Uma etapa do mundial de surfe é um sub projeto do Mundial de Surf como um todo, mas exige algumas peculiaridade que as vezes é complicado manter as metas e valores do projeto principal. Além dos stakeholders locais ainda temos as impreviabilidade que se tornam previsão de contingência. (Foto – Final da 4ª etapa WCT2015 / Fonte: (GLOBO ESPORTE, 2015)

Nos meses de maio temos a 4ª etapa do mundial de surf WCT, no Rio de Janeiro. O World Championship Tour – WCT, também conhecido como Circuito Mundial, é organizado anualmente pela liga profissional de surfe, denominada World Surf League – WSL. (WSL, 2015)

São 11 etapas ao redor do mundo nos maiores “picos” de surfe do mundo onde cada profissional mostra seu talento, técnica e destreza para julgamento e assim vão pontuando numa disputa pelo título mundial.

Na maioria das etapas prevalece a essência do surfe, a natureza, o homem, o desavio e a harmonia. Não que não seja um negócio lucrativo para todos os envolvidos e interessados, stakeholders, sejam os patrocinadores, sponsor, ou atletas que tem retornos financeiros envolvidos com o evento, mas o “negócio” fica como pano de fundo.

d989b69f-21ee-4cae-808b-4ba6bbb459f6Figura 1 – OiRioPro 2015 (foto aérea), 4ª etapa WCT / Fonte: (BELLI, 2015)

O Palco é o mar, e é preciso ter uma estrutura ao ar livre, que resista aos interpéries do tempo, como chuva, sol e a variação da maré. Fora isso ainda temos situações mais imprevisíveis que podem gerar estragos fora do planejado. Neste momento que vemos situações imprevisíveis se tornarem situações prevista para que não prejudique o evento. O Plano de contingência se torna parte fundamental.

Em toda etapa se prevê duas possíveis locações, denominadas sede 1 e 2, pois na ausência de qualidade das ondulações pode-se migrar para uma ou outra sede afim de explorar o melhor do surfe. Com a possibilidade de duas sedes, fica também contingenciado situações mais drásticas de imprevisibilidade como vendavais, ressacas, granizo e outros. Isso é uma característica destas etapas já que temos 2 estruturas completamente operacional, com salas de imprensa, sala de juízes, área de atletas, refeitório. Isso tudo devido a condições do evento ser ao ar livre e ser intimamente dependente da natureza, algo que não podemos controlar.

de537d08-30e9-45df-b016-8fb1c4a03ec0Figura 2 – Localização das 2ª sedes da 4ª etapa WCT2016 / Fonte: (GLOBO ESPORTE, 2016)

Em 2016, isso foi de suma importância, já que a sede 1, praia da Barra, posto 3, fora prejudicada por uma ressaca que tirou 2 metros de areia da base da estrutura, mesmo depois de aproximar ao máximo da restinga, afastando da praia, não foi possível garantir a segurança da estrutura. Assim a sede 2, Grumari, mais de 25km distante da sede1, passou a ser a sede principal, mesmo com característica mais simplistas, e com uma logística complexa, viabilizou o evento dentro da janela de acontecimento prevista pela organização. O que não se tem controle é preciso ter contigência, pois a realização do evento é o projeto em questão.

f120f50c-9d2c-411d-911f-548c21f0aaaeFigura 3 – Passarela e palco principal foram atingidos pela forte ressaca (Foto: Divulgação/WSL) (WSL, 2016)

No Brasil, a coisa se torna mais espetáculo. Tudo toma proporções de “show” e alguns valores ficam mais aflorados. Tudo tem números maiores e se tornam atrativos para patrocinadores locais, geram estruturas mais grandiosas e interesses menos ligados ao foco do surfe. Claro que isso engradece o espetáculo e fortalecem os vínculos do surfe no Rio de Janeiro apesar de muitos atletas reclamarem das ondulações serem menos atrativas à prática do surfe.

Desde de 2015, venho participando da organização deste evento ímpar aqui no Brasil. Participo da programação visual que criada na Califórnia, recebe ajustes locais, como em todas as etapas, mas acaba sofrendo com a característica peculiar desta 4ª etapa mundial.

A participação da inciativa pública, seja como interessada no foco turístico ou na divulgação da marca da cidade, gera algumas situações como incentivos fiscais para o setor privado explore a imagem do evento. Além de situações características da nossa cultura, como área vip para todos os “amigos” com serviço de buffet.

Projetos simples ou complexo exigem observações de todos os stakeholders, pois mesmo não sendo característico de todas as etapas, neste subprojetos, pode haver interessados específicos e que devem ser considerados e valorizados de forma diferenciada, sem perder o foco do projeto com um todo. Respeitando todos os interessados no projeto e valorizando cada ótica, o projeto tende a ter sucesso em todos os prismas. Afinal, em qualquer das Etapas, é importante considerar: a natureza, o homem e a harmonia da essência do surfe.

 

Referências Bibliográficas:

ALMEIDA, D. A. Blog Daniel Almeida. Identificando Os Stakeholders do Projeto!, 24 nov. 2013. Disponivel em: <https://blogdanielalmeida.wordpress.com/2013/11/24/identificando-stakeholders/&gt;. Acesso em: 19 mar. 2017.

BARCAUI, A. Gerente Também é Gente – um romance sobre gerência de projetos. Rio de Janeiro: [s.n.], 2006.

BELLI, M. Floripa Surf Girls Surf Feminino. Início do Oi Rio Pro é adiado para a terça-feira na Barra da Tijuca, 11 maio 2015. Disponivel em: <http://www.floripasurfgirls.com.br/?p=2084&gt;. Acesso em: 18 mar. 2017.

GLOBO ESPORTE. Globo Esporte – GE, 2016. Disponivel em: <http://www.globoesporte.globo.com&gt;.

LARSEN, M. Stakeholder | Gerenciamento de Projetos | Gestão de Projetos. Simplificada. Quem é um Stakeholder? Identificando as pessoas-chave de seu projeto | Stakeholder | Gerenciamento de Projetos, 28 mar. 2013. Disponivel em: <http://stakeholdernews.com.br/artigo/stakeholder-projeto-comunicacao/&gt;. Acesso em: 19 mar. 2017.

WSL. World Surf League, 2015. Disponivel em: <http://www.worldsurfleague.com/&gt;. Acesso em: 17 mar. 2017.

Anúncios