Quando a empresa decide realizar um projeto para aumentar a probabilidade de sucesso ou identificar a inviabilidade do projeto, faz-se necessário realizar uma avaliação dos riscos internos e externos que envolverão o projeto antes de iniciá-lo. Diversos projetos no Brasil e no mundo, são desenvolvidos sem que tenha o uso correto de práticas metodológicas referentes ao gerenciamento de riscos, resultando em inúmeras perdas financeiras e de recursos significativos para as organizações.

De acordo com o Guia PMBOK (PMI, 2014), o objetivo do gerenciamento de riscos no projeto é aumentar a exposição aos eventos positivos e diminuir a exposição aos eventos negativos. Tal gerenciamento inclui os processos de planejamento, identificação, análise, monitoramento e controle de riscos de um determinado projeto.

A gestão dos riscos segundo Valeriano (2005), consiste em “processos sistemáticos de identificação, de análise e avaliação dos riscos e no estabelecimento de adequadas respostas a eles”. Devido ao monitoramento contínuo dos ambientes internos e externos do projeto, esse gerenciamento possibilita identificar oportunidades, determinando a forma de aproveitá-las. Sendo assim, “a meta dos processos relacionados ao risco é minimizar o impacto de eventos potencialmente negativos e obter total vantagem de oportunidades para a melhora” (ISO 10006).

Nos projetos, a probabilidade de os riscos existentes acontecerem, em sua maioria, causam impactos negativos, entretanto, podem significar alternativas positivas, como por exemplo, a mudança da taxa cambial que pode gerar uma diminuição no valor de recursos importados para execução do projeto. (CARVALHO, 2012). Valeriano (2005) complementa ao dizer que “a severidade do risco, poderá ser de maior ou menor intensidade para o projeto” e informa que pode afetar questões importantes como desempenho, custos e cronograma

Lyons e Skitmore (2004) concluíram que existe um déficit no monitoramento e controle no gerenciamento de riscos pois a maioria dos esforços eram destinados em outras etapas do planejamento. Sendo assim, as etapas de planejamento acabam sendo mais detalhadas do que as etapas de controle. Normalmente utilizam menos recursos e esforços nas etapas de controle que ocorre em paralelo com a execução das atividades do projeto.

A fim de facilitar o entendimento, segue abaixo um exemplo com um levantamento de possíveis riscos negativos durante o transporte de materiais.

Riscos – Probabilidade x Impacto durante o transporte de materiais
Item Riscos Probabilidade Impacto médio (em R$)
1 Roubo de carga 80% 120.000
2 Colisão entre veículos 70% 70.000
3 Quebra de peça (s) do veículo 30% 30.000
4 Incêndio no veículo 5% 180.000
5 Pneu furar 30% 5.000
6 Falta de combustível 5% 3.000
7 Falta de documentação necessária para transporte 10% 30.000
8 Greve dos funcionários 2% 40.000
9 Problemas nas vias (obras, buracos, etc.) 90% 1.000

De acordo com os dados apresentados, que podem ser levantados através de ferramentas como o Brainstorming ou da análise de dados históricos da empresa, é possível ter uma visão mais clara dos riscos envolvidos no processo. De acordo com a probabilidade e o impacto, é possível que o responsável elabore um plano de respostas aos riscos, seja ele aumentando o valor do frete, reservando um orçamento para contingência ou tomando medidas para mitigar o risco, como por exemplo abastecer o veículo antes de sair da origem, realizar revisões no veículo, realizar a revisão da documentação, analisar as melhores rotas a seguir, entre outros.

Pelo exposto, para maximizar a probabilidade de os riscos impactarem o projeto de forma positiva e minimizar as chances de ocorrer eventos adversos aos objetivos do projeto, se faz necessário desenvolver um processo sistemático que consiste no planejamento, identificação, análise e respostas aos riscos do projeto. Portanto, conclui-se que a gestão de riscos faz-se importante durante todo o ciclo de vida do projeto e não deve ser negligenciada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, Fábio Câmara Araujo de. Gerência de Projetos. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012

LYONS, T.; SKITMORE, M. Project risk management in the Queensland engineering construction industry: a survey. International Journal of Project Management, 2004.

NBR ISO 10006:2003, Sistemas de gestão da qualidade – Diretrizes para a gestão da qualidade em empreendimentos. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. PMBOK: um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 5. ed. Project Management Institute. São Paulo: Saraiva, 2014.

VALERIANO, Dalton L. Moderno gerenciamento de projetos. São Paulo: Pearson, 2005.

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