desenvolvimento da aplicação será necessário seguir uma metodologia ( Figura 4)

 

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Fonte: http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf

1.1  Seleção da empresa e sua caracterização

A empresa analisada tem suas atividades voltadas à metalurgia, e focaliza seus negócios em estruturas metálicas para sustentação de equipamentos, prédios, pontes, armazéns e construção civil. Inserida no setor metalúrgico, tem como principais produtos na divisão comercial de componentes perfis soldados, dobrados e chapas. Já na divisão comercial de estruturas, fabrica principalmente pavilhões industriais, pontes, shoppings e etc.

1.2  Análise do projeto

O projeto a ser estudado é de estrutura metálica para uma mina de bauxita, de propriedade da Companhia Vale do Ria Doce, a mina está localizada em Paragominas no estado do Pará de onde será extraído o minério a partir do qual é produzido a Alumina, matéria prima para a produção do Alumínio. Ao analisar o projeto e sua estrutura analítica pode-se observar que o mesmo era composto por vários prédios independentes que compõem a mina de bauxita. Do ponto de vista de planejamento cada prédio corresponde a um percentual dentro do total do projeto. Para a obtenção desses percentuais foi feita uma comparação entre os pesos individuais das estruturas metálicas e o peso todas de estruturas da obra.

1.3 Montagem da Curva “S”

Para a montagem das Curvas S foi utilizado o método da experiência prévia referenciado por Dinsmore (2004). Traçado o cronograma de barras indicando o prazo previsto para cada atividade principal. Para cada barra, foi distribuído o percentual de progresso previsto, baseado em dados provenientes de projetos anteriores, utilizando séries históricas de produção para produtos semelhantes. Determinado o peso relativo de cada item utilizando um critério de custo para cada atividade.

1.4 Acompanhamento da Curva “S”

As curvas geradas a partir do acompanhamento e controle do projeto durante a execução, são apresentadas juntamente com a curva prevista. Desta maneira é possível o traçado de uma terceira curva chamada de linha de tendência, utilizada para redimensionar o prazo para cumprir possíveis atrasos ou para indicar pontos onde a produção está além do previsto. Na seqüência são traçadas as curvas S para cada um dos prédio integrantes do projeto.
O acompanhamento era realizado mensalmente. Assim foi possível replanejar mensalmente a obra e alterar a curva de tendência conforme a necessidade de estruturas no canteiro. Para tal atualização foi inserido na planilha os percentuais concluídos acumulados. Planilhas e controles internos de processos de produção foram utilizados para a obtenção dos percentuais realizados no mês e acumulados.

1.5 Análise dos resultados

No projeto, existem prédios de diferentes aspectos, funções e tamanho, dentre eles estão desde galpões para armazenagem, torres de processo, estruturas de suporte para fornos. O contrato de fornecimento era inicialmente de aproximadamente 1700 toneladas de aço carbono, devido à várias revisões de projeto e incremento de estruturas em alguns prédios esse número tem aumentado e a previsão é que totalize 2300 toneladas. Os prédios integrantes do contrato de fornecimento de estruturas para a mina estão relacionados na Tabela 1.

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Fonte: http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf

Com os dados da Tabela 2 foram geradas as curvas S para cada um dos prédios que englobaram o projeto.

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Fonte: http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf

 

Curvas geradas:

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Figura 5  Curva S do prédio da Moagem, contendo previsto, realizado e tendência.               Fonte: http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf

Observa-se um atraso significativo nos primeiros quatro meses, originado por recebimento tardio dos projetos básicos. Depois de superada a inércia inicial os trabalhos começaram a acontecer conforme planejado, isso é indicado pelo paralelismo das curvas de previsto e realizado.

 

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Figura 6, Curvas “S” do prédio da Oficina de Manutenção Geral, contendo previsto, realizado e tendência.                    Fonte: http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf

Analisando a Figura 6, observa-se que início seguiu o previsto. Após concluída a etapa da engenharia ocorreu um intervalo de tempo onde o projeto permaneceu parado até ser iniciada a sua fabricação. Após iniciada a fabricação a mesma acorreu dentro do prazo previsto.

 

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Figura 7 ,Curvas “S” do prédio da Área Externa das Tubulações de Polpa, contendo previsto, realizado e tendência. Fonte: http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf

Observa-se na Figura 7 , que o prazo foi mal dimensionado, as curvas de previsto e realizado são bem distintas, principalmente na parte da engenharia, foram previsto 5 meses para a execução de 20% sendo que o mesmo percentual foi realizado em 2 meses.
Conclui-se que as curvas consistem em uma ferramenta confiável, pois, permitem observar e mapear o andamento do projeto ao longo do tempo visualizando os atrasos podendo assim replanejar e redimensionar as equipes para atingir as metas e os marcos contratuais

 

Referências Bibliográficas:

Curva-S, Spider Project Team. Disponível em: http://www.thespiderteam.com/infospider/arquivos/strl_conceitos_curva-s_analise_valor_agregado.pdf

DAYCHOUM, Merhi. 40 Ferramentas e Técnicas de Gerenciamento, Rio de janeiro: Brasport, 2007

Desmistificando a ferramenta Curva S no planejamento. Disponível em: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1726

DINSMORE, Paul Campbell. (Supervisão) Como se tornar um profissional em gerenciamento de projetos. Rio de Janeiro. Qualitymark, 2003.

https://quartaroli.wordpress.com/curva-s/

http://www.infohab.org.br/entac2014/2006/artigos/ENTAC2006_1744_1753.pdf